domingo, 30 de março de 2008

Maior fraude da Zoologia, ou a superficialidade da má-fé

No último artigo (de 26-3-2008) do blog Amante da Rosa, a autora apresenta uma curiosa história sobre o Lagarto Gigante do Jardim das Hespérides (leia-se Cabo Verde).

Numa correspondência que trocamos, esta amiga bloguista me convida a escrever algo sobre o assunto. Fiquei um pouco dividido, pois motivações diversas me compeliam em direcções antagónicas:
  • Queria escrever algo para me insurgir contra o escárnio e as banalidades proferidas pela escritora Maria Estela Guedes
  • Não queria escrever sobre o lagarto, pois ainda não abrira um blog de discussão científica geral.
  • Queria escrever sobre o assunto, porque um antepassado meu foi parte envolvida nesta área da herptologia.
  • Não queria escrever porque tinha planeado outro artigo para este Domingo (já o prometera a um amigo)
  • Queria escrever porque me senti lisonjeado ao receber tal convite de uma dama que mantém um dos melhores (o mais instrutivo) blogs de Cabo Verde.
  • Não queria escrever porque não é muita coisa o que poderia dizer sobre este réptil
Acabei por decidir escrever pois as razões para tal me pareciam mais fortes!

Dado a que estou a escrever num blog autobiográfico e centrado na minha pessoa, eis em primeiro lugar um histórico da minha relação com o réptil:

Em criança, deleitava-me a ler os livros da colecção Ver & Saber da editorial Verbo. O número nove desta colecção intitulava-se "os Répteis". Tinha eu dez anos e fiquei a saber que os répteis se dividiam em quatro ordens com os seguintes nomes genéricos: sáurios (lagartos), quelónios (tararugas), ofídios (cobras) e crocodilianos (crocodilos). Naturalmente que as duas primeiras ordens me despertaram mais a curiosidade, pois eram aquelas que existiam em Cabo Verde. Como na nossa terra as tartarugas eram apenas as marinhas, lá me contentava a observar as lagartixas e osgas e cheguei até a dissecar lagartixas que colegas "pescavam" com moscas enfiadas em anzóis. Querendo ler outros livros e perguntando a quem soubesse, tive então a oportunidade de saber da existência do lagarto gigante do ilhéu Raso. Sonhava em poder lá ir observá-lo de perto.

Um belo dia (Dezembro de 1976) pude então observar dois exemplares vivos de um sáurio, com talvez 50 cm, no Jardim Zoológico de Lisboa, cuja legenda do "aquário" dizia "Osgas gigantes de Cabo Verde". Será que eram osgas? Será que eles se enganaram na proveniência (ou era "bleuff"). Não me recordo do nome científico, mas não me esqueci da cena nem do gigantismo da "lagartixa".

Mais tarde, vim a dirigir o Departamento de Recursos Naturais do INIDA (Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário) e a secção ligada à biodiversidade se "divertia" com pássaros e répteis de Cabo Verde; Hazevoet era um cooperante que connosco trabalhava e tivemos um dia uma interessante conversa sobre o animal reptiliano. Em 1991, fiz parte da equipa de consultores (éramos quatro) que preparou o Relatório Nacional para a Conferência do Rio sobre o Ambiente. Várias vezes entre nós nomeávamos o Macrocincus Coctei como exemplo de espécie extinta.

Recentemente, fiquei a saber que um tio-tetravô meu, o Doutor Francisco Frederico Hopffer (muitas vezes lembrado por minha avó materna), era também um amante da biologia e correspondia-se com Barbosa du Bocage, insigne naturalista português a quem enviara exemplares do lagarto em causa, como menciona Amante da Rosa em seu artigo.

