Com tiragem aos Domingos (periodicidade nem sempre regular), este Blog muito próprio, insiste em dar voz ao lado não profissional de mim mesmo. Nele escrevo sobre assuntos mundanos e corriqueiros, meus hobies e interesses: Genealogia, Gastronomia, Filatelia, Numismática, Malacologia, Entomologia, recordações de infância e juventude, animais de estimação, imagens antigas (este fundo é o da praça Alexandre Albuquerque na época em que nasci, sendo minha casa a 2ª a contar da esquerda), etc.
São todos descendentes do único filho desse casal e não obstante a influência da beleza das diferentes mulheres deste paradigmático indivíduo conhecido por Chico Gaiola, têm todos o cunho indelével dos traços de Francisco (cabelos grisalhos precoces dos Rezende e lábios finos dos Mascarenhas). Vejamos então alguns destes "galãs de cinema": quatro são filhos de Francisco Xavier de Rezende Mascarenhas e os restantes quatro são netos. Passando o cursor (ou fazendo um clique) sobre uma foto, pode-se saber quem é o pai (ou a mãe se esta for filha de Chico). Um clique sobre a pergunta "Quem sou?" leva à página genealógica respectiva.
Como já é do vosso conhecimento pelo artigo (Kutum Ben Ben, dan papa pan dau leti...) que publiquei em Março 2008, desde cedo tive uma paixão pela entomologia, pelo que, além de estudar os insectos da terra, fazia colecção deles. Este gosto adveio da leitura (aos 11 anos) do livro "o Mundo dos Insectos" da colecção Ver e Saber da Verbo.
Um dos insectos que mais me apaixonava observar era o Fonfon, uma espécie de vespa de amarelo e preto que faz "casa-fonfon" de "papa-lama" pelos cantos dos quartos e debaixo dos móveis das nossas casas. Voltarei a este insecto daqui a pouco. Porque me lembrei então de falar dele? Eis a razão:
Estive hoje a arrumar as velharias que guardo e deparei com a caixa de insectos da minha colecção (a que apresento nesta figura de 1972) em deplorável condição: o tempo (36 anos) desfez a maior parte dos insectos. De imediato resolvi fotografar o que da caixa restava: vejam a figura anexa. Reparei então no insecto ao lado esquerdo da borboleta e lembrei-me do bicho e da data de sua classificação científica: Agosto de 1758 por Lineu. Trata-se do Sceliphron spirifex Linnaeus 1758. Vale a pena comemorar estes 250 anos e partilhar convosco a efeméride e os pormenores que se seguem:
A mulher-a-dias (sampadjuda do Fogo com a proverbial mania do "cau limpo e fréscu") que vinha limpar-nos a casa todos os Sábados, Lia Baptista de Sousa de seu nome, fartava-se de barafustar contra os fonfons que lhe tornavam a tarefa mais difícil, tal a sujeira deixada pelos ninhos de barro que aqui e ali implantavam. Olhava-me de soslaio quando lhe implorava para não destruir, pelo menos um desses ninhos, pois queria eu observar o evoluir da construção. De facto era algo maravilhoso seguir o trabalho destas vespas solitárias:
Em seguida, o nosso fonfon carrega a bola de lama até ao sítio onde pretende construir o ninho e começa a trabalhar essa bola em anéis que irão formar células oblongas. Enquanto faz este trabalho emite um som típico: fon-fon-fon-foooon-fon, donde o nome onomatopaico que lhe deram aqui em Santiago. No Fogo "fonfon" é uma outra vespa e o nosso querido Sceliphron spirifex é em São Nicolau conhecido por "bananinha séca". NB: no Fogo o Sceliphron spirifex é conhecido por "custon fagássa".
Á medida que o fonfon termina uma célula, deposita dentro um ovo e vai à caça de aranhas saltitonas (os "cachorrinhos-lau-lau" por exemplo) e outras pequenas aranhas que caça sem piedade. Enche as células dessas aranhas vivas, mas por ele paralisadas (comida para o filhote) e tapa com lama.
