domingo, 19 de abril de 2009

Santidade, Beleza, Charme e Sensualidade



<<<1917 >>><<< 1928 >>><<<1954 >>><<<1957 >>><<<1999>>>

Parecem-vos "santas" estas mulheres? Quem são? Que têm elas em comum?

Tirando a palavra "santidade", o resto do título deste artigo poderia perfeitamente ser a resposta do que elas poderiam ter em comum. Mas a realidade é que todas são actrizes de cinema (clicar nas fotos) e todas personificaram em filmes diferentes (clicar nas datas sob as fotos) a mesma santa: Joana d'Arc cuja beatificação ocorreu precisamente há cem anos, no dia 19 de Abril de 1909.

Uma semana após a Santa Páscoa, eis que me surge este dia de 19 de Abril, com poderosas efemérides de Santidade:

Joseph Ratzinger foi eleito pelo conclave, no dia 19 de Abril de 2005, como o actual Santo Papa Bento XVI.

Foi eleito como o 266º Papa com a idade de 78 anos e três dias
(Wikipédia)

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Roberto Carlos Braga, "o Rei" nascido em 19 de Abril de 1941 em Cachoeiro de Itapemirim, no Estado do Espírito Santo, Brasil, completou 68 anos (Wikipédia).


Mas, a efeméride dos 100 anos da beatificação de Jeane d'Arc, mereceu da minha parte mais atenção. pois lembro-me de, em criança, ter visto um dos filmes que retratava a vida de Joana d'Arc, e impressionou-me bastante o fim que ela teve ao ser queimada viva, por ordem da Igreja. Eis um resumo do filme:

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Resolvi reavivar meus conhecimentos sobre a matéria, usando desta vez o veículo da Internet e muitas interrogações surgiram-me com o que vi:
  • Deveria uma mulher que se passara por homem nesse tempo ter uma cara e uma silhueta de mulher?
  • Porque foram escolhidas actrizes de fisionomias femininas (e não só!) para o papel?
  • Seria Joana d'Arc uma mulher atraente?
  • O que é a atracção?
Estas perguntas me levaram a consolidar uma teoria que há muito me ronda de que a atracção feminina assenta em três pilares (o da beleza, o do charme e o da sensualidade), ora equilibrados, ora sendo um deles preponderante, ora sendo deficiente.

Muitas máximas e pensamentos de notáveis personagens, estabelecem este relacionamento que se quer equilibrado.

Beleza
"Não serve para nada ser-se jovem sem beleza, nem bela sem juventude"

Charme
"É uma espécie de encanto numa mulher. Se tem charme, não precisa de mais nada; se não o tem, tudo o resto não serve para muita coisa"


Sensualidade
"Não existe antídoto mais poderoso contra a baixa sensualidade do que a adoração da beleza"


Terminemos este artigo com fotos BCS (Beleza, Charme e Sensualidade) de mais uma aniversariante do 19 de Abril, a tenista russa:


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domingo, 12 de abril de 2009

Páscoa, chocolates, cunicultura e Bunny

Ovos de chocolate e coelhinhos da Páscoa não faltaram hoje na minha mesa. Curioso, que no tempo da minha infância , não havia esta tradição na minha casa! Como morava, e moro, junto à "igreja matriz", a procissão à volta da praça Alexandre Albuquerque, era o prato do dia. O Bispo de então, circulava ladeado de padres, que iam balanceando os aparatos lançadores de incenso e de água benta. As janelas das casas circundantes, sobretudo as com varandas, como a nossa, eram ornadas com coloridas colchas, de brilho acetinado. Lá ficávamos à espera de, após a procissão, virem padres à nossa casa ,para a bênção pascoal. Aquilo tudo me parecia fascinante, ao mesmo tempo que fastidioso .

Hoje, as coisas mudaram e enquanto trincava a casca do ovo, ou melhor, o chocolate quebradiço e côncavo, não pude deixar de me interrogar sobre o porquê dos ovos e do coelho, numa festa assaz religiosa.

Encontrei várias tentativas de explicação pela Internet fora e apanho uma ao acaso, que transcrevo:

Ressurreição de Cristo – coelho simboliza vida em abundância

Na Antiguidade, os povos escolheram a lua para determinar a data da Páscoa. Como o coelho era tido como um símbolo da lua, passou também a ser considerado um símbolo da Páscoa.

Os coelhos são mamíferos, roedores, que se reproduzem de forma rápida, tendo grande fertilidade. O seu período de gestação não passa de quarenta dias, tornando-se símbolo da preservação da espécie.