Vejamos agora um extracto do LIVRO BRANCO SOBRE O ESTADO DO AMBIENTE que o nosso Ministério do Ambiente Agricultura e Pescas fez publicar em 2004:
"Em relação à colheita de material biológico de origem animal, pode-se exemplificar com a colheita de exemplares de répteis,mais concretamente Macroscincus coctei (Lagarto gigante de Cabo Verde com cerca de 60 cm de comprimento, já extinto). Se se quantificar os colectores que fizeram recolhas dessa espécie em Cabo Verde (Troschel em 1875: Bocaje 1896, Peracca 1891; Schiaretti 1891; Jamrack 1891; Green 1876 etc) e os exemplares existentes em vários Museus do mundo como por exemplo na Itália (Turin, Genoae e Florence - com 26 exemplares) em Londres (London Zoo, Natural History Museum of London) e em Portugal, e 45 exemplares importados no fim do século XIX ou seja, no Verão de 1891, pelo Sr. M. G. Peracca, poder-se-à concluir que a extinção dessa espécie se deve, em parte, à colheita desregrada de exemplares da espécie."
Como podem constatar, há vários sítios onde ainda hoje se pode lá ir medir o tamanho destes animais. Como pode Estela Guedes apelidar de "fraude da Zoologia" relegando a dimensão do sáurio para meros 17cm? A fotografia ao lado deste parágrafo, é elucidativa do tamanho bem superior a 17cm (no entanto um pouco inferior aos 570 mm de Bocage) dum dos 26 exemplares conservados nos museus italianos (o italiano Leonardo Fea, foi um dos primeiros naturalistas a ver exemplares vivos do Macroscincus)

Estudos profundos e altamente científicos, têm sido feitos a respeito deste lagarto. Menciono um recente, em que o DNA de amostras de 75 lagartixas cabo-verdianas actuais foi comparado com o de amostras de 16 Macroscincus conservados em museus. Este estudo visa determinar se o gigantismo do Macroscincus era devido a uma evolução de uma Mabuya (as lagartixas CV actuais) ou de uma outra espécie paralela.
A respeito de estudos do passado, deixo-vos agora com mais um extracto do Livro Branco:
Outro recurso natural cuja depredação conduziu à sua extinção é o lagarto gigante, Macroscincus coctei (Balouet & Alibert, 1989; Barillie & Groombridje, 1996), espécie de réptil endémico de Cabo Verde. Durante o século XIX, a Administração Colonial Portuguesa exilou para o ilhéu Branco os infractores à lei. Admite-se que os exilados tivessem utilizado para a sua alimentação peixes, aves marinhas, bem como capturado répteis, dos quais constaria o Macroscincus coctei (Bocage, 1873, in Hazevoet, 1995). Hazevoet (1995), cita J. da Silva Feijó que deu conta da utilização da pele de Macroscincus coctei (pelos habitantes das ilhas vizinhas) para o fabrico de sapatos. Alexander (1898a, citado por Hazevoet, 1995) ainda em 1897, encontrou esse réptil nos ilhéus Raso e Branco. Em 1912, Friedlaender (1913-citado por Hazevoet, 1995), considerou-o uma espécie muito rara para o ilhéu Raso. Nos ilhéus Branco e Raso, por exemplo, havia ainda nos fins do século XIX, exemplares de Macroscincus coctei.

Como não se trata de um artigo científico, mas de uma "espécie de nota ensaísta de rodapé", não me alargarei em pormenores outros como o da classificação taxonómica, da morfologia, do modus vivendi do animal, ou mesmo do seu surgimento em Cabo Verde.

Fiquem bem e até o próximo Domingo.

domingo, 23 de março de 2008

As mais lindas mulheres da nossa árvore. II - as da minha geração

Recebi uma missiva pascoal com este curioso texto:
A Páscoa é sempre no primeiro Domingo depois da primeira lua cheia após o equinócio de Primavera (21 de Março). Esta datação da Páscoa baseia-se no calendário lunar que o povo hebreu usava para identificar a Páscoa judaica, razão pela qual a Páscoa é uma festa móvel no calendário romano. Este ano a Páscoa aconteceu mais cedo do que qualquer um de nós irá ver alguma vez na sua vida! E só os com idade superior a 95 anos tiveram alguma vez uma Páscoa tão temporã. A próxima vez que a Páscoa vai ser tão cedo como este ano (23 de Março) será no ano 2228 (daqui a 220 anos). A última vez que a Páscoa foi assim cedo foi em 1913. Por isso, ninguém que esteja vivo hoje, viu ou irá ver uma Páscoa mais cedo do que a deste ano.
E o 23 de Março se tornou de repente uma data histórica! Logo me lembrei que uma das minhas primas em 1º grau, fez anos hoje, neste dia de Páscoa. Como ela faz parte das beldades de minha árvore genealógica que são contemporâneas minhas, resolvi apresentar as doze mais lindas fotos (encontradas nos ficheiros que sustentam a árvore genealógica) de jovens mulheres, hoje com idades rondando os cinquenta anos [além (51 a 54) e aquém (46 a 50)].

