domingo, 14 de fevereiro de 2010

Morre James Bond, nasce o ALUPEP

Não estranharia nada se o dia 14 de Fevereiro fosse consagrado como o "Dia do Camaleão" ou o "Dia do macaco de imitação"! Irão, caros leitores, perceber as razões da minha tirada à medida que eu for desenvolvendo este artigo.

A 14 de Fevereiro de 1989 morria o homem que se vê na fotografia em cima, a segurar dois maçaricos-esquimós (Numenius borealis). Este cientista, foi um ornitólogo amante de pássaros tropicais, que escreveu: A Field Guide to the Birds of the West Indies, publicado pela primeira vez em 1936. Ilustre desconhecido! Porém, seu nome foi "roubado" por Ian Fleming (confissão aqui) que dele deu vida ao mais famoso espião de todos os tempos: James Bond.

Ao que parece, por mais fidedigna que seja a cópia, sempre esta acaba por adquirir a sua própria identidade, e como tal se diferencia do original. Mesmo na clonagem isto acaba por acontecer. Veja-se o caso da célebre ovelha Dolly que se tornou famosa e poucos sabem da ovelha original. Dolly era suposta viver mais seis anos do que ela... porém, teve de ser abatida aos 6 anos (a 14 de Fevereiro de 2003) por sofrer de doença típica das ovelhas velhas (suas células tinham um DNA de 12 anos). Vejam o vídeo a seguir:

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Precisamente um ano antes, (a 14 de Fevereiro de 2002) nascia o primeiro animal de estimação clonado: a gata c/c, carbon copy ou Copy Cat. Tratou-se do nono animal clonado na história da clonagem.

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Mas, esta imitação que de forma darwiniana se transforma progressivamente em algo individualizado e com possibilidade de reprodução sob nova identidade, não se limita a seres materiais. Vejamos um caso "não material" que teve lugar em 14 de Fevereiro de 842: o dos Juramentos de Estrasburgo (Sacramenta Argentariae):
"Os Juramentos de Estrasburgo (Sacramenta Argentariae) marcam o nascimento da língua francesa. É nestes juramentos de ajuda mútua pronunciados em 14 de fevereiro de 842 entre dois netos de Carlos Magno, a saber, Carlos o Calvo (Charles le Chauve) e Luís o Germânico (Louis le Germanique), contra o irmão deles, Lotário I, que se encontra a primeira testemunho da existência de uma língua falada na França que era claramente separada do latim, a língua romana antepassada do francês" [tirado daqui]
Mas a língua portuguesa teve também um momento de glória a 14 de Fevereiro de 1990: o da aprovação do Projeto de Ortografia Unificada da Língua Portuguesa

No entanto, hoje 14 de Fevereiro de 2010, é Domingo gordo de Carnaval!

Vou propor um novo traje para a escrita da língua portuguesa:

o ALUPEP!

ALFABETO UNIFICADO PARA A ESCRITA DO PORTUGUÊS

Isto, porque a argumentação dos arautos do alfabeto fonológico para a língua cabo-verdiana, era a de que os cabo-verdianos eram incapazes (um autêntico atestado de incompetência e de mediocridade) de escrever bem a língua portuguesa por não saberem quando o x se lia che, cse, zz, ssi ou eix, ou quando s valia c ou z. Como o problema não foi resolvido por se aceitar o bilinguismo, e o ALUPEC foi imposto, só me resta propor que a língua portuguesa passe a ser escrita com um alfabeto fonológico: o ALUPEP.

A partir dexte mumentu já komesei a uzar u alfabetu funulójiku. Vai ser um marku istóriku nexta sidade da Praia. Oje é dia du Sãu Valentin y todux ux namuradux extão à prokura de prezentex para oferta. Bem guxtaria de vê-lux maxkarádux, kon beisux silikunadux a tentar akêlex beijux de "txintxiróti".

14 de Fevereiru é também um dia de muitux asasinatux y masakrex, bem komu de medidax de intulerânsia kontra a liberdade de expresãu.

Kreiu ke vou fikar pur aki, poix nãu guxtaria de ter um mandadu de kaptura extilu fatwa, emitidu pur sei lá ke dirijente pouku demukrátiku ke pur aí abunda, tal a sorte de Salman Rushdie kon seux Versíkulox Satânikux. Foi a 14 de Fevereiru de 1989 (nu mexmu dia em ke Bond faleseu!) ke lhe foi lansada a tal ordem de ezekusãu!

Antex purém de vux deixar, guxtaria de vux prezentear kon uma belísima futugrafia dux anux trinta, onde se podem ver kriansas vextidax de karnaval a rigôr, em frente da kâmara munisipal da sidade da Praia:

Adeux, ke já me bateram à porta kon akele mandadu de apreensãu du meu komputador!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Um gelado de natas coberto de farinha de bolacha chocolatada

No Domingo passado, minha filha Mélanie, continuando a seguir as peugadas da mãe, deleitou-nos com um gelado original, pois as bolachas que continha eram de cor de chocolate. Na realidade usara bolachas Maria de chocolate.