Começa então a construção de uma nova célula. As células se empilham umas em cima das outras formando a tal casa fonfon que bem conhecemos. Como faz uma célula de cada vez, vai à caça e começa uma nova célula, muitas vezes não encontra a lama no mesmo sítio e a casa (ninho) tem várias cores (fazem-me lembrar algumas construções aqui do burgo).
Se quebrarmos uma destas casas, encontraremos células com as tais aranhas e com larvas de fonfon em diferentes estádios de metamorfose. É muito engraçado observar a reacção do fonfon quando regressa e encontra o ninho danificado: faz um ruído "fonfónico" estridente (como quem manda à pqp) e esvoaça desairado à procura do vândalo (é observar de longe, não vá a vespa ferrar o observador; mas o bicho não é agressivo). E depois se estranha que um insecto tenha... sentimentos!
Há uma outra espécie de fonfon em Cabo Verde que em vez de aranhas caça lagartas. Estes fonfons, são negros de antenas laranja e também fazem ninhos de barro. Esses ninhos são redondos (mais parecem igloos esquimós) e eles os dispõem uns ao lado dos outros.
Sem esquecer de mencionar os aspectos ecológicos das vespas, como os da luta integrada contra as pragas agrícolas, termino, remetendo-vos para uma página francesa com belas fotos do fonfon, que eles chamam de pélopée tourneur. Vejam mais fotos deste himenóptero: fonfon, vespa-oleira (em Portugal) ou também guêpe maçonne: .
Terminaram, as fantásticas olimpíadas de Pequim 2008. Poucas palavras encontraria para exprimir a grandiosidade deste evento. Aliás para quê, se todos estamos ao corrente disto, pois é a actualidade e as tecnologias da informação e da comunicação não nos poderiam deixar na penumbra. Os jornais encarregar-se-ão de falar de Nelson Évora, de Michael Phelps e de Ussein Bolt; não deixarão em branco as 51 medalhas de ouro da China, os recordes batidos e o esplendor havido.
No que me diz respeito, apetece-me falar das primeiras olimpíadas que despertaram a minha atenção, as de Munique em 1972. Tinha eu quase 15 anos e os conhecimentos que adquirira sobre os Jogos Olímpicos, a classe especial de ginástica do Liceu Adriano Moreira, dirigida por Carlinhos Ribeiro (da qual faziam parte meu irmão Vavuca e Sidónio Monteiro) e o lindo selo editado pelos CTT (ver o envelope do 1º dia em cima), foram o bastante para que me interessasse com entusiasmo por estes jogos. Já entendia o suficiente de política mundial para ficar chocado com os atentados terroristas ocorridos nestes jogos. Mas o choque fora largamente atenuado pela emoção das notícias dos recordes batidos e da proeza de Mark Spitz ao ganhar 7 medalhas de ouro (superada agora por Phelps). Não tínhamos televisão e consolávamos com a rádio.
As olimpíadas seguintes, as de Montreal em 1976, apanharam-me em França e lá pude seguir alguma coisa pela televisão. Jogos olímpicos fracassados (boicote pelas nações africanas, mais de 2 biliões de US dólares de prejuízo financeiro, Canadá, o país anfitrião, não ganhou uma medalha sequer, a tocha acesa por um sofisticado aparato electrónico extinguiu-se com uma forte chuvada) tiveram porém como grande vedeta a romena Nadia Elena Comăneci, que foi a primeira a ter uma nota de dez num evento olímpico de ginástica artística.
