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domingo, 7 de novembro de 2010

Agressividade - o traço animalesco de Guerra e Paz

Aos Domingos de manhã, dedico-me um pouco mais ao jardim e aos nossos animais de estimação. Após cuidar dos caniches, sentei-me a descansar e a olhar para os pássaros. De repente o habitual "coquetel de chilreios" transformou-se numa estridente algazarra sonora. Tirei imediatamente do bolso o telemóvel-câmara e filmei o seguinte:


Porque estariam estes animais, que se davam tão bem, a brigar? São fêmeas da mesma espécie, a Melopsittacus undulatus ou periquito australiano. Ciúmes?

Nasceu a 7 de Novembro de 1903
Bem, lá me vi eu de novo a cogitar sobre o comportamento de animais. Esta "mania", vim aprender muito mais tarde, que se enquadrava numa ciência chamada Etologia, a qual teve por expoente máximo, Konrad Lorenz. Eis o que dele se diz num site educativo:
"Tinha um mini-zoológico em casa, com várias espécies de peixe, aves, macacos, cães, gatos e coelhos, muitos dos quais ele capturava em suas excursões pelo campo. Ainda muito jovem, ocupava-se de nutrir e tratar os animais doentes no zoológico de Schonbrunner, nas proximidades de sua casa. Também anotava metódica e detalhadamente em um diário o comportamento de suas aves. A observação dos hábitos dos animais e a comparação do instinto de agressão animal com o comportamento humano foi uma grande preocupação dos cientistas e um momentoso tema dos pensadores no período entre as duas grandes guerras, em busca de explicações para a agressividade humana." 
Efectivamente, Konrad fez bastantes estudos sobre a agressividade animal, com vista à comparação com o comportamento humano. Vejamos mais um extracto do citado site:
"Em 1973 Lorenz recebeu o prémio Nobel de Medicina e Fisiologia, dividido com outros dois estudiosos do comportamento animal, Karl von Frisch e Nikolaas Tinbergen. Seu trabalho sobre as raízes da agressividade alcançou grande repercussão devido à possibilidade de aplicação ao conhecimento da violência urbana e, em maior escala, à prevenção das guerra. Jean Piaget tomou-o, juntamente com os resultados de sua própria pesquisa, como base para sua inovadora psicobiologia. Recebeu também diplomas honorários das Universidades de Yale, Loyola. Leeds, Basel, e Oxford, além de vários outros prémios e honrarias.
O ponto crucial da visão de Lorenz a respeito da natureza humana é que, assim como muitos outros animais, o homem tem o impulso inato do comportamento agressivo em relação a sua própria espécie."
Morreu a 7 de Novembro de 1910
Guerra e Paz, as eternas faces da mesma moeda. Muito gira à volta desta "moeda", muito se escreveu e se pode escrever sobre este assunto. Leão Tolstoi gastou rios de tinta para escrever uma obra com este nome:

"É uma das obras mais volumosas da história da literatura universal. O livro narra a história da Rússia à época de Napoleão Bonaparte (nomeadamente as guerras napoleónicas na Rússia). A riqueza e realismo de seus detalhes assim como suas numerosas descrições psicológicas fazem com que seja considerado um dos maiores livros da História da Literatura."
 [Guerra e Paz in Wikipédia]

Como liguei sempre mais às ciências ditas exactas que à história, não cheguei a ler Guerra e Paz. Nos primeiros anos da Independência, o "livro grosso" que mais estava na moda era "o Capital" de Karl Marx. Muitos dos jovens "revolucionários" de então, andavam em lugares públicos com este calhamaço debaixo dos braços, para ganhar status de intelectuais. Conhecendo a "escrita pesada" desta obra e conhecendo o nível de discernimento de alguns destes ditos-cujos, o conteúdo do livro só poderia transitar por osmose para os seus detentores, na razão inversa da catinga do sovaco.
Nasceu a 7 de Novembro de 1879
"Peta", um destes jovens, era no entanto pessoa inteligente e andava muito envolvido em movimentações políticas. Muitas vezes um pouco agressivo, viu-se um belo dia perseguido por agentes do poder e, creio eu, uma bala foi disparada. Um médico psiquiatra e político activo, amigo do nosso herói, foi o primeiro a vir em socorro do mesmo. Houve muito alarido nessa altura, vindo à tona a questão dos Trotskistas do PAIGC. Foram momentos tensos, tendo havido sessões de "crítica e autocrítica", onde muitos "Trotskistas" mostraram-se arrependidos (alguns de lágrimas nos olhos) e outros tiveram de sair do Governo e do país ( vejam a entrevista de Jorge Carlos Fonseca aqui). Muita agressividade pairava no ar. Bem gostaria eu de ver Konrad Lorenz a fazer a crítica destes seguidores de Trotsky e de seus perseguidores!