Alguém me diz para colocar a receita neste blog; outra alega ser uma receita tão banal que não merece destaque. Como estava tão bom, resolvi na mesma partilhar com o mundo esta receita, quanto mais não seja, pela foto do mesmo gelado, que ficou interessante. (será que gatos gostam de gelados?)



Gelado de natas com um toque da Mélanie

Ingredientes

3 pacotes (de 200ml) de nata
1 lata de leite condensado
1 colher de sopa de baunilha
1 pacote de bolachas Maria de chocolate

Com a ajuda de uma batedeira eléctrica, bater as natas até obter um consistência cremosa. Juntar o leite condensado e continuar a bater. Por fim, verter a baunilha no creme, homogeneizar e ... já está!

Verter o creme num recipiente de vidro, intercalando com camadas de farinha de bolacha. A última camada é de bolachas trituradas.

Vai então ao congelador.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Da magia de Bosco à magia de Schubert

Há dias mundiais para tudo e mais alguma coisa! Hoje, 31 de Janeiro, é o Dia mundial do Mágico e não resisto em evocar a paixão que sempre senti por esta arte, a do ilusionismo!

Em criança, tive o privilégio de assistir várias vezes aos espectáculos do, então famoso, Professor Cobrah. Este bondoso senhor, tinha o gosto de deleitar as crianças com a sua arte, não sendo porém essa a sua profissão. Se não estou em erro, ele era regente agrícola e pertencia à família Henriques, do Fogo. Um dos truques mais marcantes de Cobrah, era o dos lenços coloridos que fazia sair de um rolo de cartolina preta. O mágico fazia questão de nos provar que o cilindro negro era oco, podendo se ver através do canudo!

Naquele tempo, também havia um outro indivíduo aqui na Praia que fazia magia, mas era mais faquirismo que ilusionismo: tratava-se do " Barbosa", que se celebrizou por "comer vidro". Claro que isso de ver alguém comer vidro não me entusiasmava, preferia os truques que faziam puxar pela cabeça. À medida que crescia, tentava sempre aprender novos passes de mágica e aos 16 anos via-me eu a impressionar os colegas com truques os mais diversos. Livrei-me de alcunhas do tipo "Jojo magia", pois não eram truques de tuta-e-meia, nem os fazia por "dá cá aquela palha". Minha mulher chegou a confessar que os truques que me via fazer, tiveram influência positiva na opinião que de mim tinha, antes de lhe ter pedido namoro!

Quando fui para a universidade em França, adquiri vários livros de ilusionismo, e adorava ir a espectáculos de magia. Mais recentemente, seguia com atenção a série televisiva apresentada na SIC:

Os Segredos da Magia
Vejam um extracto:

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Há poucos anos, assisti em Lisboa, a um fantástico filme: "O Ilusionista". Eis a sinopse:
O famoso ilusionista Eisenheim assombra as plateias de Viena com seu impressionante espectáculo de mágica. Suas apresentações despertam a curiosidade de um dos mais poderosos e cépticos homens da Europa, o Príncipe Leopold. Certo de que as mágicas não passam de fraudes, Leopold vai ao show de Eisenheim disposto a desmascará-lo. Quando Sophie, noiva de Leopold, é chamada ao palco para participar de um número, ela reconhece em Eisenheim uma paixão juvenil. Eles iniciam um romance clandestino e o príncipe delega a um inspector de polícia a missão de expor a verdade por trás do trabalho do mágico. Este, no entanto, prepara-se para executar a maior de suas ilusões.
Apreciem a apresentação deste filme:

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Mas, porque se escolheu o dia 31 de Janeiro para o "Dia Mundial do Mágico"? É que é nesta data que se comemora o aniversário da morte (31 de Janeiro de 1888) do Santo padroeiro dos Mágicos: São João Bosco. Conta-se que, quando menino, ele ajudava a família trabalhando como acrobata, malabarista e mágico. Bosco é igualmente o fundador da Sociedade de São Francisco de Sales, mais conhecida por Salesianos. Bosco ajudou também a criar a congregação das Filhas de Maria Auxiliadora.

É caso para se dizer então AVÉ MARIA! e façamo-lo com esta famosa peça de Franz Peter Schubert, (nascido a 31 de Janeiro de 1797). Apreciem-na na inconfundível voz de Andrea Bocelli:


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domingo, 17 de janeiro de 2010

A.A.O. o anacoreta comunista entre o "grogo" de Santo e a aguardente do Diabo

Segundo reza a história, a 17 de Janeiro do ano 356, morria Santo Antão do Deserto, um monge nascido em 251, no Alto Egipto. A Igreja católica celebra este dia como o dia de Santo Antão. E foi assim que, quando em 17 de Janeiro de 1462 Diogo Afonso avistou a nossa ilha mais setentrional, atribuiu-lhe o nome de Santo Antão (veja aqui um apontamento interessante da Inforpress).