Para os cristãos, a Páscoa é marcada pela ressurreição de Cristo, pelo Seu renascimento, pelo surgimento de uma vida nova. Além disso, a sexta-feira santa é a data assinalada pelo seu sofrimento, pela sua crucificação.

Existem algumas curiosidades sobre a história do coelho da páscoa. Na Alemanha, as crianças esperam ovos dos coelhos. As crianças tchecas confiam que os presentes são ofertados por uma cotovia (ave campestre). Na Suíça, são os cucos que levam os ovos de presente e, no Brasil, a tradição do coelho, que veio no final do século XIX.

Outra história põe sentido à tradição do coelho representar um símbolo da páscoa, uma vez que este simboliza a igreja. A igreja tem a missão fecunda de propagar os ensinamentos cristãos, a palavra de Deus, para todos os povos; sem distinção, ou seja, aumentar a quantidade de discípulos da mesma. Assim, uma grande quantidade de pessoas é representada pela fertilidade do coelho.

Há uma lenda que marca a história do coelho da Páscoa. Conta a mesma que uma mulher pobre, que não tinha como presentear seus filhos no domingo de Páscoa, cozinhou alguns ovos de galinha e os pintou. Ela teve a ideia de colocá-los dentro de um ninho e escondê-los no quintal da casa, entre as plantas. Quando as crianças encontraram os ovos, um coelho apareceu por perto e fugiu; as crianças acreditaram que o mesmo havia colocado os ovos para elas, assim a história se propagou.

[texto copiado daqui]

E senti então saudades da Bunny, a nossa coelhinha branca de estimação, que faleceu de velhice há dois meses atrás. O animal fazia o deleite dos meus filhos mais novos ... e meu também!
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Bunny andava à vontade no nosso quintal com os demais mamíferos que por ali circulavam. Quando eu era criança, a minha avó Candinha criava coelhos (cunicultura) no quintal e às vezes escapuliam do local que lhes era reservado indo para o alçapão. Um belo dia a Dona Candinha foi ao alçapão e meteu o pé num dos buracos que os lagomorfos fizeram, tendo apanhado um belo entorse! ... Na semana seguinte, já não havia mais coelhos na nossa casa!

Porém, deixaram-me boas recordações esses bichinhos. Observava-os a comer folhas de couve e me impressionavam os característicos movimentos de suas bochechas quando mastigavam as folhas. Captei a Bunny na minha câmara do telemóvel a comer folhas de repolho. Vejam-na:
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De facto, os movimentos circulatórios das bochechas destes animais quando mastigam, impressionavam-me quando era miúdo. Tinha os meus seis anos, quando após observar fixamente minha tia Filó a mastigar, resolvi exclamar alto e em bom som:

"Lolóoo ... come como quelho!"

Noutra ocasião, falar-vos-ei de cunicultura, a ciência e a arte de cuidar de coelhos. Fiquem bem!


domingo, 5 de abril de 2009

Roxos passos do Senhor dos Passos

Todos os anos quando, como hoje, é Domingo de Ramos, lembro-me do "martírio" que era obrigado a consentir quando de tenra idade (dos 4 aos 8 anos) era levado pela minha mãe a calcorrear, entre vultos enormes (os adultos), as ruas da cidade durante a "procissão do Senhor dos Passos". Aquilo era um autêntico suplício para mim; pior era aquela interminável lengalenga dos padres durante a missa, em frente da capela de Santa Isabel, no Hospital da Praia. Ficava eu de pé entre os adultos, ouvindo os padres sem os ver e sem poder falar ou brincar. Ao fim da procissão meus pés ficavam doridos, talvez tão roxos quanto a velha túnica do Senhor dos Passos!

Qual a razão disso? Ei-la: minha mãe tinha perdido sua primeira filha durante o parto; durante a gravidez do segundo filho (Eu) o médico dera-lhe poucas esperanças; então ela fez uma promessa ao Senhor dos Passos, que, se tudo desse certo, passaria a ir todos os anos no Domingo de Ramos, às procissões e levar-me-ia consigo para que eu participasse nesse "agradecimento a Deus". Ao me lembrar disso, não posso deixar de pensar na frase que um amigo meu muçulmano proferiu em Nice, quando eu lá estudava: "os católicos fazem negócios com Deus!".