Ei-las então dispostas a seguir de forma aleatória:

*** Quem sou? ***** Quem sou? ***** Quem sou? ***** Quem sou? ***
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*** Quem sou? ***** Quem sou? ***** Quem sou? ***** Quem sou? ***
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*** Quem sou? ***** Quem sou? ***** Quem sou? ***** Quem sou? ***
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Há quatro que são filhas de beldades anteriormente apresentadas, três são SANTOS, cinco são REZENDE e quatro têm BRITO no sangue.

Devo porém em consciência dizer, que há na árvore contemporâneas minhas ainda mais bonitas que algumas destas aqui apresentadas. Só que não tenho fotos delas nos meus arquivos.

domingo, 16 de março de 2008

Histórica moeda entre o desprezo e o menosprezo

Esta é a primeira moeda que levou o cunho de Cabo Verde. Foi posta a circular em 1930 (Decreto nº18495 de 24.I.1930) e a sua tiragem foi de um milhão de exemplares.

Já se aperceberam, meus caros leitores, que vou finalmente falar de Numismática. O que vos parece obscuro é talvez o enigmático título. Porém, lá chegaremos, mas não sem antes conhecermos melhor a história desta moeda e de como me deparei numismata.

Rapidamente podem encontrar na Wikipédia, uma conseguida explicação do vocábulo e de seu significado. Eis o primeiro parágrafo da referida explicação:
"Numismática (do grego clássico νόμισμα - nomisma, através do latim numisma, moeda) é a ciência auxiliar da história que tem por objetivo o estudo das moedas e das medalhas."
Na casa onde cresci (e onde moro: localizem-na no pano de fundo do cabeçalho deste blog) há um vasto alçapão onde na época minha avó mantinha baús e velharias do século XIX, quiçá, XVIII. Curiosidade infantil, aliada à minha nativa tendência para a investigação, levava-me a fazer incursões exploratórias ao alçapão, em busca de não sei que tesouro escondido. Acreditem, encontrava coisas fabulosas e um belo dia desencantei umas antigas moedas do tempo da monarquia (vinténs, patacos, "derés" e outras) entre as quais se destacava um D. Luís de prata! Este foi o rastilho e a energia de activação da minha entrada para o grupo dos numismatas! (to be continued...)

Agora vejamos um pouco da história da primeira cunhagem de moedas próprias de Cabo Verde, com o nome da então colónia devidamente evidenciado. É com a devida vénia ao Eng.º de Sistemas Fernando Rodrigo C. Romão e Alves da Silva que transcrevo o seguinte texto de um site seu:

As moedas de Portugal e as que se obtinham com o comércio externo compuseram desde a origem a numerário desta Província.

LOPES FERNANDES, na sua Memoria das Moedas Correntes em Portugal, descreve o que se passava na sua época, já no século XIX. "As moedas do reino são correntes nesta província, 1 peça de 8000 réis ou 8 Patacas e 1/3, os Cruzados novos de prata, na venda por 500 réis, e na compra por 480 réis, sendo elles e as peças raríssimas; e também correm as fracções de prata. O cobre e o bronze, as mesmas que em Portugal. São admitidas todas as moedas estrangeiras, com o valor de mercado, como qualquer outra mercadoria; mas nas transacções com os estrangeiros a moeda nominal é a Pataca com o valor de 800 réis fortes; e na Ilha da Boa-Vista existe a mesma moeda nominal, e mesmo nas transacções internas, nas quaes é a Pataca reputada por 800 réis fracos - Foi esta informação dada para o Governo pelo Governador Geral de Cabo Verde em 16 de Fevereiro de 1846.

