domingo, 20 de setembro de 2009

A deusa italiana Sophia Loren fez 75 anos e aguarda os da francesa Brigitte Bardot

Na minha adolescência, as mais famosas "sex simbols" do cinema eram indubitavelmente Sophia Loren e Brigitte Bardot. E o engraçado é que elas tinham a mesma idade: Loren é apenas 8 dias mais velha que Bardot e faz hoje 75 anos.

Porém, ainda guarda seu charme, vivacidade e frescura, o que não se pode dizer de Bardot!

O que é certo é que elas ficarão na história do cinema e nos devaneios de muitos homens.


Vou agora escolher uma montagem do YouTube que presta um tributo às duas estrelas em paralelo:

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domingo, 13 de setembro de 2009

Brito - Cabrito, a jocosa associação de ideias


Durante a minha infância escolar, não conseguia evitar que coleguinhas fizessem trocadilhos com o meu nome de família (Brito). Uns chamavam-me de cabrito, outros justapunham o apelido ao nome do caprino, repetindo, qual refrão de compositor pouco inspirado: brito-cabrito!, brito-cabrito!, brito-cabrito! ...

A princípio, até ripostava dizendo-lhes que, lembrando-me a partícula de negação da língua cabo-verdiana, se contradiziam, pois sendo eu Brito não poderia ser ao mesmo tempo não-Brito (ca Brito).

O que é certo é que adorava brincar com cabritos e ao que parece o gosto pelo animal tornou-se hereditário, como podem ver nas fotos seguintes:
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»»»»»»Eu, aos três anos »»»»»»»Mélanie (minha filha) aos três anos««««««

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domingo, 6 de setembro de 2009

Nel blue dipinto di blue: Dalton, Teixeira de Sousa e Pavarotti

Tendo sido hoje o meu último dia de férias (viva a liberdade!), fui com a família passar o dia no Sambala Village. Após o almoço, estendemo-nos à beira da piscina sobre uns catres ali colocados para o efeito. Olhava eu ora para o azul do céu, ora para o azul turquesa da piscina, tentando magicar o artigo que deveria escrever neste blog, ao regressar a casa.

Nisto, oiço meu filho ao lado, soltar uma valente gargalhada. Virei-me e deparei com um livro de banda desenhada de Lucky Luke, atrás do qual pude discernir o cabelo do rapaz, cuja cabeça enfiara pelo livro adentro. "A balada dos Dalton" era o título. Fiquei logo baralhado, pois ocorreu-me não ter mencionado o "outro" Dalton no artigo da semana passada. Entretanto senti saudades dos livros de quadradinhos da minha infância e das peripécias à volta das leituras dos mesmos, muitas vezes às escondidas dos nossos progenitores.

Voltei ao azul envolvente para me concentrar de novo no que iria escrever. O céu, a piscina, o mar próximo (região da praia de São Francisco) deram-me a sensação de vaguear em grande liberdade e acabei dormitando a sonhar que voava sobre as ondas do mar, acompanhado por anjos daltónicos que só viam o azul. Acordei pouco depois com uma nova, troante gargalhada. Levantei-me e fui nadar!

À tardinha, regressámos à Praia e dirigi-me ao computador para iniciar este artigo. Olho para o cinzento retrato de Rutherford do artigo anterior e volto a sentir remorsos por não mencionar o nome do "pai da teoria atómica moderna", ou seja John Dalton. Este estudioso e pesquisador transdisciplinar, não foi Professor universitário, mas metia muitos deles no bolso, como podem ver, seguindo o link do nome.

Mas, o sonho da "djonga" com os anjos daltónicos persegue-me, pelo que talvez seja bom mencionar o facto deste cientista ter feito um estudo sobre a discromatopsia, ou seja a dificuldade que algumas pessoas têm em percepcionar certas cores. Dalton padecia desta anomalia que veio, em sua homenagem, a ser conhecida por Daltonismo. Acontece que tenho dois cunhados e um meio-irmão daltónicos! esses não distinguem o verde do castanho: não distinguiriam por exemplo o número 6 na figura ao lado.