A leitura desse apontamento deixou-me curioso sobre a vida deste santo. Após um sobrevoo na Internet, fiquei a saber que o apelidavam ainda de: "o Eremita" ou, de "o Anacoreta". Palavra estranha esta última, que me fez lembrar um amigo, o embaixador português Eugénio Anacoreta Correia, além de me trazer à memória um solitário personagem, que muito me impressionou: António Augusto de Oliveira. Este senhor do Paúl, podia perfeitamente ser apelidado desse nome (anacoreta) se não fosse o facto de não ser nada religioso!

AAO, como assinava seu nome, possuía uma propriedade no verdejante vale do Paúl. Certa vez, acompanhei uma delegação de Professores universitários portugueses meus amigos a Santo Antão. Fomos levados à propriedade de António Oliveira, que nos recebeu muito bem e nos fez saborear um excelente grogo , debaixo de uma lendária árvore (uma amendoeira) que, contou-nos ele, pacientemente foi domando os ramos, de forma a constituir uma copa em redoma, onde os humanos pudessem disfrutar de sombra e de um espectáculo ímpar de cores e de raios de luz que dançavam por entre a folhagem e iluminavam amareladas folhas que sobre o solo jaziam.

Este então nonagenário senhor (o segundo a contar da esquerda, na fotografia ao lado) fez-nos saber que tinha sido militante do Partido Comunista Português e que o pai era um amante da botânica, tendo trazido para a ilha várias espécies vegetais, entre as quais uma variedade peculiar de cana-do-açúcar. Homem mui culto e de grande sabedoria, não deixou que lhe chamássemos de doutor, alegando não ter completado nenhum dos cursos em que se inscrevera.

Companheiro de Álvaro Cunhal e de Mário Dionísio (conhecido pintor neo-realista português), António Augusto de Oliveira sonhava poder vir a ser um conhecido pintor. É deveras interessante ler o que Mário Dionísio escreve na sua autobiografia, sobre três de seus amigos, entre os quais António Augusto:

Dos amigos que mais me acompanharam nesses anos difíceis, três havia que falavam muito de arte, particularmente de pintura. Eu ouvia-os, feliz. Fe­liz, via e revia os álbuns que me traziam para me ajudarem a dar menos pelo tempo, esses meses passando sobre os meses, os anos sobre os anos, radiografias, saídas periódicas para fazer o pneumo­tórax até quando? Via esses álbuns e sentia alguma coisa reacordar em mim.

Um dos tais três amigos desenhava muito bem, era o Álvaro Cunhal, e falava-me, com o espírito insinuante que era o seu, de museus da Europa, tantos museus!, tantos artistas! Käthe Kolwitz, uma paixão que partilhei com ele. E mandámos fa­zer seis grades a um carpinteiro meu conhecido, três para cada um, para esticar nelas telas, para pintar. Tê-las-á usado? Eu, sim. E mal. Outro, o Huertas Lobo, que faleceu há pouco, era filho de pintor, conhecia a história da arte do princípio pa­ra o fim e do fim para o princípio e ofereceu-me a caixa de óleos do pai, prova inestimável de amiza­de, o que fora do pai era sagrado para ele. O ter­ceiro, que queria ele próprio ser pintor, trouxe-me todas as suas tintas e não descansou enquanto não me viu servir-me delas. E curioso o respeito e a curiosidade (a secreta cupidez) que uma caixa de tintas me inspirava. Até o cheiro, que delícia! E a que ele me trazia, mais para eu ver, estava cheia de bisnagas de cores desconhecidas. Mas eram de­le, está claro, não me atrevia a tocar nelas. Chamava-se António Augusto de Oliveira (assinatura hieroglífica: 2 A A e um O) regressou à sua terra — Cabo Verde — a instâncias do pai, que o não via avançar no curso de Direito, onde em verdade nunca pusera os pés, e pouco mais soube dele se­não que não chegou a ser pintor. Mas era o mais teimoso. Vendo uma pequeníssima paisagem que eu ousara fazer com as tintas dele, disse-me, impa­ciente: «Deixe-se de diletantices, por favor. Pinte mesmo. A sério». Falava-me, encantado, de Gauguin (o que ele quereria ser, Cabo Verde, o inte­rior, um novo Taiti, eu bem o entendia) e de ou­tros autodidactas da aventura criadora. Chegava a ofender-se: «Está à espera de quê?»

Mas a teimosia de AAO, o engenho do mesmo em fazer curvar a amendoeira à sua maneira, as suas deambulações pela arte, pela política e pelo Direito, não podiam deixar de invocar nas minhas meninges a figura do " jornalista, editor, autor, maçon, filantropo, abolicionista, funcionário público, cientista, diplomata, inventor e xadrezista americano" que foi Benjamin Franklin. De facto, estar debaixo dessa frondosa árvore, seria um perigo em dia de trovoada! Daí a pensar no inventor do para-raios é apenas um passo.