Porém, nas férias de 1980, já licenciado em Química, pude assistir pela TV a cores, em Cabo Verde, no conforto da casa de meus pais, à célebre cerimónia de encerramento das Olimpíadas de Moscovo. Célebre pelo mascote Misha, cuja imagem a derramar uma lágrima fruto de placas movidas por participantes nas arquibancadas do estádio, foi inesquecível. Com a liderança dos Estados Unidos, estes jogos foram também boicotados, desta vez por 69 países, incluindo a Alemanha Ocidental, o Canadá e o Japão. Cabo Verde porém, seguiu e aplaudiu com emoção estes jogos camaradas, e até fez emitir uma lindíssima série filatélica em comemoração; vejam os envelopes do primeiro dia, da minha colecção, que vos apresento à guisa de despedida:
Algumas pessoas me perguntaram se pretendia valorizar também os "homens bonitos" da árvore genealógica. Respondi sempre que não saberia como apreciar esse "grau de boniteza" e que poucas fotos tinha. Porém, comecei um exercício de separar todas as fotos antigas, de homens que me pareciam semelhantes a galãs de cinema e constatei, surpreso, que as podia inserir em quatro grupos:
Dois dos grupos eram de descendentes, respectivamente, de duas irmãs, bisavós minhas do lado materno
Um outro grupo era de descendentes dos Reis de Sousa pelo meu lado paterno.
Um quarto grupo continha alguns afastadíssimos parentes e maridos de parentes (casos isolados)
Escolhi para hoje, os Lisboa Santos que descendem do meu bisavô José António dos SANTOS e da minha bisavó Maria de Jesus Barbosa REZENDE (ver foto à esquerda), pois os da outra bisavó obtiveram a "boniteza" pelo lado do primeiro marido, aquele que não é meu bisavô. Escusado será dizer (visto as bisavós serem irmãs) que a "boniteza" destes que hoje vos apresento, proveio do meu bisavô José António dos SANTOS, o primeiro filho do casal que juntou LISBOA a SANTOS: Áurea Maria LISBOA e António Manuel dos SANTOS. Irão reparar, nas fotos a seguir apresentadas, os olhos grandes e pestanudos dos LISBOA e a grande testa dos SANTOS.
Vou apresentar agora oito gentlemen, quatro são filhos do casal da foto e quatro são os respectivos filhos primogénitos (netos do casal). Saberão dizer quem é o respectivo pai? Basta com o rato fazer passar o cursor sobre a foto e esperar que se abra uma janela (ou então fazer clique na foto). Se seguir o link do "Quem sou?", irá para a página do indivíduo na da árvore genealógica.
Tive esta semana o ensejo de receber em minha casa dois dos maiores genealogistas da Macaronésia: Jorge Forjaz e João Nobre de Oliveira.
Começo por vos falar de Jorge Forjaz, um historiador da ilha Terceira, várias vezes premiado pelas suas obras genealógicas. Este genealogista, publicou em co-autoria com António Ornelas Mendes, nada mais nada menos, do que 8.000 páginas de Genealogias da Ilha Terceiradistribuídas por 9 volumes (ocupando mais de um metro de prateleira). Se seguir o link anterior, conhecerá um pouco mais da Genealogia e dos autores dessa grandiosa obra.
Este cientista é ainda autor de muitas outras obras genealógicas como por exemplo:
Forjaz esteve agora em Cabo Verde a fazer pesquisa genealógica com vista a nos surpreender um dia com mais uma obra digna da sua reputação.
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Contudo, nada como um cabo-verdiano para nos brindar com uma Genealogia das Famílias Cabo-verdianas. Este ilustre hesperitano é o Dr. João Nobre de Oliveira que, triunfalmente anunciou ter entregue o seu manuscrito no passado dia 31 de Julho. A sua obra terá também vários volumes e cobre mais de 200 famílias conhecidas em Cabo Verde. Oliveira esteve há dias comigo, e tive o privilégio de ter tido um cheirinho de sua obra nos ecrãs de meus computadores. É algo que vai ser notado e notório, à altura das grandes obras do género e da História de Cabo Verde. Eis o que Oliveira diz no seu fotolog:
Terminei
Terminei a minha maratona genealógica! Entreguei o manuscrito ao editor. Espero que tudo corra bem e possa ter cá fora as Famílias Cabo-Verdianas (Genealogia Hesperitana), antes do Natal. Vamos ver. E aproveito para pedir fotografias, principalmente de gente antiga, como algumas das que já apareceram neste fotolog. Como têm o meu mail enviem-nas legendadas em formato digital. Não é certo que inclua as fotos mas é melhor estar preparado. Quanto a foto acima, o Director dos Serviços de Educação, Dr. Sou Chio Fai, foi uma das personalidades convidadas para transportar a tocha na sua passagem por Macau. E ele ofereceu a tocha a Educação (cada atleta ficou com a tocha que transportou, só a chama é que ia passando de tocha em tocha). Todos os funcionários puderam tirar uma foto com ela.