A propósito de "Peta", conta-se que nos tempos do liceu (antes do 25 de Abril) era ele muito romântico e que uma vez, platonicamente, enamorou-se de uma linda jovem cuja alcunha era "Pi". Claro que nós os jovens alunos liceais, logo aproveitamos para fazer trocadilhos e aconselhamos ao mesmo que passasse a frequentar os laboratórios de química do liceu, pois ali encontraria muitas pipetas (PI-PETA) entre os vidros laboratoriais!


Nasceu a 7 de Novembro de 1867

Isto não só me traz recordações das experiências de química que fazíamos sobre as tampos azeviche das ardósias das bancadas desses laboratórios, como também dos heróis e heroínas da Física e da Química. A nossa professora de Físico-Química fazia questão de valorizar o papel da francesa Marie Curie nestas áreas, realçando o facto dela ser mulher. Mais tarde vim a saber, que na realidade a cientista era polaca e que nascera Maria Sklodowska. Foi a primeira mulher que recebeu o prémio Nobel duas vezes. Sua filha também veio a ser galardoada com este prestigioso prémio. Deixo-vos com um vídeo sobre os prémios Nobel dos Curie:
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domingo, 3 de outubro de 2010

Cândido dos Reis, o Romeu da República Portuguêsa

Estamos no Outono, estação dos climas temperados e sem significado para o sistema climático cabo-verdiano. No entanto, quando criança (em plena era colonial) estudávamos as quatro estações do ano, como se fosse essa a nossa realidade. As folhas caídas e amareladas das árvores, eram para nós, fruto da imaginação. As únicas "coisas amarelas" de que me lembro caírem das árvores, eram umas vagens secas de uma espécie arbórea existente na Rua Cândido dos Reis e com as quais a criançada se deleitava a fazer "ventoinhas" cruzando duas dessas vagens sobre a extremidade de um pau de carriço e fixando-as com um pequeno prego, tendo filtros de cigarros como anilhas amortecedoras.

A Rua Cândido dos Reis da cidade da Praia traz-me sempre boas recordações de infância. As citadas árvores, quando floridas, emanavam um aroma tão suave e perfumado, que me faziam, então, insistir com meus pais a passar sistematicamente por esta rua, quando passeávamos de carro pela cidade. Nessa ocasião o passeio era curto pois poucas ruas tinha a Praia. Minha mãe, de quem herdei a mania dos purismos e das precisões, esclarecia sempre que passávamos pela rua paralela à Cândido dos Reis, a "Rua d' Horta", que esta não se chamava assim, mas sim Miguel Bombarda! e acrescentava logo que a Cândido dos Reis era também "Almirante Reis" e não Cândido dos Reis. 

Estas duas ruas gémeas (não idênticas porém) vão ambas desembocar na rua da "Igreja Protestante", a dos Nazarenos, naquela ocasião denominada Rua 5 de Outubro, da qual descia também a Rua da República. Parece que a toponímia de então, insistia  no ideal republicano. Os ilustres homenageados, foram os principais promotores do movimento que se iniciava há 100 anos, a 3 de Outubro de 1910 e que conduzia à proclamação da República Portuguesa a 5 de Outubro de 1910. 

Irónicamente, estes dois amigos e companheiros, não assistiram à citada proclamação por que tanto lutaram. O Dr. Bombarda, médico, foi assassinado a 3 de Outubro desse ano, por um doente mental do Hospital de Rilhafoles e Cândido dos Reis, ao saber disso e das notícias de denúncia do golpe, pensou estar tudo perdido e matou-se (a 4 de Outubro). Triste história deste herói de origem cabo-verdiana, que me faz lembrar o final de Romeu e Julieta onde Romeu se mata pensando que Julieta estivesse morta.

A origem cabo-verdiana de Carlos Cândido dos Reis, é descrita pelo conhecido genealogista cabo-verdiano, João Manuel Oliveira, nestes termos:
"A mãe é que era da Brava. Carlos Cândido dos Reis, (sob reservas ), filho de Matilde de Azevedo, mais conhecido por Almirante Reis por causa da avenida lisboeta que leva o seu nome. Embora todos saibam o seu nome poucos sabem quem foi, facto que o escritor Luís de Stau Monteiro põe na boca de um personagem do romance Angústia Para o Jantar, (p. 18): “Quem teria sido o Almirante Reis? Que teria ele descoberto? A pólvora? Se calhar descobriu a pólvora e não disse nada a ninguém”. Nasc. a 16 de Janeiro de 1852, nat. de Lisboa, (segundo outros teria nascido em Cabo Verde, sendo baptizado em Lisboa)."
Ambos foram enterrados no mesmo dia e tiveram um funeral conjunto. Quer um quer outro, eram declarados anticlericais. De notar que ser anticlerical, não significa que se seja agnóstico ou ateu:
"O anticlericalismo propugna pela separação e não interferência entre as esferas do poder religioso e do civil. O activista anticlerical critica a acção política das instituições religiosas."  [tirado daqui]
A propósito de liberdade religiosa e separação da Igreja do Estado, acontece que neste momento, encontro-me em Provo, nos Estados Unidos, a participar no 17º Simpósio Internacional sobre Lei e Religião, a convite da Brigham Young University, universidade ligada à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (os Mormons).