Mas a procissão do Senhor dos Passos era algo de espectacular. Na realidade essa procissão é chamada com mais propriedade de "Procissão do Encontro". Melhor ainda: a Procissão do Encontro de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Em muitas regiões interiores do Brasil esta procissão se desenrola na 4ª-feira da Semana Santa. Aqui na Praia fazia-se no Domingo de Ramos. Eis uma descrição do evento:

Os fiéis (maioritariamente masculinos) saíam da Igreja de Nossa Srª da Graça, junto à Praça onde eu moro, com a imagem do Senhor dos Passos e as mulheres esperavam na Capela de Santa Isabel, no Hospital da Praia, donde iria sair a imagem de Nossa Senhora das Dores. Acontecia então o emocionante encontro entre a Mãe e o Filho. O padre, então, começava a missa, e a um dado momento proferia o célebre Sermão das Sete Palavras de Jesus Cristo na Cruz:

1. Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. (Lc 23,34 a);
2. Hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23,43);
3. Mulher eis aí o teu filho, filho eis aí a tua mãe. (Jo 19,26-27);
4. Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?! (Mc 15,34);
5. Tenho sede. (Jo 19,28 b);
6. Tudo está consumado. (Jo 19,30 a);
7. Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. (Lc 23,46 b).

É uma pena que na nossa cidade da Praia, já não se façam procissões na Semana Santa como as que se faziam há 40 anos atrás. A da 6ª-feira Santa, ou a do "Enterro do Senhor", era muito interessante. Ainda me lembro das velas que eram resguardadas por um invólucro de forma poliédrica em cartolina branca, (espécie de pirâmide de base quadrada, truncada e invertida), com janelinhas em forma de cruz, estrela ou coração, forradas com papel de celofane vermelho. Dizer que os tempos são outros e que a cidade cresceu, não pega, pois Lisboa ainda tem dessas procissões como podem constatar no clip que se segue:

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domingo, 29 de março de 2009

O Bud cabo-verdiano saúda Trinitá

Quem se lembra de Trinitá? ... Pois é, o célebre cowboy das comédias italianas, personificado pelo actor Terence Hill (nome artístico) que contracenava com Bud Spencer, o mal humorado, anafado e barbudo companheiro de aventuras. Porque me lembrei então dessa dupla? É que nas minhas buscas de efemérides, deparei com o facto de Terence Hill (aliás Mário José Girotti) fazer hoje, 29 de Março de 2009, a bonita idade de 70 anos. Podem ver ao lado que o mesmo ainda está bem conservado.

Mas, a razão deste artigo prende-se mais uma vez com as coicidências de data (já proverbiais) de acontecimentos que me impressionaram ou de que fiz parte:
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Na tarde do dia 29 de Março de 1986, levei minha família a visitar meus pais, pois era um Sábado de Aleluia. Nessa altura ainda só tinha um filho, o Marcos Miguel, que a poucos dias de completar dois anos e seis meses, era já muito atento e expressivo. Usava eu uma copiosa barba (ainda escura) e parecia um foragido.

Sentámo-nos a ver televisão (um dos canais satélite que meu velho captava) e passava um filme da supracitada dupla, precisamente Altrimenti ci arrabbiamo! (1974), de Marcello Fondato (A Dupla Explosiva). Nisto, aparece a figura de Bud Spencer e Marcos exclama: "Olha o papáaa!"

Deixo-vos agora com uma das partes (8 de 10) mais castiças deste filme:

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Podem ver todas as partes deste filme aqui!

domingo, 22 de março de 2009

Os Beatles, meu vizinho Tadeu ... e muita água

Com "dôs águ na corpo" meu vizinho SANA sobe as escadas da entrada de minha casa a cantarolar uma ária dos Beatles. Vinha trazer-me uma prenda que, segundo ele, fizera vir dos Estados Unidos, especialmente para mim. Agradeci a gentileza, perguntei-lhe pelo John Lennon e ... foi o suficiente para uma longa conversa que, poderia ser regada com água ardente. Porém, em louvor ao dia de hoje, o Dia Mundial da Água, (comemorado a 22 de Março desde 1992), a conversa foi apenas regada com a boa e fresca água de nascente.

Não se inquietem, que o Jonh Lennon a que me referi, está vivo, reside nos USA e é o filho deste meu vizinho, não se tratando do célebre membro da banda de Liverpool. SANA é louco pelos Beatles e pela música rock. Aliás foi graças a ele que tive a ideia de lançar este blog (ver o primeiro artigo aqui). SANA, é muito conhecido em Cabo Verde pela sua habilidade em animar festas, concertos e festivais com a sua música descontraída e com bastante rock & roll à mistura. Actualmente, fundou um duo musical intitulado "Sana Pépas & Julai" que, de acordo com seu auto-marketing, é o melhor conjunto da cidade da Praia.