O Decreto de 19 de Outubro de 1853, mandou que todas as moedas portuguezas fossem alli correntes, sendo igualmente admittidas todas as estrangeiras, que o foram em Portugal pelos Decretos de 1846 e 1847".

ÁLVARO LERENO, in Subsidios para a História da Moeda em Cabo Verde (1460-1940), fala das vicissitudes suportadas neste território por esses anos fora sem moeda própria e, geralmente, com escassez da que lhe vinha da Metrópole, de Angola e dos estrangeiros com quem negociava.

É com o Decreto nº18495 de 24.I.1930, que aparece a primeira moeda metálica desta Província Ultramarina.

Vejam agora a belíssima série numismata de 1930:
1 Escudo

1930
AlpacaAmoedação

50,000
50 centavos

1930
AlpacaAmoedação

1,000,000
20 centavos

1930
BronzeAmoedação

1,500,000
10 centavos

1930
BronzeAmoedação

1,500,000
5 centavos

1930
BronzeAmoedação

1,000,000

É pois esta última moeda que hoje vos apresento:
O MEIO TOSTÃO
A moeda com que não se conseguia comprar quase nada, sobretudo durante a II Grande Guerra e anos subsequentes (a inflação galopante desvalorizou a moeda). O meio-tostão tornou-se "cascalho". Devido a isto, a sabedoria popular tratou logo de engendrar duas frases paradigmáticas:

A de desprezo:
"Ca bali nen mei tiston frado"
Um indivíduo ou um objecto desprezível "não valeria nem um meio-tostão, e menos ainda se esta moeda estivesse furada!"
NB: não é que eu furei uma destas moedas para tê-la no bolso e poder gozar com os colegas que se metiam comigo, dizendo-lhes que a moeda era mais valiosa do que eles!!
A de menosprezo:
"Mei tiston ca ten troco !"
A uma provocação não se deva responder (dar o troco) sobretudo se vier de alguém que desconsideramos. De facto não havia troco para a moeda de menor valor facial, a de 5 centavos, o nosso meio tostão.

domingo, 9 de março de 2008

Kutum Ben Ben, dan papa pan dau leti...

Kutum Ben Ben, não se trata do filho do filho da árabe Kuttum, a minha quadragésima avó (e de Amélia também) filha do profeta Maomé!
Trata-se pois deste horrendo, grotesco e implacável bicharoco que nas ilhas setentrionais cabo-verdianas também responde por "Contchinha Dóna Dóna". Notem, meus caros, a sonoridade destes nomes, bem como a da lengalenga infantil "dam papa pan dau leti"(como defendo o bilinguismo, traduzo: "dá-me papa para que te dê leite") usada pelas nossas crianças quando tentam fazer sair o energúmeno bicho de dentro do funil de areia que constrói para: apanhar, maltratar, paralisar e devorar formigas que distraidamente ali tombarem. Esta sonoridade tem o ritmo onomatopaico (virtudes da língua cabo-verdiana) dos movimentos violentos e sincopados do animal ao bombardear as vítimas com areia, bem como da sua forma de locomoção em marcha-a-trás.

Pois é, este indivíduo é uma larva de um insecto da ordem dos Neurópteros que por ser uma autêntica fera para as formigas fez com que o adulto tivesse o nome científico de Myrmeleon, ou seja o de formiga-leão.

Vejam agora um vídeo profissional da National Geographic onde se pode observar o Kutum Ben Ben em acção:


Como poderão constatar no pequeno vídeo a seguir, o animal adora andar de marcha-a-trás quando retirado da toca:
Este comportamento é aproveitado (colocando a larva sobre as zonas erogéneas) pelas crianças com idades próximas da puberdade, para fazerem aparecer mais rapidamente os pelos púbicos, ou para verem crescer os seios em pouco tempo. Claro que isto não passa de um mito, embora alguns supostamente eruditos "bolam" a explicação de uma massagem dos vasos capilares pelas cócegas provocadas pelo insecto, fazendo com que haja mais sangue a trazer hormonas e nutrientes para essas zonas.