Hoje, Domingo, participei na Conferência Anual da citada igreja, evento grandioso realizado em Salt Lake City num auditório de 21 mil lugares e acompanhado pelo celebérrimo Coro do Tabernáculo Mórmon.

Deixo-vos com um vídeo deste coro:

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domingo, 26 de setembro de 2010

Tim-tim por tim-tim, saibamos como aqui chega o Sol


Desde que passámos a ter criação de aves tropicais decorativas, não tenho descartado as oportunidades de me sentar no nosso jardim interior a contemplar os voos saltitantes desses seres alados e a ouvir os trinados e pios dos mesmos, numa autêntica terapia ornitológica. Muito melhor que qualquer ansiolítico para dissipar o stress, stress que é a causa de muitos dos ataques cardíacos e AVCs de que se ouve falar.

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Justamente neste dia 26 de Setembro, dedicado à problemática das doenças cardiovasculares e em que se comemora o "Dia Mundial do Coração", resolvi ficar mais tempo a contemplar os pássaros e a tomar um pouco de sol. Às tantas, surge-me o meu filho Mauro a interpelar-me sobre esta prática, para ele absurda:

- "Não tens outra coisa para fazer? Pareces um velho!"
- "Antes pelo contrário! Estou a cultivar a minha juventude! Nada como o relaxe para se manter forte e saudável e sem problemas cardíacos" - ripostei eu com um sorriso de antecipação prevendo a tirada seguinte do adolescente:
- "Juventude?! com essa idade?! ... mas... com que idade se deixa de ser jovem?"
- " Até aos 77 anos ! atirei eu, pensando na célebre frase da revista Tintim: "a revista dos jovens dos 7 aos 77 anos""
- "Estás a gozar comigo!" lamenta ele

Então expliquei-lhe de onde tirara a ideia e pedi que aguardasse um pouco. Fui ao baú das preciosidades de minha infância e passados alguns minutos, lá estava eu a fazer a "entrega oficial" da colecção da revista Tintim (em versão portuguesa) ao meu adolescente rapaz. NB: "entrega oficial" pois ele já conhecia esta colecção que eu frisava sempre ser minha e não dele. Agora passa a ser dele e o acto foi fotografado pela irmã. O simbolismo do gesto tem seu valor, pois hoje é o aniversário do lançamento da versão original belga. Esta deu à estampa em 26 de Setembro de 1946, num dia em que se comemora a revolução belga de 1830 que conduziu esse país à independência.

E lá vem o Sol de novo, vejam a capa do Tintim belga: "Le temple du Soleil". É caso para dizer: "Here comes the Sun" como o dissera George Harrison, um dos Beatles, numa música de sua autoria e do mesmo nome, surgida pela 1ª vez no álbum Abbey Road. Este álbum, tornou-se célebre por ser o último álbum a ser gravado pela banda.

Também foi em Abbey Road que George Harrison se firmou como um compositor de primeira linha. Após anos a viver à sombra de John Lennon e McCartney, finalmente empunhou dois grandes sucessos com este álbum: "Here Comes the Sun" e "Something". Ambas foram regravadas várias vezes ao longo dos anos. Abbey Road foi lançado em 26 de Setembro de 1969, mas o tributo que faço neste dia de sol, é a Harrison. Vejamo-lo a interpretar, alguns anos após os Beatles se terem desmanchado, a música que lhe deu ... "um lugar ao sol":

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domingo, 19 de setembro de 2010

Elucidativos envelopes do 1º dia, PAIGC e burros "anotados"

Já ninguém liga ao 19 de Setembro aqui em Cabo Verde! Esta data é histórica para a existência do nosso país como Estado independente: é a do aniversário da criação do PAIGC por Amílcar Cabral e por outros cinco camaradas:

  • Amilcar Cabral
  • Aristides Pereira
  • Luís Cabral
  • Fernando Fortes
  • Júlio Almeida
  • Elisée Turpin
Antes do golpe de Estado na Guiné-Bissau, que resultou na cisão do partido e no fim da célebre, mas pouco convincente, "Unidade Guiné-Cabo Verde", a data era comemorada com pompa e circunstância. Já no 2º ano de nossa independência calhou o XX aniversário da fundação do PAIGC e mais um selo comemorativo foi lançado, com o seu respectivo "envelope do 1º dia". É com prazer que vos apresento aqui o lindo selo com a esfígie de Amílcar Cabral entre a Guiné e Cabo Verde: 