Nunca visitei esse "punho" mas admiro e prezo muito o selo cabo-verdiano comemorativo do 20º aniversário do Massacre de Pidjiguiti. O envelope do primeiro dia ainda é mais vibrante. Apreciem-no!
Mas ... já ninguém neste país (ou quase) se lembra da importância que a este dia (3 de Agosto) lhe davam os dirigentes do PAIGC aqui em Cabo Verde. Era até feriado nacional. Não sou o único a manifestar esta estranheza, vejam o que Miguel Barbosa apregoava há já um ano no seu blog Ziquizira:
"Lembro-me de que na escola primária tínhamos um texto alusivo a essa data e de quão importante era para a Historia de nosso país. Hoje em dia ninguém mais fala no Massacre de Pidjiguiti, nem sequer nosso partido africano que a toda a hora nos tenta convencer de que nos é credor da independência, no que parece ser mais uma tentativa (Camarada Estaline está entre nós!) de reescrever a História."
Ao que parece, os estivadores do porto de Pidjiguiti eram explorados e reivindicavam melhores salários das várias companhias exportadoras que precisavam de seus serviços. Vejamos um extracto do texto intitulado:
"...Acordo estabelecido, as várias firmas comerciais começaram a pagar aos marinheiros o novo salário. Porém, a Casa Gouveia não procedeu ao aumento e continuou a pagar pela tabela do ano anterior. Passaram-se meses e os marinheiros questionavam o gerente - na altura o ex-funcionário do quadro administrativo Intendente Carreira - sem resultados e até com uma certa sobranceria, tique que lhe deve ter ficado dos tempos de funcionário administrativo. Com o descontentamento a aumentar e ânimos cada vez mais exaltados se chegou à tristemente célebre tarde de 3 de Agosto de 1959."
Carreira era nada mais nada menos que o conhecido e incontornável investigador cabo-verdiano António Carreira. É engraçado como a casmurrice deste valoroso cabo-verdiano deu origem à morte de 50 estivadores (segundo o PAIGC) e que muitos escamoteiam este facto infeliz na vida do conhecido historiador. Não foi ele que deu a ordem de matar, vejam mais esta parte da narrativa de Mário Dias:
"Entretanto, o comandante militar, tenente-coronel Filipe Rodrigues, chegado ao local inteirou-se da situação e, ao ver aquele grupo armado de remos, paus, etc. a marchar agressivamente em direcção à Casa Gouveia, deu ordens aos polícias para dispararem por ser a única forma de os deter."
Este texto do "furriel dos comandos Mário Dias, [que] foi um dos homens que esteve presente, quando o exército interveio em Pidjiguiti, e o seu testemunho é extremamente elucidativo, pois permite perceber o papel do exército neste drama, e filtrar a verdade dos acontecimentos", dá a visão de um português que mostra ter o PAIGC se aproveitado do facto para tirar dividendos políticos:
"O PAIGC aproveitou-se inteligentemente deste movimento, como sempre fez - o que só nos merece admiração - para conquistar mais uns tantos seguidores."
Não obstante as opiniões, o que é certo é que o dito massacre (politicamente aproveitado ou não) foi o ponto crucial da reviravolta da história em direcção à independência da Guiné e de Cabo Verde. Poderão disso se aperceber no clip de vídeo encontrado aqui e cujos 90 primeiros segundos se seguem:
É com muito orgulho e nostalgia à mistura, que evoco os bons velhos tempos de estudante da Universidade do Arizona.