Finalmente uma nota de apreço pela aguardente seleccionada com que nos brindou AAO, aguardente esta, que não era nem falsificada, nem conspurcada. Imagino o pai do AAO (Sr. Serafim, se bem me lembro) nos anos trinta, a produzir essa aguardente (de cana seleccionada) para sustentar o filho que , preferia fazer política e pintura, a seguir a trilha do Direito. Enquanto isso, nos Estados Unidos, Al Capone vendia bebidas desta natureza às escondidas e sob um alto clima de violência, crime e repressão. Mil vezes este saboroso grogo dos Oliveira, bebido na tranquilidade do pacato vale do Paúl, do que a duvidosa aguardente do Alfonso, caríssima e impregnada de sangue!
  • Benjamin Franklin nasceu a 17 de Janeiro de 1706
  • Alphonsus Gabriel Capone nasceu a 17 de Janeiro de 1899
Se a Al Capone lhe tivessem dado o nome do santo festejado no dia em que nasceu, falar-se-ia nos USA da "maldita aguardente do Diabo Antão". Haveria no mundo, a aguardente de Santo Antão e a aguardente do Diabo Antão.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Stress, química e objectos oblongos

Acaba hoje o período de festas! Amanhã toca a iniciar as aulas e a ir ao trabalho. Deu para descansar? Duvido. Creio que as pessoas estiveram bem "stressadas". Minha mulher de tanto fazer bolos, viu seu colesterol aumentar. Diz ela que leu algures (será aqui?) ser o stress uma das causas do aumento do colesterol. Veio ela do mercado hoje, com duas dúzias de beringelas, alegando serem boas para o tal colesterol.

Esta roxa e oblonga fruta parece ser rica em muitas coisas, entre as quais a vitamina C e outras biomoléculas estranhas e especiais que só a biologia molecular saberia elucidar.

E o dia 3 de Janeiro, traz-me às minhas meninges, objectos oblongos, vitamina C e biologia molecular , na figura de Linus Pauling, o único cientista que ganhou sozinho, dois prémios Nobel (em menos de 9 anos).

Este paradigmático e transdisciplinar cientista, ganhou em 3 de Janeiro de 1954, o prémio Nobel da Química pelos seus trabalhos sobre a ligação química. Foi ele que engendrou a teoria das hibridações das orbitais atómicas. Pauling tornou-se também num fervoroso adepto da vitamina C, tendo feito vários estudos sobre esta vitamina e publicado um livro intitulado "Vitamin C and the Common Cold". Sabe-se também que a vitamina C alivia a resposta do corpo ao stress.

Mas o stress e os objectos oblongos estão ainda na minha mente, associados a outros momentos e circunstâncias. Vou vos contar uma pequena história que presenciei:

Um belo dia, vinha eu tranquilamente a passar junto a um parque da nossa cidade, quando deparei com dois petizes dos seus 10 anos, a discutir frenética e nervosamente (com bastante stress), atirando frases insultuosas um ao outro, à guisa de "quen qui ta côba más fédi". Às tantas o que parecia mais novo, olha para a cabeça rapada à escovinha do mais alto, cabeça esta que tinha a forma de um seixo (essas pedras roliças do mar) e desferra: "Cabéça sima pedra di limpa cadêra!"

Logo me ocorreram outras versões deste analógico insulto:
  • "cabéça sima simenti mángui"
  • "cabéça sima zipilin" (esta mais antiga, proveniente do evento a seguir evocado)
Mais uma vez, a propósito de coisas oblongas relacionadas com o stress, eis que o Zeppelin se mostra um interessante exemplo. Não é que recebo hoje por e-mail uma extraordinária foto do LZ127 Graf Zeppelin aquando da sua passagem a 21 de Maio de 1930 pela cidade da Praia, a caminho de Rio de Janeiro! Vejam ao lado, a foto que me foi enviada pelo meu dileto primo, Carlos Alberto Mascarenhas Loff FONSECA.

De facto o Zeppelim era bastante perigoso, pois continha hidrogénio, um gás bem combustível. Ficou célebre o incêndio do dirigível Hindenburg em 6 de maio de 1937.

Vejamos no entanto o resto da viagem do Zeppelim que pela Praia passou:


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domingo, 13 de dezembro de 2009

Orfeão da Praia, borboleta negra e Dick Van Dike

Na passada sexta-feira dia 11 de Dezembro estava eu de camisa branca e gravata negra em nó de borboleta, fazendo vezes de "performer" que nem o meu homenageado do dia, Dick Van Dike. Homenageado por ter feito hoje, 13 de Dezembro, 84 anos e por ter alegrado a minha cinéfila infância com dois fantásticos filmes: "Mary Poppins" em 1964 e "Chitty, Chitty Bang Bang" em 1968. Voltarei ao assunto mais abaixo.

Falemos do nosso Orfeão que deu seu primeiro espectáculo de bilheteira. Já o fizéramos no dia 25 de Maio como poderão constatar fazendo clique aqui. Não disponho ainda de informações para vos retratar o que de nós foi dito. Apenas dir-vos-ei que pudemos rectificar os erros e insuficiências havidos em Maio e que o Auditório Jorge Barbosa estava a 2/3 cheio.