Mas a primeira vez que se comemorou esta data em Cabo Verde, foi em 1974, depois do "25 de Abril" mas antes da Independência, ou seja, em plena agitação política onde as forças da UPICV (União dos Povos das Ilhas de Cabo Verde) se degladeavam contra o PAIGC, causando a este sérias preocupações passíveis de um ardente desejo de neutralizar a UPICV pela parte do PAIGC. Os leitores poderão melhor entender a palavra "neutralizar" lendo o texto de José Luís Hopffer Almada no Blog Tertúlia Crioula (ver aqui), do qual isolo este extracto:
"A neutralização, que se queria definitiva e irreversível, dos responsáveis e apoiantes da UPICV materializa-se de forma cabal, nesses dias iniciais do mês de Dezembro de 1974..."
Confesso que os militantes da UPICV eram então, deveras impertinentes. Tinham a seu serviço a "Minerva de Cabo Verde", uma tipografia familiar e com bastante notariedade em Cabo Verde (ver histórico aqui e de seu fundador) e quase que quotidianamente lançavam um panfeleto muitas vezes demolidor das afirmações e ideias veiculadas em comícios pelos políticos e militantes do PAIGC. Tinham a vantagem da imprensa, cujo produto gráfico de alta qualidade,  contrastava com os panfletos policopiados do PAIGC.

Vejamos então um destes produtos gráficos que a UPICV lançou, no dia 19 de Setembro de 1974, para achincalhar o PAIGC e troçar de três de seus juristas, cuja eloquência e argumentação irritava os manda-chuvas da UPICV:
A simbologia inserida neste trabalho gráfico, poderá ser melhor entendida pela análise do seguinte extracto do texto de José Luís H. Almada atrás referido:
"...a UPICV proclamava-se como sendo de ideologia maoísta e pró-chinesa, e, por isso, posicionava-se como contrária ao “imperialismo americano”, considerado como aliado natural do colonialismo português e dos seus “fantoches spinolistas autóctones”, e ao “social-imperialismo soviético”, de cujo expansionismo e hegemonismo o PAIGC era considerado mero instrumento e peão políticos."
De qualquer modo, acho que devo homenagear o génio da tipografia que foi Aires Armando Leitão da Graça, irmão do lider histórico da UPICV, José Leitão da Graça. Aires, era o guru das artes gráficas dessa época, tendo gerido a Minerva como nunca alguém o fizera antes. Aires foi um dos 6 presos políticos que a "neutralização" conseguiu pôr atrás das grades do Tarrafal e fazer Portugal assinar um acordo reconhecendo o PAIGC como a única força política representativa do povo cabo-verdiano!

Embora tendo lhe sido reconhecido o estatuto de Combatente da Liberdade da Pátria, Aires morreu na miséria e bastante doente. Gostava imenso de fumar cachimbo e a melhor prenda que se podia levar-lhe durante a fase da doença, era um pacote de tabaco para cachimbo. 

Porém, sou um acérrimo lutador contra o tabagismo, e termino esta crónica com mais um elucidativo envelope do 1º dia, desta feita, sobre a "luta contra o tabagismo", lançado há 30 anos atrás, em 19 de Setembro de 1980:




domingo, 14 de fevereiro de 2010

Morre James Bond, nasce o ALUPEP

Não estranharia nada se o dia 14 de Fevereiro fosse consagrado como o "Dia do Camaleão" ou o "Dia do macaco de imitação"! Irão, caros leitores, perceber as razões da minha tirada à medida que eu for desenvolvendo este artigo.

A 14 de Fevereiro de 1989 morria o homem que se vê na fotografia em cima, a segurar dois maçaricos-esquimós (Numenius borealis). Este cientista, foi um ornitólogo amante de pássaros tropicais, que escreveu: A Field Guide to the Birds of the West Indies, publicado pela primeira vez em 1936. Ilustre desconhecido! Porém, seu nome foi "roubado" por Ian Fleming (confissão aqui) que dele deu vida ao mais famoso espião de todos os tempos: James Bond.

Ao que parece, por mais fidedigna que seja a cópia, sempre esta acaba por adquirir a sua própria identidade, e como tal se diferencia do original. Mesmo na clonagem isto acaba por acontecer. Veja-se o caso da célebre ovelha Dolly que se tornou famosa e poucos sabem da ovelha original. Dolly era suposta viver mais seis anos do que ela... porém, teve de ser abatida aos 6 anos (a 14 de Fevereiro de 2003) por sofrer de doença típica das ovelhas velhas (suas células tinham um DNA de 12 anos). Vejam o vídeo a seguir:

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Precisamente um ano antes, (a 14 de Fevereiro de 2002) nascia o primeiro animal de estimação clonado: a gata c/c, carbon copy ou Copy Cat. Tratou-se do nono animal clonado na história da clonagem.