Vejamos agora, porque meu vizinho, de nome Tadeu Monteiro Fontes, é mais conhecido por "Sana Pépas". A resposta só poderia estar na esfera da Beatlemania: Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, abreviado Sargent Pepper's , o álbum de vinil mais conhecido dos Beatles! A sonoridade britânica do nome foi rapidamente creolisada para Sana Pépas, o nome de que ele até se orgulha. Assim, eis então o nome oficial do conjunto de Tadeu Fontes: "Sana Peppers & July".

Fiquei curioso com esta referência e preferência. Fui então procurar no You Tube a seguinte composição ilustrativa do citado álbum:

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Como tenho uma propensão pelas coincidências "efeméricas", eis que hoje fazem precisamente 46 anos que o primeiro álbum de vinil dos Beatles foi lançado: Please, Please Me. A Capa foi algo inusitado, pois, "George Martin, que tinha encanto pelo Zoológico de Londres, pensou que seria uma boa publicidade para o mesmo se os Beatles posassem para a capa do álbum diante da casa de insectos do Zoo, mas a Sociedade Zoologica de London não permitiu que isso fosse feito. Decidiu-se então que a foto da capa fosse dos quatro integrantes em um balcão da escadaria da EMI. Esta foto tirada por Angus McBean foi usada posteriormente para a capa da colectânea The Beatles 1962-1966."

Para terminar este artigo, convido-vos a apreciar um clip dos Beatles a tocar a canção que deu o título ao álbum:

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domingo, 15 de março de 2009

Será púdica a Mimosa?

Desde criança que a frase "toma sima nau-mi-toques" me impressiona. Esta frase era pronunciada geralmente em resposta a uma atitude com contornos de susceptibilidade exacerbada. Claro que cedo soube se tratar de uma planta cujas folhas se fechavam ao mais ligeiro toque. Sempre quis conhecê-la mas por muitos anos nunca tive o ensejo.

No início dos anos noventa do século passado, chefiava o Departamento de Recursos Naturais do Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário e tinha a tutela do primeiro jardim botânico da República de Cabo Verde. Foi então que pela primeira vez me cruzei com essa dama que ostenta o nome científico de mimosa pudica. Porém, só ali estavam dois exemplares e mesmo assim escondidos do público, no viveiro do Jardim!

Dezanove anos depois, numa das minhas visitas ao Jardim Botânico, lembrei-me de perguntar pela "sensitiva", outro nome da "não-me-toques". E levaram-me ao viveiro onde pude perceber num periclitante vaso, uma mirrada planta que provou ser a dita cuja, após um toque que lhe fiz.

Não resisti em filmar a coitadinha com a câmara de meu telemóvel, não vá ficar sem poder ter uma recordação visível da mesma. Embora se possam encontrar outras filmagens de púdicas mimosas na Internet, é com muito gosto que coloquei a que fiz no YouTube e vo-la apresento aqui:

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domingo, 1 de março de 2009

Calhambeque ou Dona-Elvira?

Aquando da minha primeira viagem a Lisboa (tinha eu 4 anos) descobri deslumbrado as maravilhas de um mundo frenético e reluzente. Mal me esqueço da cornucópia em néon amarelo, que num dos prédios da avenida Almirante Reis se enchia progressivamente e entornava reluzentes moedas de oiro. Também os automóveis eram um motivo de deleite. Meu pai, tinha um alugado, no qual ia de casa à fábrica de telefones, em Cabo Ruivo, onde, a mando dos CTT de Cabo Verde, fazia um estágio. Um belo dia, chega ele furioso a casa, barafustando que tivera um choque de raspão com uma "dona-elvira" mas que o dono declarara à polícia danos manifestamente não causados por ele, meu pai. "De um dona-elvira queria fazer um Ferrari", praguejava meu progenitor, enquanto eu (já com 5 anos) me interrogava de que Srª Dona Elvira se tratava. Claro que acabei por saber que meu pai se referia a um automóvel antigo e velho. Mais tarde, de regresso a Cabo Verde, vim a ouvir a música de Roberto Carlos intitulada "O Calhambeque" que se tornou num grande sucesso. Eis um clip vídeo tirado do YouTube com a seguinte legenda:
Roberto Carlos actua ao vivo para a televisão Portuguesa RTP na década de 60 no programa "Canção é Espectáculo". Foi a primeira vez que o cantor actuou em Portugal, deixando as fãs também aqui em delírio. Um marco na carreira do cantor.