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Vi o "Mary Poppins" no cinema da Praia, tinha eu uns 8 anos. Nunca mais me esqueci de pronunciar rapidamente o "Supercalifragilisticexpialidocio". Para mim era a palavra mais longa do universo e soava tão bem aos ouvidos. Tratando-se de um filme sobre "como seria uma babá perfeita", há quem tivesse encontrado uma explicação para essa mágica palavra:

Super ="acima", Cali="beleza", Fragilistic="delicadas", Expiali="espiar" e Docio="educada".
Em suma:
"Expiatório para a educação através de delicada beleza"


Como de orfeões estamos embebidos, oiçam estas criancinhas a entoar a canção da emblemática palavra:

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Curiosidade: Mary Poppins foi o primeiro filme em que se misturou na mesma cena, desenhos animados e actores humanos. Ora vejam:

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A alegria do Chitty Chitty Bang Bang, um belíssimo calhambeque mágico, não me podia ser de modo algum indiferente: vejam aqui o artigo que há tempos publicara neste blog. Este filme é a adaptação de um livro de Ian Fleming (criador do Agente 007).

Deixo-vos com um clip do filme:

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domingo, 15 de novembro de 2009

Como Gerir as Personalidades Difíceis

Há dias, fui convidado pela cadeia televisiva Tiver, a falar para o programa "O bom livro, meu amigo" , sobre um ou mais livros de minha livre escolha. Foi difícil fazer esta escolha, pois a escolha é vasta e vários seriam as áreas do saber que podia escolher. Porém, queria ser diferente da maioria dos meus antecessores nesse programa. Presumi, pois nunca tinha visto o programa, que esses antecessores tivessem escolhido livros de literatura, pois a concepção de "um bom livro" é para muitos "uma boa história" escrita por um autor de renome (de preferência um Nobel da literatura, ou um desses já badalados escritores cabo-verdianos, claridosos ou não).

Assim, como sou um apaixonado pelos livros de psicologia e áreas afins (ver um artigo anterior meu neste blog: aqui) resolvi escolher um livro na área da auto-ajuda e , porque não, editado pelo Instituto Piaget. O livro em questão é o "Como Gerir as Personalidades Difíceis" de François Lelord e Christophe André.

Eis a sinopse:

«...Dois psiquiatras, consultores de empresas, passam em revista as particularidades dos ansiosos, paranóicos, obsessivos, narcisistas, depressivos e outros perfis diversos. O desfile é apaixonante: principia com os clássicos sanguíneos, biliosos e emotivos tão caros a Hipócrates, para nos conduzir aos tipos mais sofisticados, como o displástico e o pícnico- bons para o ditado de Pivot - passando pelo sádico ou o esquizóide. O conjunto tem um imenso mérito, raro nesta especialidade, de se ler como um romance...»
Eis os autores:

François Lelord, psiquiatra e consultor
em empresas no domínio da gestão do stress e da psicologia das mudanças, especialista em terapias cognitivas. Antigo chefe da clínica da Universidade de René Descartes. Fez a sua graduação pós-doutoral em Los Angeles.

Christophe André, médico psiquiatra no Hospital de Santa Ana, em Paris, especialista em problemas de ansiedade e fobias sociais, sendo igualmente psicoterapeuta de grupo. Trabalha como consultor em empresas para as questões de stress relacional e formação na comunicação. É responsável de curso em diversas universidades de Paris.

Eis um extracto do programa da TiVer:
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Como Gerir as Personalidades Difíceis no Yahoo! Vídeo
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domingo, 8 de novembro de 2009

Alupequeando por aí

Acabo de receber um boletim muito interessante, "BANCADA", onde vem transcrito um artigo meu sobre a "Problemática do ALUPEC num ambiente bilingue". O boletim é o nº zero do grupo parlamentar do Movimento para a Democracia e foi publicado em Outubro de 2009.

Assim, é com prazer que vos apresento o artigo que escrevi, não só para o conhecerem, como também para tirarem as vossas conclusões a respeito de eventuais inverdades e interpretações falaciosas desses "africanistas extraterrestres" a que me referi no "post" anterior. (NB: excepção que faço a esta regra)

Este artigo diz respeito a uma análise transdisciplinar (e não linguística) sobre a adopção do ALUPEC como instrumento de alfabetização em simultâneo com o alfabeto etimológico usado para o Português. A meu ver é incompatível com a adopção do bilinguismo. Voltarei a aprofundar este assunto no blog sobre transdisciplinaridade (que é uma das minhas especialidades!)

Eis o artigo (cliquem nas figuras e poderão lê-lo sem problemas).
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domingo, 18 de outubro de 2009

Pobre Eugénio Tavares! foi "alupequiado"



Reparem na atrocidade e no desrespeito pela forma como foram escritos estes célebres versos de Eugénio Tavares ! Não foi assim que ele os escreveu!