Agora, devem vocês estar a perguntar, porque será que eu estou a falar deste animal num blog de assuntos "não científicos e mais ligados à biografia do autor". É que sempre tive paixão por insectos (podem discernir uma pequena colecção de insectos numa caixa que ostento na foto ao lado) e um belo dia deparei com o nome de formiga-leão debaixo de uma foto do Kutum Ben Ben. Porém a legenda dizia ser uma larva, e fiquei curioso por saber qual dos insectos da minha colecção seria progenitor deste popular animalzinho.

Peguei então de uma caixa de cartão forte com tampa, adaptei um vidro na tampa para que se pudesse ver o interior da caixa e enchi a mesma até 2/3 com terra arenosa. Cacei bastantes Kutuns e pu-los sobre a terra da caixa. Trataram logo de se enfiar nessa terra e no dia seguinte lá estavam os célebres funis de caça. Alimentei-os com formigas e passado muito tempo (já estava quase a desistir) tive o prazer de ver esvoaçar na caixa, dois belíssimos exemplares de formiga-leão adultos! NB: tive sorte, pois a vida de uma larva antes da metamorfose (vim a saber depois) , é de cerca de dois anos.

Os adultos são uns bichinhos encantadores que só voam à noite e se alimentam de seiva e de néctar de flores! Quem diria? São conhecidos por "paga-candeia", pois, ao esvoaçarem à volta de lamparinas e "podogós" acabam por os apagar.

Eis então em rodapé, fotos deste magnífico Neuróptero:

domingo, 2 de março de 2008

As mais lindas mulheres da nossa árvore. I - as nascidas antes de mim

Imbuído do espírito de Março, o mês da Mulher, fui fazer uma vistoria pela árvore genealógica (que partilho na Internet com todos os que queiram nela e dela participar) e deparei com várias fotografias de lindíssimas mulheres. Olhando para as que eram mais velhas do que eu (nascidas a mais de 50 anos), notei que as fotos a branco e preto lhes conferia ainda mais beleza que a das mais jovens em fotografias digitais a cores. Talvez estivesse influenciado pelas fantásticas belezas a preto e branco que recentemente descobri no "Negra Beleza da Cor", mas não consigo resistir em publicar aqui as fotos das doze mais lindas mulheres entre as 36 beldades do antigamente, encontradas nos ficheiros que sustentam a árvore.

Ei-las então dispostas a seguir de forma aleatória:

*** Quem sou? ***** Quem sou? ***** Quem sou? ***** Quem sou? ***
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***Quem sou? ***** Quem sou? ***** Quem sou? ***** Quem sou? ***
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*** Quem sou? ***** Quem sou? ***** Quem sou? ***** Quem sou? ***
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Seis delas são REZENDE e quatro são SANTOS. Há três que são as duas coisas.

Saúdo pois a beleza destas mulheres, progenitoras e ascendentes de muitos de nós.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Como da genealogia, meus rins levaram a Roberto Carlos

"Família de macacos!" era a expressão que usava o brincalhão e saudoso tio e padrinho, Jorge Aguiar Lisboa Santos quando alguém na família tentava deslindar o grau de parentesco com outro membro da mesma. É que os pais de Jorge eram primos entre si em primeiro grau e dois dos respectivos irmãos (irmã do pai e irmão da mãe) se casaram também (igualmente primeiros primos obviamente).

Bem, como sou filho da irmã de Jorge, tenho naturalmente um avô e uma avó maternos que são primos, filhos de duas irmãs. Assim, os genes de um são reforçados por genes da mesma origem, do outro. Resultado: tenho preponderância de genes vindos dessas irmãs, logo do pai delas (e mãe também) meu trisavô António Rezende Costa

A ascendência Rezende deste meu trisavô chegou a Cabo Verde através do Brasil. Esta história será desenvolvida mais tarde neste blog. Por agora concentremo-nos no facto de serem dominantes as tendências genéticas dos Rezendes nas minhas células (e talvez, pelo mesmo raciocínio, as da família da minha trisavó também) .