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Logo associei a designação dona-elvira a calhambeque e passei a gostar de ver essas espécies raras nas enciclopédias e livros que sempre gostava de devorar. Mais uma vez evoco a minha adorada colecção "Ver e Saber" da Editora Verbo, que no seu nº23 nos apresenta o título: "Os primeiros automóveis".

Embora nunca tivesse uma paixão por automóveis, soube sempre apreciar as peças raras que eram os automóveis antigos. Tinha a sorte de poder de vez-em-quando entrar numa garagem que, na Rua Serpa Pinto, ficava, no mesmo passeio, a algumas casas abaixo da casa onde morava. Nessa garagem (que faz a esquina do beco perpendicular à "Casa Felicidade") era guardado uma dona-elvira de cor esverdeada, com a matrícula CVS-11. Mas a viatura antiga mais bonita da capital era o célebre "Bu Mai", uma carripana azul de chapa CVS-7 que deambulava pelas ruas da cidade fazendo ruídos toscos e buzinando uns "aguga!" engraçados, para o deleite da criançada que corria, atrás do carismático veículo.

Porém, os termos carripana e calhambeque, não traduzem bem a realidade dos automóveis antigos de colecção, pois estes são preciosidades bem cuidadas e reluzentes. Antigo não é forçosamente velho. Vejamos o que diz o Ciberdúvidas para o termo dona-elvira que, esse sim, melhor caracteriza a situação:

Dona-elvira não é um sinónimo absoluto de carripana ou calhambeque.Carripana significa: «carruagem velha e de má qualidade»; «automóvel fora de moda». Calhambeque significa «barco pequeno e velho»; «automóvel velho e a funcionar mal»; «traste».Dona-elvira é um automóvel de modelo muito antigo, mas que poderá estar muito cuidado e a funcionar relativamente bem.Observe-se que, embora se encontre a forma «Dona Elvira», por exemplo, em G. Augusto Simões, Dicionário das Expressões Populares (Lisboa, Edições D. Quixote, 1994), a expressão já está perfeitamente integrada no léxico como palavra característica do português europeu. Assim se explica que a forma hifenizada dona-elvira, substantivo feminino, seja a que está registada em recursos lexicográficos mais recentes como o dicionário da Academia das Ciências de Lisboa (2001) e a Mordebe — Base de Dados Morfológica do Português (em linha desde 2005 e constantemente actualizada).

Não é que há dois dias, recebo no meu e-mail, uma magnífica imagem, gentilmente divulgada pelo meu primo Carlos Loff Fonseca, um aficionado e profissional da fotografia. Esta imagem é a de uma dona-elvira passeando nas ruas da cidade da Praia, nos anos áureos em que a mesma não era uma antiguidade!

Com a devida vénia reproduzo aqui a octogenária fotografia em questão:


Para melhor situar a época, da pesquisa de imagens que fiz na Internet, encontrei um modelo de 1929, que muito se assemelha ao da fotografia "praiense", um Ford A Phaeton - 1929 (Azul, Descapotável) e adiciono uma foto do mesmo local, a Praça Alexandre Albuquerque, tal qual ela se encontrava ontem, dia 28-2-2009.



domingo, 22 de fevereiro de 2009

Domingo Gordo de 2009 ou aniversários de notáveis "pais fundadores"?

No Domingo Gordo do ano passado, homenageei meus "cães carnavalescos". Este Domingo, acordo com o reboliço de meus filhos escuteiros que se preparavam para irem a São Domingos, participar numa actividade escutista. "Mau dia escolheram", ripostei eu; "Não, papá... é que hoje é o dia do aniversário de Baden Powell, o pai do Escutismo!" contrapôs meu filho Mauro (à direita na foto), que parecia muito entusiasmado com a ideia de ir passar o dia em São Domingos. Não sabia eu que este meu descendente fosse tão aficionado de:

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Robert Stephenson Smyth Baden-Powell (Londres, 22 de Fevereiro de 1857 — Quénia. 8 de Janeiro de 1941) foi um tenente-general do Exército Britânico, fundador do escutismo. Engraçado é que a mulher deste militar, Olave St. Clair Soames Baden-Powell, também nasceu a 22 de Fevereiro (1889) e foi responsável do escutismo feminino, "As Guias".

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Fui então consultar as efemérides e encontrei, como também nascido a 22 de Fevereiro, um outro "pai fundador": George Washington (Condado de Westmoreland, Virgínia, 22 de Fevereiro de 1732 — Mount Vernon, 14 de Dezembro de 1799), cognomeado de Pai dos Estados Unidos da América, foi um general e político estadunidense, tendo sido o primeiro presidente dos Estados Unidos da América, de 1789 a1797.