De 1986 a 1990 estive em Tucson, a segunda maior cidade do Arizona, a fazer o Doutoramento em Ciências do Solo e da Água. Após um ano longe da família, mandei buscar minha mulher e meu filho Marcos (com 3 anos de idade). O ambiente era muito bom, porque a malta estudantil cabo-verdiana era razoável e nos dávamos muito bem. O custo de vida nessa cidade era muito mais baixo do que nas demais cidades onde havia estudantes cabo-verdianos, pelo que vivíamos muito bem. Eu, minha mulher e filho morávamos num condomínio fechado com todas as mordomias , incluindo piscina e ginásio.
A malta cabo-verdiana dava-se bem com outros estudantes africanos e tínhamos também amigos mexicanos. Não faltavam pretextos para organizar pequenas festas onde nos divertiamos bastante. Os aniversários eram bons pretextos, bem como os momentos natalícios. Faltava a tradição do Carnaval, pelo que éramos obrigados a seguir a festa do Halloween (Dia das Bruxas.)
Deixar-vos-ei agora com um pequeno clip de um dos momentos passados há já uns bons 18 anos:
Receita muito antiga, bolo preferido de minha mãe, que o fazia de vez em quando, agora recuperada e melhorada por Garda (minha mulher).
Porque se chamaria "Panamá"? Não se esqueçam que esse país é produtor de cacau (aliás os efeitos terapêuticos do cacau, foram primeiramente observados em índios panamenhos) e muitas receitas panamenhas usam o cacau directamente retirado das sementes do fruto, acabadinhas de torrar!
Antes de irmos para a receita, devo-vos dizer que é um bolo (a torta não foi enrolada mas acamada como um bolo) extraordinário, digno "de se tirar o chapéu". Esta expressão idiomática ser-vos-á convenientemente explicada após um clique na frase. Porém, o chapéu a tirar, não seria bem o do Panamá: clique em "Chapéu do Panamá" para conhecer a história desse famoso chapéu.
Torta Panamá melhorada por Garda
150g de açúcar
6 ovos
2 colheres e meia (de sopa) de chocolate
150g de nozes moídas
Batem-se seis gemas com 150g de açúcar, até se obter uma consistência de pão-de-ló. Depois de bem batida, juntam-se as 2 colheres e meia (das de sopa) de chocolate (de preferência ralado a partir de chocolate em barra), 150g de nozes moídas e por último, as seis claras batidas em castelo (bem firmes) mexendo lentamente (este é um dos segredos). Verter a massa num tabuleiro levemente untado e enfarinhado rectangular e levar ao forno (pré-aquecido) durante 30 minutos. Depois de assado, em vez de o enrolar como uma torta, cortar ao meio (de modo a ter quase dois quadrados) e empilhar as duas partes em sanduíche com um recheio chocolatado (que servirá também de cobertura.
Recheio:
Batem-se 150g de açúcar e 150g de boa manteiga, até ficar em creme fino. Juntam-se 2 gemas, 3 colheres de sopa de chocolate (em pó ou ralado) e, por último, 1 clara em castelo. Recheia-se e cobre-se com o resto. Decora-se com meias-nozes a gosto.
Estava eu calmamente deitado a olhar para o tecto do meu quarto e a imaginar o que iria partilhar com meus leitores neste blog ("quem me dera ter a capacidade do meu amigo João Branco do Café Margoso", cogitava), quando, por coincidência, senti um aromático odor a café, que teimava a acompanhar a brisa que pela porta de meu quarto entrava. Dei um salto, qual Arquimedes e seu Eureka! e de CiberShot em riste fui à varanda (sobranceira ao quintal) captar as imagens das quais a cena ao lado é elucidativa ilustração: "A empregada Lena torra o café do Fogo acompanhada pelo caniche Dan's".