Hoje é comemorado em Cabo Verde o Dia Nacional da Cultura:
"No passado dia 29 de Março [de 2005] deu entrada pelas mãos do deputado Jorge Lima Andrade Silva, na Assembleia Nacional de Cabo Verde, o projecto-lei que visa a instituição do dia 18 de Outubro, dia em que se celebra o nascimento do Poeta Eugénio de Paula Tavares, como o Dia Nacional da Cultura"
Como se pode ler no corpo do articulado desse projecto-lei:
"Eugénio Tavares foi a figura cimeira da vida cultural, política e social de Cabo Verde entre 1890 e 1930 tendo nessas três décadas demonstrado o domínio de todas as áreas a cultura do seu povo e tendo sido também, o seu maior interprete até aos nossos dias. A sua vastíssima obra vai da poesia à música, da retórica ao jornalismo, da ficção à política. É o primeiro homem de cultura das nossas ilhas a conseguir dar relevo literário à poesia em crioulo"
E é aqui que bate o ponto: A Caboverdianidade! Sim, este poeta seria posto na prateleira pelos "africanistas extraterrestres" que ainda deambulam pelas nossas paragens, por não ter ascendentes negros, e ser somente descendente de espanhóis (Roiz e Riam), italianos (Nozolini) e portugueses.


Porém, esquecido durante a primeira república e reabilitado por Mascarenhas Monteiro, vê finalmente seu nome indelevelmente associado à Cultura cabo-verdiana, por toda a sua vasta obra mas também ... por em crioulo [nessa época] ter escrito!

É por isso que os "kapas" da citação inscrita no monumento são, a meu ver, uma barbaridade!

domingo, 4 de outubro de 2009

Meus caros!

Por razões ponderosas e alheias à minha vontade, vou ter de me ausentar deste blog por mais duas semanas!

Prometo regressar no Domingo 18 de Outubro.

Agradeço a vossa atenção e continuo a contar com a vossa fidelidade.

domingo, 20 de setembro de 2009

A deusa italiana Sophia Loren fez 75 anos e aguarda os da francesa Brigitte Bardot

Na minha adolescência, as mais famosas "sex simbols" do cinema eram indubitavelmente Sophia Loren e Brigitte Bardot. E o engraçado é que elas tinham a mesma idade: Loren é apenas 8 dias mais velha que Bardot e faz hoje 75 anos.

Porém, ainda guarda seu charme, vivacidade e frescura, o que não se pode dizer de Bardot!

O que é certo é que elas ficarão na história do cinema e nos devaneios de muitos homens.


Vou agora escolher uma montagem do YouTube que presta um tributo às duas estrelas em paralelo:

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domingo, 13 de setembro de 2009

Brito - Cabrito, a jocosa associação de ideias


Durante a minha infância escolar, não conseguia evitar que coleguinhas fizessem trocadilhos com o meu nome de família (Brito). Uns chamavam-me de cabrito, outros justapunham o apelido ao nome do caprino, repetindo, qual refrão de compositor pouco inspirado: brito-cabrito!, brito-cabrito!, brito-cabrito! ...

A princípio, até ripostava dizendo-lhes que, lembrando-me a partícula de negação da língua cabo-verdiana, se contradiziam, pois sendo eu Brito não poderia ser ao mesmo tempo não-Brito (ca Brito).

O que é certo é que adorava brincar com cabritos e ao que parece o gosto pelo animal tornou-se hereditário, como podem ver nas fotos seguintes:
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»»»»»»Eu, aos três anos »»»»»»»Mélanie (minha filha) aos três anos««««««

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domingo, 6 de setembro de 2009

Nel blue dipinto di blue: Dalton, Teixeira de Sousa e Pavarotti

Tendo sido hoje o meu último dia de férias (viva a liberdade!), fui com a família passar o dia no Sambala Village. Após o almoço, estendemo-nos à beira da piscina sobre uns catres ali colocados para o efeito. Olhava eu ora para o azul do céu, ora para o azul turquesa da piscina, tentando magicar o artigo que deveria escrever neste blog, ao regressar a casa.

Nisto, oiço meu filho ao lado, soltar uma valente gargalhada. Virei-me e deparei com um livro de banda desenhada de Lucky Luke, atrás do qual pude discernir o cabelo do rapaz, cuja cabeça enfiara pelo livro adentro. "A balada dos Dalton" era o título. Fiquei logo baralhado, pois ocorreu-me não ter mencionado o "outro" Dalton no artigo da semana passada. Entretanto senti saudades dos livros de quadradinhos da minha infância e das peripécias à volta das leituras dos mesmos, muitas vezes às escondidas dos nossos progenitores.

Voltei ao azul envolvente para me concentrar de novo no que iria escrever. O céu, a piscina, o mar próximo (região da praia de São Francisco) deram-me a sensação de vaguear em grande liberdade e acabei dormitando a sonhar que voava sobre as ondas do mar, acompanhado por anjos daltónicos que só viam o azul. Acordei pouco depois com uma nova, troante gargalhada. Levantei-me e fui nadar!

À tardinha, regressámos à Praia e dirigi-me ao computador para iniciar este artigo. Olho para o cinzento retrato de Rutherford do artigo anterior e volto a sentir remorsos por não mencionar o nome do "pai da teoria atómica moderna", ou seja John Dalton. Este estudioso e pesquisador transdisciplinar, não foi Professor universitário, mas metia muitos deles no bolso, como podem ver, seguindo o link do nome.