Dilema: deveria eu falar do Carnaval, momento anti-ambiental onde cada um procura se mascarar de forma original para se destacar dos demais, ou falaria do Escutismo onde todos de vestem de uniforme e seguem princípios disciplinados e construtores do ambiente? Resolvi não falar de nenhum, ficar por aqui e apenas produzir links e fotos de todos estes eventos!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Que há de comum entre: Hilário Brito, John Baird, Jules Verne e Dmitri Mendeleev ?

Desde já a resposta: o 8 de Fevereiro e a "Tele-visão"
(além da testa e do olhar confiante no futuro)



Recentemente conectei ao meu desktop, uma "penTV". Cedo me apercebi que a antena da "pen" era pouco sensível e lá fui adquirir uma dessas antenas interiores numa das lojas chinesas da capital.

Porém, era preciso fazer uma ginástica tremenda de orientação da mesma para poder captar algo credível. Lembrei-me logo do significado da frase "captar TV" que há 42 anos ouvia troar nos meus ouvidos de recem-teenager, a propósito das tentativas de meu pai em teimar poder ver televisão na Praia.

Como estas ideias lhe tinham surgido em Fevereiro de 1967, resolvi então dedicar o meu próximo "post" dominical (este) ao espírito pioneiro de Hilário Brito, em querer estar entre os primeiros a captar TV em Cabo Verde (no Sal já um português se vangloriava te ter captado TV).

Segundo os apontamentos (encontrados na página "8 de Fevereiro") de uma velha agenda do meu progenitor, que religiosamente guardei (ele nem se deu conta do confisco), a ideia lhe surgiu no início de Fevereiro de 1967, quando comprara um minúsculo televisor Crown e uma antena de vários elementos. Ainda me lembro dos valentes rapazes dos CTT e da Central Eléctrica que içavam o poste enorme de ferro onde se via a tal antena no topo e, sob o comando de Hilário, ajustavam os fios de aço que seguravam e mantinham o poste hirto e imune à força dos ventos.

Durante os meses que se seguiram, lá ia Hilário escrutinando os ares para ver se "via" alguma coisa, ora virando a antena para a esquerda ora para a direita. A 30 de Julho, como reza o artigo anexo (clique nele), conseguimos vislumbrar uns "fantasmas" que iam e vinham acompanhados de algum som espanholado. Não me esqueço de uns quatro minutos de "debujos animados" dos Flinstones que me deleitaram e ditaram a paciência e a ansiedade de ficar especado à frente do minúsculo écran por largos minutos a olhar para a "chuva" acinzentada que propiciava.

Poderão inteirar-se de outras aventuras e incursões no mundo da televisão que Hilário Brito prosseguiu, ao ler (façam clique na imagem) a crónica anexa. Podem também ver a entrevista que lhe fizeram aquando da gala comemorativa dos 20 anos da televisão estatal cabo-verdiana:



Quanto a mim, fui investigar na Internet um pouco sobre as origens das primeiras emissões de TV e qual não foi o meu espanto, quando deparei com a informação de que a primeira emissão de televisão entre Londres e Nova York se realizara num 8 de Fevereiro (em 1928) fazendo hoje precisamente 81 anos de tal histórico evento. Mais interessante ainda é ler a biografia de seu autor, um escocês de nome John Logie BAIRD, e constatar seu espírito visionário e empreendedor. Eis um resumo tirado da wikipédia:

John Logie Baird (13 de Agosto de 1888, Helensburgh – 14 de Junho de 1946, Bexhill) foi um engenheiro escocês, um dos pioneiros da televisão. Em fevereiro de 1924 transmitiu imagens estáticas através de um sistema mecânico de televisão analógica. Em 30 de outubro de 1925 transmitiu as primeiras imagens em movimento. Em 1927 fundou a Baird Television Development Company, a qual em 1928 fez a primeira transmissão transatlantica de televisão, entre Londres e Nova York e também o primeiro programa de televisão para a BBC. Em 1931 realizou a primeira transmissão ao vivo.

Este homem de visão, que transportou a "visão" de um continente a outro, fez-me lembrar Jules Verne, aquele que foi:
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"considerado por críticos literários como o precursor do género de ficção científica, tendo feito predições em seus livros sobre o aparecimento de novos avanços científicos, como os submarinos, máquinas voadoras e viagem à Lua"

Fui então descobrir que ele nascera a 8 de Fevereiro de 1828, exactamente 100 anos antes da citada emissão de televisão entre Londres e Nova York !