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Mas, esta imitação que de forma darwiniana se transforma progressivamente em algo individualizado e com possibilidade de reprodução sob nova identidade, não se limita a seres materiais. Vejamos um caso "não material" que teve lugar em 14 de Fevereiro de 842: o dos Juramentos de Estrasburgo (Sacramenta Argentariae):
"Os Juramentos de Estrasburgo (Sacramenta Argentariae) marcam o nascimento da língua francesa. É nestes juramentos de ajuda mútua pronunciados em 14 de fevereiro de 842 entre dois netos de Carlos Magno, a saber, Carlos o Calvo (Charles le Chauve) e Luís o Germânico (Louis le Germanique), contra o irmão deles, Lotário I, que se encontra a primeira testemunho da existência de uma língua falada na França que era claramente separada do latim, a língua romana antepassada do francês" [tirado daqui]
Mas a língua portuguesa teve também um momento de glória a 14 de Fevereiro de 1990: o da aprovação do Projeto de Ortografia Unificada da Língua Portuguesa

No entanto, hoje 14 de Fevereiro de 2010, é Domingo gordo de Carnaval!

Vou propor um novo traje para a escrita da língua portuguesa:

o ALUPEP!

ALFABETO UNIFICADO PARA A ESCRITA DO PORTUGUÊS

Isto, porque a argumentação dos arautos do alfabeto fonológico para a língua cabo-verdiana, era a de que os cabo-verdianos eram incapazes (um autêntico atestado de incompetência e de mediocridade) de escrever bem a língua portuguesa por não saberem quando o x se lia che, cse, zz, ssi ou eix, ou quando s valia c ou z. Como o problema não foi resolvido por se aceitar o bilinguismo, e o ALUPEC foi imposto, só me resta propor que a língua portuguesa passe a ser escrita com um alfabeto fonológico: o ALUPEP.

A partir dexte mumentu já komesei a uzar u alfabetu funulójiku. Vai ser um marku istóriku nexta sidade da Praia. Oje é dia du Sãu Valentin y todux ux namuradux extão à prokura de prezentex para oferta. Bem guxtaria de vê-lux maxkarádux, kon beisux silikunadux a tentar akêlex beijux de "txintxiróti".

14 de Fevereiru é também um dia de muitux asasinatux y masakrex, bem komu de medidax de intulerânsia kontra a liberdade de expresãu.

Kreiu ke vou fikar pur aki, poix nãu guxtaria de ter um mandadu de kaptura extilu fatwa, emitidu pur sei lá ke dirijente pouku demukrátiku ke pur aí abunda, tal a sorte de Salman Rushdie kon seux Versíkulox Satânikux. Foi a 14 de Fevereiru de 1989 (nu mexmu dia em ke Bond faleseu!) ke lhe foi lansada a tal ordem de ezekusãu!

Antex purém de vux deixar, guxtaria de vux prezentear kon uma belísima futugrafia dux anux trinta, onde se podem ver kriansas vextidax de karnaval a rigôr, em frente da kâmara munisipal da sidade da Praia:

Adeux, ke já me bateram à porta kon akele mandadu de apreensãu du meu komputador!

domingo, 20 de setembro de 2009

A deusa italiana Sophia Loren fez 75 anos e aguarda os da francesa Brigitte Bardot

Na minha adolescência, as mais famosas "sex simbols" do cinema eram indubitavelmente Sophia Loren e Brigitte Bardot. E o engraçado é que elas tinham a mesma idade: Loren é apenas 8 dias mais velha que Bardot e faz hoje 75 anos.

Porém, ainda guarda seu charme, vivacidade e frescura, o que não se pode dizer de Bardot!

O que é certo é que elas ficarão na história do cinema e nos devaneios de muitos homens.


Vou agora escolher uma montagem do YouTube que presta um tributo às duas estrelas em paralelo:

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domingo, 13 de setembro de 2009

Brito - Cabrito, a jocosa associação de ideias


Durante a minha infância escolar, não conseguia evitar que coleguinhas fizessem trocadilhos com o meu nome de família (Brito). Uns chamavam-me de cabrito, outros justapunham o apelido ao nome do caprino, repetindo, qual refrão de compositor pouco inspirado: brito-cabrito!, brito-cabrito!, brito-cabrito! ...

A princípio, até ripostava dizendo-lhes que, lembrando-me a partícula de negação da língua cabo-verdiana, se contradiziam, pois sendo eu Brito não poderia ser ao mesmo tempo não-Brito (ca Brito).

O que é certo é que adorava brincar com cabritos e ao que parece o gosto pelo animal tornou-se hereditário, como podem ver nas fotos seguintes:
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»»»»»»Eu, aos três anos »»»»»»»Mélanie (minha filha) aos três anos««««««

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domingo, 16 de agosto de 2009

Bossa Nova, Sex symbol, Elvis e Caymmi

O Verão bate em pleno! Bem me apetecia refrescar-me em praias tropicais, ao sabor das ondas (do mar e das beldades). Ainda bem que em Cabo Verde temos praias dessas que fazem inveja a Ipanema e a suas garotas!

Uma caipirinha ao som da célebre "Garota de Ipanema" não cairia nada mal! Saibam que esta mundialmente famosa canção de Bossa Nova, foi composta no ano de 1962 (ano da estreia do filme Dr. No - a foto ao lado foi extraída deste clássico de James Bond) e que a 19 de Março de 1963 (dia do 27º aniversário da garota da foto ao lado) sai a gravação para a gravadora Verve.