Dado à notoriedade dos Rezendes no Brasil e às minhas lides genealógicas, recebi um belo dia por correio electrónico, uma contribuição de um primo brasileiro que alegava terem os Rezendes três características marcantes:
  • Tendência a sofrerem de pedras nos rins
  • Mania de se casarem entre primos
  • Começarem a ter fios e mechas de cabelo branco na adolescência
Não imaginam o quanto estas informações me caíram como uma bomba, pois:
  • acabava de sobreviver a uma terrível crise de dores diagnosticada como originada por uma pedra renal de um cm de diâmetro (lembrei-me de minha avó cuja urina era acompanhada de uma espécie de areia laranja)
  • ela, minha avó Candinha, era prima do marido, bem como o irmão que também era primo da mulher (esta irmã de meu avô)
  • meus agora grisalhos cabelos se estrearam com alguns fios brancos aos 18 anos e mechas laterais um pouco mais tarde.
A propósito de rins e de cabelos brancos, deparei recentemente com um curioso artigo que me deixou intrigado sobre o que a medicina chinesa pensa a este respeito:
"O cabelo também é uma estrutura gerada pelo rim, e pela sua observação podemos avaliar como está energeticamente o rim da pessoa. A queda ou branqueamento precoce é um sinal de desgaste acentuado da energia [renal] que pode ser tratado, desde que seja no início do processo."
Safados os genes dos Rezendes! E eis que um primo, também Rezende, me manda um "clip de vídeo" (que acrescento a esta "postagem") onde para além do seu valor nostálgico vem associado o Brasil, a música romântica, dois monumentos da cultura brasileira e a frase de Roberto Carlos no meio da canção: " ...você é mesmo essa mecha ... de branco nos meus cabelos..."

Deixo-vos então com este magnífico recorte visual e animado:



domingo, 3 de fevereiro de 2008

Caniche, cão de circo, cão carnavalesco

Enquanto não tiver o vagar de escrever sobre esta engraçada raça de cães, aqui vos deixo em pleno Domingo Gordo, o pândego retrato do Dan's o nosso caniche macho que adora posar para a fotografia.

Mas que nome tão estranho para um canídeo! Antes de vos dar a explicação, talvez seria melhor vos apresentar a foto dos dois caniches que deambulam em nossa casa: a Sheri e o Dan's

Como vêm, ela e ele têm cores que fazem lembrar o célebre licor irlandês lançado pela pela empresa Thomas Sheridan & Sons em 1994: o Sheridan's

Assim, achamos por bem, ilustrar tal cromática semelhança e solidário companheirismo de cachorros saídos duma mesma ninhada, com os nomes: Sheri e Dan's . A inteligência da raça tem sido bem explorada por nossa filha Mélanie Sofia, que já lhes ensinou uma boa dúzia de comandos verbais que eles obedecem sem pestanejar... ai deles!

domingo, 20 de janeiro de 2008

Os cones que podem nos levar a "conos"

Esbocei um sorriso ao ler no Liberal Online a seguinte notícia:

"As 50 variedades cabo-verdianas, dispersas pelas ilhas, classificam-se em duas variedades morfológicas – os conos pequenos, que terão chegado ao litoral do arquipélago há 16 milhões de anos, e os grandes, há 5 milhões"
Não pelo conteúdo da notícia mas pela palavra "conos". Naturalmente que foi uma gralha ortográfica do articulista que queria dizer cones e não "conos". Estes cones tratam-se de animais gastrópodes (moluscos com conchas) pertencentes à família dos conidae.

As ilhas da Boavista, Sal e Maio são riquíssimas em cones de rara beleza. Cabo Verde detém 10% das variedades existentes no mundo e algumas são raridades muito procuradas por coleccionadores, chegando a ser vendidas por preços impensáveis.