(faça um clique nesta imagem e aceda ao site de origem)

Em matéria de previsões, muito cedo, nas minhas lides com a Química, tropecei num outro grande vulto da ciência: Dmitri Ivanovich Mendeleev
"em russo Дми́трий Ива́нович Менделе́ев, (Tobolsk, 8 de Fevereiro de 1834 — São Petersburgo, 2 de Fevereiro de 1907) foi um químico russo, criador da primeira versão da tabela periódica dos elementos químicos, prevendo as propriedades de elementos que ainda não tinham sido descobertos. "
Mais uma coincidência, este novo "barbudo" nasceu a 8 de Fevereiro, exactamente há 175 anos, e seis anos depois do anterior "barbudo", o Verne !

Está provado: a comum data de 8 de Fevereiro e o facto destes quatro homens serem homens de visão que a transportaram no tempo e no espaço (tele) prevendo e propiciando tempos melhores nos círculos onde viveram!

domingo, 18 de janeiro de 2009

O celestial bolo de chocolate de Garda

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O bolo mais apreciado por todos os privilegiados a quem minha mulher oferece bolos, é indubitavelmente o seu bolo de chocolate.

Ela vem aperfeiçoando a receita ao longo dos anos e nunca me deixou reproduzi-la neste blog. Resolvi transgredir e roubar-lhe um de seus salpicados canhenhos, onde encontrei uma página encabeçada pelo título "bolo de chocolate". Porém, há dois minutos, passou ela atrás de mim e rematou que essa era sim, uma das receitas já desactualizadas.

Que responsabilidade a minha, em trazer esta "versão beta" , mesmo assim ao vosso conhecimento! Ei-la:

Bolo de Chocolate

Ingredientes

1 copo e meio de açúcar
11 ovos
1 copo e meio de óleo
1 copo e meio de farinha
2 pacotes de baking powder
1 pitada de bicarbonato de sódio
4 colheres de sopa de cacau
meio copo de água morna
2 colheres de sopa de cacau ou chocolate em pó
2 colheres de sopa de aguardente de cana

200g de chocolate em barra

Bater muito bem dez gemas com o açúcar. Adicionar o óleo, farinha baking powder, cacau, água morna. Adicionar agora as 2 colheres de cacau/chocolate em pó, o 11º ovo (por inteiro) a aguardente, o bicarbonato e o chocolate derretido. A clara em castelo será acrescida com cuidado e levemente.

Acho que os segredos estariam na escolha de boas marcas desses ingredientes.

Para a cobertura, ela aconselha um creme de chocolate em barra derretido, a que se adicionam leite condensado e natas. Creio que, conforme a dose destes ingredientes, se consegue uma diferente textura e brilho, como se pode ver ao lado na foto dum destes bolos (que ela fizera aquando de um aniversário).

domingo, 11 de janeiro de 2009

Lalá, Carnegie, William James, Emerson e EU

Porque estive eu três semanas em silêncio? Talvez alguns de meus assíduos leitores se interrogaram a esse respeito. Não quis ser para com eles indelicado ao nada escrever que indicasse que faria uma pausa. É que minha sogra sucumbiu e tive de me ausentar de Cabo Verde por vinte dias para estar junto à família enlutada. Nestes dias não cheguei perto dos computadores. Não me apetecia fazer nada, apetecia-me nada escrever. Minha sogra era uma pessoa muito especial e hei-de, em tempo, fazer-lhe uma devida homenagem. Ela respondia pelo nome de Lalá, sendo o de baptismo: Adelaide Fortes do Livramento Leitão da Graça.

Nestes primeiros dias de Janeiro sentia-me deprimido. Deixei de ver os dois dígitos na balança da casa de banho, o lema de "um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar" perdeu validade e, ao regressar ao trabalho, estive quase a fazer tijolo, pois um desses camiões de obras, por pouco não me esborrachava, ao me ultrapassar a grande velocidade numa curva de linha contínua e a ter de voltar à via de imediato, por lhe ter surgido um veículo à frente.

Tinha de fazer qualquer coisa. Lembrei-me então de um velho livro que me influenciou bastante na adolescência: "Como evitar preocupações e começar a viver" de Dale Carnegie. Façam clique na figura da contracapa para lerem a súmula do que se trata. Este livro, que por ironia do destino, me tinha sido ofertado por Augusto Barbosa Barros, naquela altura apenas o pai de meu amigo Vano, vem agora me socorrer da angústia que tenho pelo falecimento de sua viúva Lalá.