Regressei ao meu leito inspirativo, liguei o tablet PC que poisei sobre minha barriga, conectei-me à Internet sem fios da Praia-Digital (ex internet do Filú) e comecei a pesquisar um pouco sobre esta minha paixão... o café. Entretanto, visitei o Café Margoso e depois o Mário Persona Café, dois cafés da blogosfera que sobre a preciosa bebida pouco falam, mas que do nome se servem para nos deleitar com aromáticas crónicas e as mais diversas originalidades. Reparei então, que tal como a maior parte dos bloguistas cabo-verdianos, eu só tinha neste blog, links para blogs CV. Tratei logo de fazer justiça ao Mário, colocando um link para o seu Persona Café brasileiro, que há dois anos me entretém com suas saborosas crónicas sarcásticas mas geniais sobre os mais diversos assuntos. O Café de Mário serve-lhe de pretexto para nos presentear no fim de suas crónicas com a resenha de um livro cujo teor está intimamente ligado ao objecto da crónica escrita. Chamarei a este Café o Café Dóxi, para contrapor ao Margoso de João. Embora diferentes estes dois sites têm muito em comum, pelo menos o talento de seus escribas. Coloco na parte final da faixa lateral deste Blog, um feed que absorve a crónica mais recente de Mário.
Passemos agora ao precioso líquido. João Branco, no entróito de seu Café, mostra apreciá-lo sem açúcar. Porém, o café é apreciado das mais diversas maneiras e consoante as culturas e gostos. Minha avó paterna (do Fogo) não lhe punha muito açúcar e bebia-o fumegante; minha avó materna misturava-o com chicória e bebia-o com leite. Minha sogra, introduz mais de cinco colheres-de-chá de açúcar para que possa raspar no fim a "papa doce e melada aromatizada a café".
Os Lisboetas preferem beber um expresso com açúcar: a famosa bica. Há quem diga que bica é o acrónimo de Beba Isso Com Açúcar, slogan inventado pelo café lisboeta A Brasileira, que inicialmente mal vendia o amargo cafèzinho.
Gosto de dar uma de minha graça contando coisas sobre o café. Porém, hoje só darei algumas dicas e factos comprovados sobre o aroma e o gosto desta bebida:
O aroma e o gosto do café, nada têm a ver com a cafeína. As diferentes substâncias que compõem esse gosto, formam-se durante o processo de torrefacção. São no entanto muito frágeis, sensíveis ao excesso de temperatura e voláteis.
Devemos então fornecer bastante oxigénio ao torrar o café. Por isso deve-se mexer constantemente os grãos durante o processo, para que eles estejam sempre em contacto com o ar e não aqueçam em demasia. Vejam o vídeo que se segue:
Oups! Creio que Lena, a empregada, deixou queimar demais o café! Não deve ficar ele preto, mas sim castanho escuro. É que o excesso de calor provoca outras reacções dos citados compostos, que se transformam em outros de gosto amargo. Estas reacções de melanização, ocorrem acima dos 96-97º centígrados (à pressão atmosférica normal).
Convém arrefecer rapidamente os grãos após o término da torrefacção, pois não só teríamos degradação (devido à alta temperatura) como os saborosos aromas voláteis se perderiam no ar. Truque: deitar dentro um líquido frio; mas... água não! Dita-se um cálice de whisky; este tem álcool, evapora-se depressa e o gosto que deixa confunde-se com o amargo do café.
Por agora é tudo meus caros, termino com um dito crioulo:
Alen li: sima café di pobri, ora dóxi... ora margós!
Coincidência ou não, é após 33 anos como país independente, que a jovem República de Cabo Verde está a iniciar, qual Cristo, a sua Ressurreição [em latim (resurrectione), grego (a·ná·sta·sis). Significa literalmente "levantar; erguer"]: Parceria especial com a União Europeia, Graduação a País de Desenvolvimento Médio, entrada na Organização Mundial do Comércio (efectiva no dia 23 de Julho) e um Processo Eleitoral para as autárquicas, sem mácula, com baixa taxa de abstenções e resultados inequívocos.