Vejo que hoje, me sinto levado no vento, qual escritor inspirado pelo azul do mar. Poderei eu um dia tornar-me escritor? A minha área é das ciências exactas e estou habituado a usar poucas palavras para ir direito a assuntos, sem rodeios! Quando disse isto a um amigo, ele me lembrou que Teixeira de Sousa era médico, porém, um respeitado escritor cabo-verdiano!

Efectivamente, Henrique Teixeira de Sousa é descrito como um escritor influenciado pelo Mar. Vejamos um extracto do site "Livro di Téra" a propósito do escritor e seu livro "Capitão di Mar e Terra":
"A temática do mar foi a obsessão e o fascínio de Teixeira de Sousa, o que é característico, aliás, em diversos escritores cabo-verdianos. É o mar cercando as ilhas, o mar convidando à evasão, o mar, em suma, aprisionando e aliciando à aventura, à emigração. Foi assim em Contra Mar e Vento e em Ilhéu de Contenda, é assim em Capitão de Mar e Terra."
Há bem poucos dias descobri que tenho um laço de parentesco com Teixeira de Sousa. Já tratei de o colocar na árvore genealógica (ver aqui). Talvez esses laços e a vivência do dia de hoje me esteja a conduzir para "me fascinar" à Teixeira de Sousa: mar, evasão, liberdade, um daltonismo que faça ver tudo pintado de azul! N.B.: O último livro de Teixeira de Sousa tinha capa azul e intitulava-se: "Ó Mar de Túrbidas Vagas".

Mas isto me faz lembrar uma maravilhosa canção criada em 1958 por Domenico Modugno and F. Migliacci, intitulada "Nel blue dipinto di blue", mais conhecida por VOLARE:

Penso che un sogno così non ritorni mai più
Mi dipingevo le mani e la faccia di blu
Poi d'improvviso venivo dal vento rapito
E incominciavo a volare nel cielo infinito

Volare, oh, oh!
Cantare, oh, oh, oh, oh!
Nel blu, dipinto di blu
Felice di stare lassù


E volavo, volavo felice più in alto del sole ed ancora più su

Mentre il mondo pian piano spariva lontano laggiù

Una musica dolce suonava soltanto per me

Volare, oh, oh!

Cantare, oh, oh, oh, oh!
Nel blu, dipinto di blu
Felice di stare lassù
Nel blu, dipinto di blu

Felice di stare lassù

Poderia vos oferecer esta canção interpretada pelo próprio Domenico Modugno (ver aqui) mas, sendo tantos os intérpretes ao longo dos anos, e em diversas línguas (inclusive em português por Simone de Oliveira - ver aqui), tenho o privilégio da escolha. Assim aqui vai ela, interpretada pelo maior tenor do século XX: Luciano Pavarotti. Reparem nas paisagens do clip que se segue, onde o mar e o azul dominam:


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Já descobri a razão desta inspiração do "outro mundo" que adveio da conspiração destas nobres almas:
  • John Dalton nasceu a 6 de Setembro de 1766 (243º aniversário hoje)
  • Henrique Teixeira de Sousa nasceu a 6 de Setembro de 1919 (90º aniversário hoje)
  • Luciano Pavarotti faleceu a 6 de Setembro de 2007 (2º aniversário hoje)

    domingo, 30 de agosto de 2009

    Do vazio de Rutherford à chuva copiosa de Bronson

    Quando comecei a dar aulas de Química no ensino superior (ver o artigo: Os meus queridos alunos - I), era para mim um grande desafio fazer passar a noção da estrutura atómica. Era um assunto que me apaixonava, pois meu sonho de adolescência era vir a ser um físico nuclear como Einstein. Ao me formar em Química, a questão da estrutura atómica era como uma ponte entre esta ciência e a física nuclear. Talvez por isso, no percurso da história da estrutura atómica, que ia de Demócrito a Schrödinger, era para mim o ponto mais emocionante, o da demonstração de que "o átomo era vazio". Esta conclusão foi conseguida por Rutherford, (um cientista nascido precisamente há 138 anos, na Nova Zelândia, em 30 de Agosto de 1871, que, embora físico, ganhou em 1908 o prémio Nobel da Química), que interpretou a experiência levada a cabo pelos seus discípulos Geiger e Marsden; vejam:

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    Rutherford chegou a essa conclusão [na vida universitária, é mesmo assim: os discípulos fazem o grosso do trabalho e o mestre "tira o coelho da cartola"] e para demonstrar quão vazio era o átomo do hidrogénio, comparou-o a um campo de futebol, onde o minúsculo electrão circulava ao longo das "4 linhas" e o grosso da massa do átomo se encontrava condensado numa bola no centro do campo. Eis ao lado o "Estádio" da Várzea em 1981 como imagem para a comparação.

    A ênfase que eu punha na explicação dos raciocínios de Rutherford, valeram-me da parte de meus alunos a sugestão de dar esse nome ao meu então recém-nascido primogénito (Outubro de 1983). Claro que não fui no bote, e coloquei o nome de Marcos Miguel ao pimpolho. Alguns, mais meus amigos, até insistiram, mas disse-lhes que tirassem o cavalinho da chuva.

    E nesta época chuvosa, estar à chuva me faz lembrar um filme que me marcou pelo seu suspense e brutidão: "O passageiro da chuva", estreado há 40 anos e contracenando Charles Bronson e Marlène Jobert. O actor era mesmo feio e assustador, mas revelou-se um dos melhores actores para este tipo de papéis. Vejamos então um extracto:


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    Hoje, dia internacional dos desaparecidos, fazem seis anos que desapareceu da face da Terra, este grande actor, que foi Charles Bronson !

    E agora desapareço eu! (do blog, claro!)
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    domingo, 23 de agosto de 2009

    De Morais e Castro aos burros do "Tonecas", da Eulália e do Maio

    Pois é! Até parece que os meus mais queridos actores cómicos portugueses, teimam em me pregar sustos, indo desta para a melhor! Acabo de chegar de férias, da Ilha do Maio e qual não foi o meu espanto ao sintonizar a SIC notícias e me dar conta do enterro do célebre professor das Lições do Tonecas. É esse mesmo, José Armando Tavares de Morais e Castro:

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    Segundo o Jornal Público:
    É da televisão que o grande público terá uma imagem mais vívida de José Armando Tavares de Morais e Castro, das séries e novelas da RTP e da TVI às Lições do Tonecas (1996/8), mas foi no teatro que se estreou, ainda no liceu, e que mais trabalhou ao longo de mais de 50 anos de carreira. Dirigente da Casa do Artista, onde residia nos meses que antecederam o seu internamento, casado com a actriz Linda Silva, Morais e Castro nasceu em Lisboa a 30 de Setembro de 1939.
    Assim como Solnado, faltavam-lhe poucas semanas para completar uma idade a números redondos: 80 para Solnado, 70 para Morais e Castro. Ambos nos divertiram imenso e não falhava nenhum episódio das Lições de Tonecas. Vejam um extracto de um deles:


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    As aulas desta série até me fazem lembrar a escola da Dona Eulália, onde passei bons momentos e episódios do mesmo tipo que os das referidas "Lições do Tonecas". Dona Eulália era uma Setubalense, casada com um funcionário, salvo o erro dos TACV, o Sr. Arlindo. Na escola particular dela, éramos poucos e lembro-me dos terríveis irmãos Pinto Eliseu, das gémeas Ruth e Marilu, do Jorge Manuel (filho da professora), do Nando, do Necas, do Carlinhos, do Jorge Ribeiro, da Tó, e de alguns outros mais. Não eram raras as sandices à moda do Tonecas: uma vez, a professora pediu que falássemos dos tipos de sangue que circulam no corpo humano e uma das gémeas disparou sorridente: "sangue arterial e sangue venenoso!"

    Gargalhadas e "burra!" foram as explosões que se sucederam. Dona Eulália fazia um esforço para ela também conter o riso e repreendia os que chamaram a pobre colega, agora chorosa, de "burra". Lá foi ela dizendo que as pessoas não são burras e que este animal até era bastante astuto e alerta.