Mas, haverá Destino? Terá tudo isto sido traçado? Mas que fatalismo esse? Não acredito em fatalismos! Prefiro contrapor o fatalismo com o pragmatismo de William James, psicólogo estado-unidense que, segundo o nosso professor de psicologia (no Liceu), dizia ser dele a teoria de que se "estivermos tristes e esboçarmos um sorriso prolongado, acabaremos por nos sentir contentes!"

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É esta filosofia que me convém. Aliás muito da vida e obra de James se harmoniza comigo. E não deixarei de reler as demais obras de Dale Carnegie. Tenho três livros deste autor. O "Como fazer amigos e influenciar pessoas" ... igualmente me influenciou e nunca me esqueço de uma frase de Ralph Waldo Emerson que Carnegie fazia questão de citar:
"Todo o homem que encontro me é superior em alguma coisa. E, nesse particular, aprendo com ele"
Muitas citações são atribuídas a Emerson. Este foi um grande filósofo americano, inspirador da referida teoria do Pragmatismo que teve por co-fundador William James, esse psicólogo, seguidor de Emerson, cujo 167º aniversário do nascimento se comemora hoje, 11 de Janeiro! (mais uma coincidência!)

domingo, 14 de dezembro de 2008

Alice, baptismo meu e a sexy Jane Birkin

Sim! Não é uma menina, sou eu há 51 anos, quando fui baptizado. Minha madrinha era Alice Aguiar Santos, irmã de minha mãe e professora primária conceituada, da época. Alice tinha uma saúde frágil e preferiu não se casar, dedicando toda a sua vida ao magistério primário. Durante minha infância passava mais tempo com ela do que com minha mãe que quando ia ao trabalho, deixava-me em casa da minha avó, onde morava a professora Alice. Esta só leccionava num dos períodos do dia, pelo que passava eu com ela, pelo menos metade do dia. Qualquer traquinice minha, punha-me ela de castigo. Alice não usava castigos corporais; ainda guardo a palmatória que ela trouxera da escola e escondera em casa. Reclamava várias vezes da maldade dos colegas e do sistema repressivo de então. Porém, adorava esses seus colegas professores. Vejam ao lado uma foto onde Alice se encontra entre seus pares (Ivete Antunes, Mocho Ribeiro, Ida Santos, Josefa(Pêpinha), Arcádio, José Manuel Gomes, etc):

Alice, solteira e afável, tinha muitos afilhados (mais de 30). Porém, eu era o afilhado preferido. Várias vezes ela o demonstrou e quis o destino que falecesse, precisamente fazem hoje (14 de Dezembro) cinco anos, num dia comemorativo daquele em que me baptizara!


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Mas 14 de Dezembro é também a data do aniversário de Jane Birkin. Há 40 anos (Dezembro de 1968), Serge Gainsbourg e Birkin (de 22 anos) gravavam aquela que viria a ser a canção proibida e censurada mais ouvida pelos jovens (e não só) da época: "Je t'aime, moi non plus":


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Mas esta é a 2ª versão. Gainsbourg tinha gravado uma "mais sexy" versão em 1967, com Brigitte Bardot, vejam no YouTube, aqui.

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domingo, 7 de dezembro de 2008

A Promessa Escuteira de meus filhos ... e a minha



Eis que meus filhos fizeram hoje, o que fizera eu há 35 anos: a promessa do escuteiro.

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Devo dizer que me senti bastante orgulhoso e ao ir ler de novo os dez artigos da lei escuteira senti que eles moldaram grandemente a minha forma de ser e estar em sociedade. A prática escuteira trouxe-me o gosto pela democracia, o sentido da honra e o dever ecológico:
Conceitos inerentes à Lei Escoteira

Honra, integridade, lealdade, presteza, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade, disciplina, coragem, ânimo, bom-senso, respeito pela propriedade e auto-confiança.

Achei estranho a cor azul dos lenços que o escalão etário de meus filhos usava. Este escalão denominava-se agora "Navegantes", nome bem diferente do que ostentava no meu tempo, o mesmo escalão. Intrigado perguntei a razão e ... fiquei a saber que a organização fora na época (a 1ª República) "convidada" a "apagar" o nome desse escalão e a adoptar outro, sobre pena de não ....

O nome desse escalão era: pioneiros ! ou seja o mesmo dos pupilos da organização de massa que, cronológicamente lhe seria em Cabo Verde, posterior.

Vejam agora este clip de vídeo, que enaltece as virtudes do Escotismo:



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