Mas, o sonho da "djonga" com os anjos daltónicos persegue-me, pelo que talvez seja bom mencionar o facto deste cientista ter feito um estudo sobre a discromatopsia, ou seja a dificuldade que algumas pessoas têm em percepcionar certas cores. Dalton padecia desta anomalia que veio, em sua homenagem, a ser conhecida por Daltonismo. Acontece que tenho dois cunhados e um meio-irmão daltónicos! esses não distinguem o verde do castanho: não distinguiriam por exemplo o número 6 na figura ao lado.

Vejo que hoje, me sinto levado no vento, qual escritor inspirado pelo azul do mar. Poderei eu um dia tornar-me escritor? A minha área é das ciências exactas e estou habituado a usar poucas palavras para ir direito a assuntos, sem rodeios! Quando disse isto a um amigo, ele me lembrou que Teixeira de Sousa era médico, porém, um respeitado escritor cabo-verdiano!

Efectivamente, Henrique Teixeira de Sousa é descrito como um escritor influenciado pelo Mar. Vejamos um extracto do site "Livro di Téra" a propósito do escritor e seu livro "Capitão di Mar e Terra":
"A temática do mar foi a obsessão e o fascínio de Teixeira de Sousa, o que é característico, aliás, em diversos escritores cabo-verdianos. É o mar cercando as ilhas, o mar convidando à evasão, o mar, em suma, aprisionando e aliciando à aventura, à emigração. Foi assim em Contra Mar e Vento e em Ilhéu de Contenda, é assim em Capitão de Mar e Terra."
Há bem poucos dias descobri que tenho um laço de parentesco com Teixeira de Sousa. Já tratei de o colocar na árvore genealógica (ver aqui). Talvez esses laços e a vivência do dia de hoje me esteja a conduzir para "me fascinar" à Teixeira de Sousa: mar, evasão, liberdade, um daltonismo que faça ver tudo pintado de azul! N.B.: O último livro de Teixeira de Sousa tinha capa azul e intitulava-se: "Ó Mar de Túrbidas Vagas".

Mas isto me faz lembrar uma maravilhosa canção criada em 1958 por Domenico Modugno and F. Migliacci, intitulada "Nel blue dipinto di blue", mais conhecida por VOLARE:

Penso che un sogno così non ritorni mai più
Mi dipingevo le mani e la faccia di blu
Poi d'improvviso venivo dal vento rapito
E incominciavo a volare nel cielo infinito

Volare, oh, oh!
Cantare, oh, oh, oh, oh!
Nel blu, dipinto di blu
Felice di stare lassù


E volavo, volavo felice più in alto del sole ed ancora più su

Mentre il mondo pian piano spariva lontano laggiù

Una musica dolce suonava soltanto per me

Volare, oh, oh!

Cantare, oh, oh, oh, oh!
Nel blu, dipinto di blu
Felice di stare lassù
Nel blu, dipinto di blu

Felice di stare lassù

Poderia vos oferecer esta canção interpretada pelo próprio Domenico Modugno (ver aqui) mas, sendo tantos os intérpretes ao longo dos anos, e em diversas línguas (inclusive em português por Simone de Oliveira - ver aqui), tenho o privilégio da escolha. Assim aqui vai ela, interpretada pelo maior tenor do século XX: Luciano Pavarotti. Reparem nas paisagens do clip que se segue, onde o mar e o azul dominam:


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Já descobri a razão desta inspiração do "outro mundo" que adveio da conspiração destas nobres almas:
  • John Dalton nasceu a 6 de Setembro de 1766 (243º aniversário hoje)
  • Henrique Teixeira de Sousa nasceu a 6 de Setembro de 1919 (90º aniversário hoje)
  • Luciano Pavarotti faleceu a 6 de Setembro de 2007 (2º aniversário hoje)

    domingo, 30 de agosto de 2009

    Do vazio de Rutherford à chuva copiosa de Bronson

    Quando comecei a dar aulas de Química no ensino superior (ver o artigo: Os meus queridos alunos - I), era para mim um grande desafio fazer passar a noção da estrutura atómica. Era um assunto que me apaixonava, pois meu sonho de adolescência era vir a ser um físico nuclear como Einstein. Ao me formar em Química, a questão da estrutura atómica era como uma ponte entre esta ciência e a física nuclear. Talvez por isso, no percurso da história da estrutura atómica, que ia de Demócrito a Schrödinger, era para mim o ponto mais emocionante, o da demonstração de que "o átomo era vazio". Esta conclusão foi conseguida por Rutherford, (um cientista nascido precisamente há 138 anos, na Nova Zelândia, em 30 de Agosto de 1871, que, embora físico, ganhou em 1908 o prémio Nobel da Química), que interpretou a experiência levada a cabo pelos seus discípulos Geiger e Marsden; vejam:

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    Rutherford chegou a essa conclusão [na vida universitária, é mesmo assim: os discípulos fazem o grosso do trabalho e o mestre "tira o coelho da cartola"] e para demonstrar quão vazio era o átomo do hidrogénio, comparou-o a um campo de futebol, onde o minúsculo electrão circulava ao longo das "4 linhas" e o grosso da massa do átomo se encontrava condensado numa bola no centro do campo. Eis ao lado o "Estádio" da Várzea em 1981 como imagem para a comparação.