    A propósito de burros astutos e alertas, não posso deixar de manifestar a minha tristeza pela extinção dos burros selvagens da Ilha do Maio. Com efeito, há 16 anos quando lá tinha ido pela última vez, pude ver esses soberbos animais correr sobre as calcárias pedras da ilha e a se esconder entre os arbustos da famigerada Prosopis juliflora. Esses burros eram, segundo os camponeses do Maio, impossíveis de domar; para os ter era necessário capturá-los bebés e criá-los com cuidado. De cor bege, estes animais ostentavam uma listra castanho escura a negra, na base do pescoço. Infelizmente, a seca fê-los morrer de sede ao longo dos anos e hoje já não os há selvagens! Também verifiquei com amargura que o número e a variedade ornitológica diminuiu grandemente. Onde estão as lindas aves do Maio? Porque não houve declaração de "zonas naturais protegidas" para o Maio? Houve sim a designação de ZDTIs (Zonas de Desenvolvimento Turístico Integrado) que muita polémica fez surgir (ver aqui por exemplo) .
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    Fiquemos agora com um documentário sobre esta magnífica ilha do Maio, que aos poucos vai despontando para um turismo promissor (ZDTI aqui):


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    domingo, 16 de agosto de 2009

    Bossa Nova, Sex symbol, Elvis e Caymmi

    O Verão bate em pleno! Bem me apetecia refrescar-me em praias tropicais, ao sabor das ondas (do mar e das beldades). Ainda bem que em Cabo Verde temos praias dessas que fazem inveja a Ipanema e a suas garotas!

    Uma caipirinha ao som da célebre "Garota de Ipanema" não cairia nada mal! Saibam que esta mundialmente famosa canção de Bossa Nova, foi composta no ano de 1962 (ano da estreia do filme Dr. No - a foto ao lado foi extraída deste clássico de James Bond) e que a 19 de Março de 1963 (dia do 27º aniversário da garota da foto ao lado) sai a gravação para a gravadora Verve.


    Claro que esta garota não é de Ipanema! Trata-se de Úrsula Andress, uma das sex symbol dos anos sessenta. Nesse tempo comecei a ir ao cinema em frente da minha casa (ocupava um dos lugares captivos de que meu pai dispunha no cine-teatro municipal, por conta da assistência técnica que prestava ao cine) e deleitava-me com os filmes de James Bond e outros de cariz recreativo, alegre ou musical. Esta actriz tinha seu nome na boca de todos os púberes da época, que em 1968, já a tinham visto em "Casino Royale - 007", "What's New Pussycat?" e "Fun in Acapulco". Eis um pouco deste último, onde contracena com o grande Elvis Presley:

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    Mas, que atrevimento esse o de Presley, em martelar nas palavras Bossa Nova, num show de Rock que de Bossa Nova só levava o título: "Bossa Nova Baby"? Que diria Tom Jobim, um dos pais desse ritmo e um dos criadores da Garota de Ipanema?

    Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim , mais conhecido como Tom Jobim, é considerado um dos maiores expoentes da música brasileira. Amigo de um outro grande expoente da música brasileira, Dorival Caymmi, ("um compositor e poeta popular que se inspirava nos hábitos, costumes e tradições do povo baiano e que tendo como forte influência a música negra, desenvolveu um estilo pessoal de compor e cantar, demonstrando espontaneidade nos versos, sensualidade e riqueza melódica" - tirado daqui) ei-lo no vídeo a seguir, em casa de Caymmi, interpretando com ele e com a ajuda das respectivas famílias, o não menos célebre "Eu vou para Maracangalha" da autoria de Dorival:

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    Que bonito ver neste vídeo, o velho dorival Caymmi rodeado da família e dos amigos ! O homem (embora aqui, quase octogenário) transborda juventude e alegria. Será que poderemos dizer o mesmo da "garota não de Ipanema" que está na fotografia introdutória deste artigo? Vejam-na na foto ao lado, agora com 73 anos.



    Este artigo, fi-lo em homenagem a Elvis Presley e a Dorival Caymmi, pois hoje, 16 de Agosto, é o aniversário do desaparecimento físico de ambos: Elvis em 1977 com 42 anos e Dorival em 2008, com 94 anos.