Claro que esta garota não é de Ipanema! Trata-se de Úrsula Andress, uma das sex symbol dos anos sessenta. Nesse tempo comecei a ir ao cinema em frente da minha casa (ocupava um dos lugares captivos de que meu pai dispunha no cine-teatro municipal, por conta da assistência técnica que prestava ao cine) e deleitava-me com os filmes de James Bond e outros de cariz recreativo, alegre ou musical. Esta actriz tinha seu nome na boca de todos os púberes da época, que em 1968, já a tinham visto em "Casino Royale - 007", "What's New Pussycat?" e "Fun in Acapulco". Eis um pouco deste último, onde contracena com o grande Elvis Presley:

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Mas, que atrevimento esse o de Presley, em martelar nas palavras Bossa Nova, num show de Rock que de Bossa Nova só levava o título: "Bossa Nova Baby"? Que diria Tom Jobim, um dos pais desse ritmo e um dos criadores da Garota de Ipanema?

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim , mais conhecido como Tom Jobim, é considerado um dos maiores expoentes da música brasileira. Amigo de um outro grande expoente da música brasileira, Dorival Caymmi, ("um compositor e poeta popular que se inspirava nos hábitos, costumes e tradições do povo baiano e que tendo como forte influência a música negra, desenvolveu um estilo pessoal de compor e cantar, demonstrando espontaneidade nos versos, sensualidade e riqueza melódica" - tirado daqui) ei-lo no vídeo a seguir, em casa de Caymmi, interpretando com ele e com a ajuda das respectivas famílias, o não menos célebre "Eu vou para Maracangalha" da autoria de Dorival:

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Que bonito ver neste vídeo, o velho dorival Caymmi rodeado da família e dos amigos ! O homem (embora aqui, quase octogenário) transborda juventude e alegria. Será que poderemos dizer o mesmo da "garota não de Ipanema" que está na fotografia introdutória deste artigo? Vejam-na na foto ao lado, agora com 73 anos.



Este artigo, fi-lo em homenagem a Elvis Presley e a Dorival Caymmi, pois hoje, 16 de Agosto, é o aniversário do desaparecimento físico de ambos: Elvis em 1977 com 42 anos e Dorival em 2008, com 94 anos.

Como o Bossa Nova e a Garota de Ipanema foram o elo entre Elvis e Dorival, através de Andress e Jobim, eis que vos proporciono um derradeiro clip, de Tom Jobim há 20 anos atrás (1989) a tocar Ipanema em estilo Jazz:


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domingo, 19 de julho de 2009

Un flamboyant métro qui va de Praia à la Lune

Hoje, 19 de Julho 2009, olhei pela janela da nossa casa e voei (minha imaginação e memória) até à Lua num Metro flamejante ! Vejamos primeiro o que da janela vi:


Uma imagem contrastante! Entre o verde das copas se denota uma árvore repleta de flores vermelho-lume. A beleza dessa árvore, contrasta também com "aquela coisa" feia, no centro de um canteiro sem plantas, poeirento e atapetado de placas de cimento.

A árvore em destaque, é conhecida no seio dos entendidos, por acácia rubra. Minha mãe ensinou-me se tratar da árvore de Santo António, por florir no mês de Junho, encontrando-se no seu apogeu floral, por ocasião do 13 desse mês, dia de Santo António. Esta árvore é originária da ilha de Madagáscar e é muito vista por todo o mundo lusófono. Seu nome científico é Delonix regia devido à sua majestade (regia) e ao evidente (do Grego delo) aspecto ungulado (do Grego onix) de suas flores. Flamboyant é o nome francófono, a fazer jus à sua presença flamejante e ao caracter exuberante (palavra aplicável à árvore e a pessoas). Esta árvore embeleza sobremaneira as nossas paisagens, como podem ver na foto ao lado, tirada em São Jorge dos Órgãos.
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Flamejantes seriam também as chamas do Apolo 11, a missão espacial histórica cujos 40 anos se celebram nestes dias. Amanhã, dia 20 de Junho, completam-se 40 anos após a primeira vez que o ser humano pisava o solo lunar. "That's one small step for a man, one giant leap for mankind" a emblemática frase de Neil Armstrong que assinalava este extraordinário facto:

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Tinha eu 11 anos quando isto aconteceu. Nessa altura, alcatroavam-se as ruas da Praia (a cidade limitava-se ao que agora se chama de "Plateau"). Lembro-me de passar horas esquecidas a observar a máquina alcatroadora e seu operador mor, a "regar" de alcatrão líquido, pegajoso e fumegante, o leito de gravilha colocado sobre o pavimento calcetado das ruas. O tal operador, era um Português típico, baixo, anafado, sanguíneo, de patilhas acentuadas, chapéu negro e casaco ensebado de pele. Talvez Alentejano, lá estava ele a alcatroar as ruas do "Ténis" (então bairro da cidade) quando, conversa puxa conversa, lhe disse eu que o Homem acabava de poisar na Lua. Maldito momento esse em que resolvi dar essa notícia. O homem ficou danado, chamou-me de aldrabão, e à medida que insistia eu na notícia, mais vermelho ficava até que me enxotou com o casaco dizendo não admitir que um pirralho fizesse pouco dele! NB: há quem até hoje não acredita e há quem alegue que foi tudo uma encenação forjada (ver aqui). Mas podem ler aqui a contra-resposta.