    A ênfase que eu punha na explicação dos raciocínios de Rutherford, valeram-me da parte de meus alunos a sugestão de dar esse nome ao meu então recém-nascido primogénito (Outubro de 1983). Claro que não fui no bote, e coloquei o nome de Marcos Miguel ao pimpolho. Alguns, mais meus amigos, até insistiram, mas disse-lhes que tirassem o cavalinho da chuva.

    E nesta época chuvosa, estar à chuva me faz lembrar um filme que me marcou pelo seu suspense e brutidão: "O passageiro da chuva", estreado há 40 anos e contracenando Charles Bronson e Marlène Jobert. O actor era mesmo feio e assustador, mas revelou-se um dos melhores actores para este tipo de papéis. Vejamos então um extracto:


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    Hoje, dia internacional dos desaparecidos, fazem seis anos que desapareceu da face da Terra, este grande actor, que foi Charles Bronson !

    E agora desapareço eu! (do blog, claro!)
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    domingo, 23 de agosto de 2009

    De Morais e Castro aos burros do "Tonecas", da Eulália e do Maio

    Pois é! Até parece que os meus mais queridos actores cómicos portugueses, teimam em me pregar sustos, indo desta para a melhor! Acabo de chegar de férias, da Ilha do Maio e qual não foi o meu espanto ao sintonizar a SIC notícias e me dar conta do enterro do célebre professor das Lições do Tonecas. É esse mesmo, José Armando Tavares de Morais e Castro:

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    Segundo o Jornal Público:
    É da televisão que o grande público terá uma imagem mais vívida de José Armando Tavares de Morais e Castro, das séries e novelas da RTP e da TVI às Lições do Tonecas (1996/8), mas foi no teatro que se estreou, ainda no liceu, e que mais trabalhou ao longo de mais de 50 anos de carreira. Dirigente da Casa do Artista, onde residia nos meses que antecederam o seu internamento, casado com a actriz Linda Silva, Morais e Castro nasceu em Lisboa a 30 de Setembro de 1939.
    Assim como Solnado, faltavam-lhe poucas semanas para completar uma idade a números redondos: 80 para Solnado, 70 para Morais e Castro. Ambos nos divertiram imenso e não falhava nenhum episódio das Lições de Tonecas. Vejam um extracto de um deles:


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    As aulas desta série até me fazem lembrar a escola da Dona Eulália, onde passei bons momentos e episódios do mesmo tipo que os das referidas "Lições do Tonecas". Dona Eulália era uma Setubalense, casada com um funcionário, salvo o erro dos TACV, o Sr. Arlindo. Na escola particular dela, éramos poucos e lembro-me dos terríveis irmãos Pinto Eliseu, das gémeas Ruth e Marilu, do Jorge Manuel (filho da professora), do Nando, do Necas, do Carlinhos, do Jorge Ribeiro, da Tó, e de alguns outros mais. Não eram raras as sandices à moda do Tonecas: uma vez, a professora pediu que falássemos dos tipos de sangue que circulam no corpo humano e uma das gémeas disparou sorridente: "sangue arterial e sangue venenoso!"

    Gargalhadas e "burra!" foram as explosões que se sucederam. Dona Eulália fazia um esforço para ela também conter o riso e repreendia os que chamaram a pobre colega, agora chorosa, de "burra". Lá foi ela dizendo que as pessoas não são burras e que este animal até era bastante astuto e alerta.

    A propósito de burros astutos e alertas, não posso deixar de manifestar a minha tristeza pela extinção dos burros selvagens da Ilha do Maio. Com efeito, há 16 anos quando lá tinha ido pela última vez, pude ver esses soberbos animais correr sobre as calcárias pedras da ilha e a se esconder entre os arbustos da famigerada Prosopis juliflora. Esses burros eram, segundo os camponeses do Maio, impossíveis de domar; para os ter era necessário capturá-los bebés e criá-los com cuidado. De cor bege, estes animais ostentavam uma listra castanho escura a negra, na base do pescoço. Infelizmente, a seca fê-los morrer de sede ao longo dos anos e hoje já não os há selvagens! Também verifiquei com amargura que o número e a variedade ornitológica diminuiu grandemente. Onde estão as lindas aves do Maio? Porque não houve declaração de "zonas naturais protegidas" para o Maio? Houve sim a designação de ZDTIs (Zonas de Desenvolvimento Turístico Integrado) que muita polémica fez surgir (ver aqui por exemplo) .
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    Fiquemos agora com um documentário sobre esta magnífica ilha do Maio, que aos poucos vai despontando para um turismo promissor (ZDTI aqui):


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