Porém, 33 anos me deixam pensar que estou a ficar velho, pois nesse tempo, já era eu um jovem com o ensino secundário feito. Lembro-me perfeitamente desse dia, o 5 de Julho de 1975, bem como da cerimónia da proclamação da Independência que se desenrolou no Campo de Futebol da Várzea (hoje Estádio).
Um dia soalheiro (ver também a crónica de Jorge Eurico, colunista do Notícias Lusófonas, aqui), lá estávamos nós, sentados ou de pé nas bancadas de cimento, à espera do início das cerimónias. Estas, começaram com o já proverbial atraso cabo-verdiano. O campo foi se enchendo de tropa e as orlas, de jornalistas e câmara-men. Na tribuna viam-se aqueles "qui bâi qui torna ben", os combatentes da Pátria (vejam a foto anexa a este parágrafo) Pedro Pires (seria o Primeiro-Ministro) Abílio Duarte (o Presidente da Assembleia Popular) e Aristides Pereira (o Presidente da República). Ao lado estava o então Primeiro-Ministro português, General Vasco Gonçalves.
Não havia vento. Chegou o momento da troca das bandeiras. Sob o hino português, lá desceu tranquilamente a bandeira das quinas. Poucos minutos depois o jovem militar Roberto Fernandes, enfiava os cordões na bandeira de Cabo Verde (aquela que nos foi dada a conhecer na véspera e que era quase a bandeira da Guiné-Bissau; a diferença residia em duas espigas de milho que, à guisa dosbigodes de Eça, amparavam a estrela negra e conferiam assim à bandeira, a sua identidade própria). Talvez por nervosismo, a tarefa não parecia fácil e após alguns minutos, lá conseguiu ele, o feito. Começa então, ao som do hino comumao da Guiné-Bissau, a erguer-se lentamente a 1ª bandeira de Cabo Verde. Nisto, se levanta uma boa ventania e muitos exclamavam as mais disparatadas razões para a tal coincidência atmosférica.
Lá fui eu tirando fotos (as desta página por exemplo) dos momentos que achava relevantes e escutava com atenção os inflamados discursos dos dirigentes, guias que detinham a força e a luz do nosso Povo. Estes discursos e estas comemorações tornaram-se prática a cada aniversário da independência que se sucedeu nos cinco anos subsequentes. São também ocasiões para fazer lançamentos de selos e moedas comemorativas. Eu, como coleccionador que era, não pude deixar de adquirir tão preciosas peças:
Selos Envelope do Primeiro Dia de Circulação para o Primeiro aniversário da Independência de Cabo Verde A imagem no selo merece que se oiça a música que se segue:
Envelope do Primeiro Dia de Circulação para o Quinto aniversário da Independência de Cabo Verde
Em filatelia o envelope e o carimbo do Primeiro Dia de Circulação, conhecido pela sigla inglesa FDC, reveste-se de particular importância para o coleccionador. Vejam aqui um dos artigos interessantes a esse respeito.
À semelhança dos FDC, em numismática são lançadas moedas comemorativas. Estas, geralmente em ouro ou em prata, são cunhadas em quantidades diminutas. As poucas que eventualmente venham a circular, são imediatamente recolhidas pelos coleccionadores amadores, fazendo assim aumentar o seu valor de venda numismática. Os coleccionadores mais entendidos, compram-nas à flor de cunho, directamente ao Banco emissor. Eis então a que adquiri nessa altura:
Moeda Moeda em prata, comemorativa do Primeiro aniversário da Independência Nacional
Professor Catedrático e Reitor da Universidade Jean Piaget de Cabo Verde (entre 2006 e 2014) . Doutor (Ph.D.) pela Universidade do Arizona - EUA.
Investigação em Transdisciplinaridade e em Didactica da Química em meio sócio cultural cabo-verdiano./////////// Chair Professor and Rector (2006-2014) at University Jean Piaget of Cape Verde. Ph.D. by the University of Arizona - USA. Research in Transdisciplinarity and Didactic of Chemistry in a cape-verdian socio-cultural environment