Corri logo para a praça em frente da casa de minha avó. Gostávamos de brincar nessa praça, cheia de lugares para se esconder, como n' "aquela coisa" de que vos falei no início deste artigo. Vejam-na na foto ao lado; tratava-se de uma casa de banho pública subterrânea, naquela época bem cuidada, cheirando a creolina. Nhu Pedro, o guarda zarolho e coxo que de vara em riste nos afugentava dos canteiros, não deixava que nenhum andrajoso fosse para lá dormir, ou fazer coisas que não devia. Anos depois, já após a Independência, este local passou apenas a mictório (engraçada a placa que "em bom português" ostentava a palavra "urinor"). Quando se transformou num lugar ainda mais fétido e covil para vícios inconfessáveis, o subterrâneo foi pela edilidade de então, literalmente gradeada!

Esse urinório, pelo seu carácter subterrâneo e pelo aspecto de sua entrada, evocava o Metropolitano. Era o "Metro da Praia" para as crianças jocosas da pequena burguesia da época. Havia mesmo quem acreditasse e fizesse a ingénua pergunta: "Onde é que vai dar?" a que respondíamos divertidos: "à Praia-Negra!" (NB: o local onde iam cair os esgotos municipais). A propósito, hoje é aniversário da inauguração do Metro de Paris. Conhecido originalmente como o "Chemin de Fer Métropolitain", começou a operar em 19 de Julho de 1900 com apenas oito estações da Linha 1, ligando a zona leste à oeste: Porte de Vincennes a Porte Maillot. Várias vezes fiz este percurso, quando estudava em Paris; ainda (em 1981) a linha tinha algumas carruagens de 1900!


Por todas estas recordações e efemérides do dia, é que minha imaginação "foi à Lua num Metropolitano flamejante!"
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domingo, 7 de junho de 2009

Santos diabinhos!

Há trinta anos comemorava-se o Ano Internacional da Criança. Nesse ano, os Correios de Cabo Verde lançaram no dia 1 de Junho, selos comemorativos e castiços envelopes do 1º dia. Eis a imagem de um dos envelopes da minha colecção filatélica:


















Reparem que a célebre frase atribuída a Cabral, "As crianças são as flores da nossa revolução", foi "doirada" para "As crianças são as flores da nossa luta" ! (no coments!)

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Há vinte anos (1989), as crianças viam nascer uma famosa telenovela Mexicana: Carrussel. Na sua versão brasileira de 375 episódios, elas eram apelidadas pelo zelador do colégio, o Firmio, de "Santos diabinhos". Dava gosto assistir aos episódios dessa produção televisiva. Fazendo um clique na foto ao lado, serão conduzidos para um YouTube resumo do 1º episódio. Se está curioso por saber o que é feito desses "santos diabinhos" quinze anos depois, clique aqui.

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Há poucos dias fui desencantar nas minhas "pesquisas arqueológicas" aos haveres de meus antepassados, três fotos de minha infância, onde me encontrava ladeado de outras crianças em poses inocentes, após (lembro-me perfeitamente) diabruras e traquinices no quintal da casa de minha avó, que agora é meu lar. Reparem que bem podiam estas fotos serem intituladas de "santos diabinhos!":
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Já repararam nas características orientais destes meus amiguinhos? Pois é, estávamos em 1963 e já tínhamos "chineses" na nossa cidade! Quem seriam eles?

Vou suspender aqui o artigo, para vos dar a oportunidade de o adivinharem. Dica: são parentes (sobrinhos) de uma médica, então vizinha nossa, que viria a ser objecto de trocadilhos, após a exibição aqui na Praia, do filme Born Free. O título em português e os nomes do casal governamental da época, dirão tudo.

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E disseram mesmo! Recebi há minutos por e-mail, a resposta que esperava, de uma parente minha, prima do ilustre tio das crianças das fotos, minhas vizinhas (moravam no palácio do Governador).

Esse tio, era o então (1963-1969) Governador da Província de Cabo Verde, Leão Maria Tavares Rosado do Sacramento Monteiro (origem do Fogo). A mulher desse Leão (que está na minha árvore genealógica) era uma médica macaense que respondia pelo nome de Elsa (Elsa Maria José de Sena Fernandes). As crianças eram filhas da irmã de Elsa, de nome Arlete. O filme em questão tinha por título: "Uma Leoa chamada Elsa", donde as piadas que à boca pequena (era no tempo da PIDE) se faziam.