Como já sabem, uma das minhas paixões é, à semelhança de Jean Piaget, a malacologia [Se também gostam de Malacologia podem visitar o site Malakos]. Conheci em criança um coleccionador de conchas português, que vivia na Boavista. Só em 1983 é que tive o privilégio de visitar a colecção desse indivíduo. Além de pentes tinha bastantes porcelanas e maioritariamente cones. Nesse tempo já ele me dizia que muitas destas espécies não se encontravam mais nos mares da Boavista e lamentava não ter condições para manter a sua colecção.

Hoje, sei da pilhagem que se faz das nossas águas e por isso não quis falar muito deste assunto para não despertar mais curiosidade e apetência para o massacre dos conidae cabo-verdianos. Por isso sorri do facto de se evocar que temos 10% dos "conos" do planeta!

Desisti hoje, dia dos heróis nacionais, de bancar o herói ecológico para abertamente mostrar ao mundo, quão maravilhoso é o património conquífero das nossas águas e apelar a quem de direito que o valorize sem deixar que nos pilhem destas espécies raras.

Valorizar poderia passar pela organização de colecções que seriam expostas em museus do mar, onde pudessem ser contempladas pelos turistas e pelos estudantes de Cabo Verde. A Madeira fez isto e recolhe dividendos. A nossa colecção seria de longe mais valiosa: dêem uma olhada (clique no link) no artigo a respeito que vai publicado no blog "Espaço Cabo Verde". Reparem quantos belíssimos exemplares da colecção apresentada no link seguinte: aqui , são de Cabo Verde.

Se quiserem ver a linda colecção de conchas, que um colega da Universidade do Porto possui, cliquem aqui. Este Professor, de nome Franclim F. Ferreira, possui muitos gostos e paixões, como poderão constatar na sua página. Congratulo-me por ter muitas afinidades e gostos semelhantes ao deste colega (numismática, filatelia, bandeiras, viagens, etc)

domingo, 13 de janeiro de 2008

Já bebeu um KOPI LUWAK?



Eu estive quase. Um belo dia fui tomar um bom expresso num café-quiosque especializado em cafés do mundo, sito no piso subterrâneo do centro comercial do Campo Pequeno em Lisboa. Pedi o melhor que tinham e o balconista me informou que tinham o melhor café do mundo, mas que acabava de se esgotar o último lote. Ao perguntar o nome desse café, ele me elucidou que se tratava do Kopi Luwak, um café cujos grãos são recolhidos das fezes de um animal da Indonésia, o Luwak. Surpreso, fiz-lhe bastantes perguntas e anotei cuidadosamente o nome de tal exótica iguaria.

Mais tarde, fiz a minha pesquisa na Internet e encontrei coisas extraordinárias e curiosas a respeito do citado animal (a Civeta Asiática das Palmeiras, carnívoro parecido com os gatos, cujo nome científico é também estranho: paradoxurus hermaphroditus), do processo de obtenção, do preço astronómico (25 contos cv o quilo) e dos processos químicos que os grãos sofrem de forma muito natural.

Para conhecer melhor a actuação das enzimas e das reacções envolvidas na obtenção deste café e do seu gosto extraordinário, vá ao artigo sobre "Enzimas, metabolismo e ... gastronomia", do blog CVquímica.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Como é deliciosa a Delícia da Garda

Após a Delícia de Ananás eis que Garda nos apresenta a receita da simples Delícia. Esta é uma receita muito antiga que lhe foi passada pela sogra e que Garda deu o seu habitual toque de mestre

Delícia

Ingredientes

400g de açúcar

400g de manteiga
4 ovos
500g de farinha
1 pacote e meio de baking powder
coco ralado, q.b.
1 chávena de leite de coco
creme de Custard

Batem-se muito bem a manteiga com o açúcar, juntam-se as gemas, o leite de coco, a farinha, o baking powder e por último as quatro claras em castelo. Vai ao forno em forma untada de manteiga e polvilhada de farinha.

Depois de assado, corta-se o bolo, recheia-se e cobre-se com um creme leve de Custard (fazê-lo ligeiramente doce). Em seguida polvilha-se o bolo com coco acabado de ralar (coco fresco e não seco).