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Este filme foi muito comovedor. Baseado no livro Born Free da escritora checa Joy Adamson, (nascida Friedericke Victoria Gessner) relata a história verídica sobre uma leoa e a mulher (Joy) que a criou e depois devolveu à liberdade. O filme recebeu vários galardões internacionais, entre os quais os óscares da melhor banda sonora (compositor Jonh Barry) e da melhor canção de 1967. Esta canção é certamente de vós conhecida e terei muito gosto de terminar este artigo com o clip da mesma, primorosamente interpretada por Matt Monro, nome artístico de Terence Edward Parsons, cançonetista londrino dos anos 60 que se tornou famoso pela voz que dava às canções de filmes:

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domingo, 17 de maio de 2009

Minha adolescência evocada em altitude, por Cristo e Gabriel

Há já alguns dias, ao procurar as efemérides do dia 17 de Maio, encontrei o da inauguração do santuário do Cristo-Rei em Almada. Como a data era a de 1959, depreendi logo que ia haver muito alarido à volta disto, pois seriam as bodas de oiro desse emblemático monumento. Dito e feito, muitos estão a ser os festejos e evocações da data. Por isso, e como o propósito deste Blog não é jornalístico, apenas apresentarei duas fotos minhas, tiradas junto ao citado monumento em Agosto de 1973, aquando da já aqui mencionada viagem de estudos do Círculo de Estudos Ultramarinos. Muito aprendi, porém, nestes dias, vendo as reportagens sobre o o evento, consultando sites na Internet, vendo diaporamas e lendo artigos relacionados nas enciclopédias. Como este Blog é também de "postais antigos," aqui vai um postal animado da inauguração:

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Entretanto, a data de 17 de Maio tem para mim um significado nostálgico mais profundo. Desde 1969, que os pic-nics dos CTT (onde meus pais fizeram suas vidas profissionais), passaram a ser realizados nesse dia, o Dia Mundial das Telecomunicações, sendo para mim, nessa altura, uma oportunidade para ir a lugares aprazíveis do interior de Santiago, onde convivia com os filhos dos demais funcionários dos Correios, Telégrafos e Telefones (antes, os pic-nics eram em Março, por ocasião das festas do Arcanjo São Gabriel, padroeiro católico, das telecomunicações). Esta data é a da fundação da UIT (União Internacional das Telecomunicações) que via sua nascença em Paris, a 17 de Maio de 1865. É hoje, a mais antiga organização internacional do Mundo (ver aqui). Em 1965, os CTT da província de Cabo Verde, emitiram um selo comemorativo do centenário da organização. Tenho o envelope do primeiro dia, que partilho aqui convosco:


Em 1968, a União Internacional das Telecomunicações, no 23.º Conselho Administrativo, decidiu escolher o dia 17 de Maio como Dia Mundial das Telecomunicações e exigiu dos seus membros que nesse dia, desenvolvessem actividades comemorativas, divulgassem o papel importante que as telecomunicações desempenham, promovessem as tecnologias de telecomunicações e despertassem o interesse dos jovens em conhecer as telecomunicações.

Em 1978, os CTT de Cabo Verde emitiam um selo comemorativo dos 10 anos da instituição desse Dia Mundial. Eis aqui o envelope do primeiro dia de circulação (aproveito para vos mostrar igualmente o emitido no ano anterior):
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Devo dizer que, desde 2005, este dia passou a designar-se Dia Mundial da Sociedade da Informação. As Nações Unidas assim o determinaram (ver aqui a mensagem de Kofi Annan) na sequência da chamada Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação.

As telecomunicações em Cabo Verde deram o seu primeiro passo significativo em 1974 com o início do funcionamento das estações do Monte Tchota (em Santiago, entre Rui Vaz e o Pico d'António o ponto mais alto da ilha), Monte Verde (São Vicente) e Morro do Curral (no Sal), que permitiu as ligações telefónicas automáticas entre as ilhas:
"Depois, em 1974, concluía-se o projecto de automatização das comunicações inter- ilhas, através da instalação de sistemas rádio por feixes hertzianos, interligando os centros de Monte Tchota (Santiago), Monte Verde (S.Vicente) e Morro Curral (Sal). A partir destes três centros principais de transmissão são estabelecidas ligações com os centros em S. Antão, S. Nicolau, Boa Vista, Maio, Fogo e Brava." [CVTelecom]
Meu pai, foi um dos "protagonistas desse filme" e eu fui um dos ... "figurantes". Na realidade, vivi de perto a construção e a instalação da estação do Monte Tchota. Vejam a foto a seguir e ... boa semana!

Foto tirada em 30 de Março de 1972, vendo-se ao fundo o pico denominado d'António em homenagem a António da Noli, um dos descobridores da ilha. Não sei porque carga de água é que se vê traduzido, do Crioulo "Pico 'Ntóni", para "Pico da Antónia"