    Como o Bossa Nova e a Garota de Ipanema foram o elo entre Elvis e Dorival, através de Andress e Jobim, eis que vos proporciono um derradeiro clip, de Tom Jobim há 20 anos atrás (1989) a tocar Ipanema em estilo Jazz:


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    domingo, 9 de agosto de 2009

    A Electra levou-me de Gatas à Gamboa

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    Mas que fim-de-semana! Sob o signo do 25º Festival da Baía das Gatas (ver aqui) vários acontecimentos marcantes tiveram lugar, sendo o que mais me entristeceu, o do falecimento de Raúl Solnado. Aquando do seu 79º aniversário, tive o prazer de lhe dedicar um artigo, que poderão rever aqui. Após ter ouvido a notícia na RTP-África, mudei de canal para ver em directo o que se passava na Baía das Gatas.


    Coloquei a janelinha televisiva no canto superior esquerdo do monitor do PC e comecei a engendrar o artigo que iria escrever neste blog. Apetecia-me falar de Mimetismo e até publiquei no meu recente fotolog, uma fotografia que tirara de um Louva-a-Deus entre as folhas de um feto. Mal se vê o animal (assim como mal se vêem estes, duma coleccão da National Geographic).

    De repente, a Electra (famigerada companhia cabo-verdiana de águas e electricidade) resolve cortar a corrente eléctrica do meu bairro, ficando eu às escuras com o rato na mão e metade do meu artigo em águas de bacalhau. Às apalpadelas fui-me deitar.

    Mas quem disse que ia poder dormir? Nem eu nem ninguém em casa o pôde fazer. Os mosquitos invadiram nossos quartos e eu fui a principal vítima. Sem electricidade os ventiladores não podiam dissipar o dióxido de carbono nem evaporar o nosso suor. Assim, o dióxido de carbono por nós exalado e o suor não evaporado, foram os principais atractores dos hediondos insectos. Na realidade os mosquitos são atraídos pelo CO2 que expiramos e pelo ácido lácteo de nosso suor (sendo eu o mais volumoso, produzo mais destas substâncias e sou a 1ª escolha desses dípteros). Passei a noite, com uma lanterna na mão esquerda, a dar-lhes palmadas esborrachantes (contra a parede) com a direita, ao mesmo tempo que praguejava e exigia nosso sangue de volta.

    E pensar que durante a minha puberdade já fui criador de larvas de mosquito! Tinha vários bocais onde as criava. Até gostava delas. Maluco eu? Não, fazia isso por várias razões, entre as quais a científica. Porém, a principal razão era como alimento vivo para os meus peixinhos de aquário, sobretudo para os Guppys, extraordinários animais ovovivíparos cujos machos eram um regalo para nossos olhos, tais eram as variegadas cores ostentadas pelas barbatanas e caudas.

    As fêmeas dos guppys são desprovidas de graça, pois acinzentadas e gordinhas passam despercebidas. Porém, são utilizadas no combate aos mosquitos em águas estagnadas de riachos, lagoas e gamboas (atenção a este nome, já volto a ele). Convido-vos a assistir este clip onde se pode ver fêmeas de guppy a caçar larvas de mosquito:

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    E nós na Praia até temos uma gamboazita em frente da central eléctrica (Electra e Mosquitos, os agressores do dia). Segundo os entendidos: "Esta designação, totalmente popular, é o nome dado a um braço de rio de mangue, que não tem nascente e está sempre sob influência da maré. Tanto que na maré baixa uma gamboa pode ficar completamente seca." (tirado daqui). E esta gamboa (ao lado do bar Motcha) deu o nome à praia de mar onde se insere, que se tornou igualmente famosa pelos seu Festival da Gamboa!

    Não pude então deixar de associar a Baía das Gatas à Gamboa. Comecei a noite com a música (carnavalesca) das Gatas e terminei com o carnaval dos mosquitos da Gamboa!

    Além dos célebres festivais, estas duas praias me trazem outra singular recordação: o desconforto na sola dos pés, ao pousá-los no chão de suas águas. Na da Baía das Gatas, sente-se a áspera sensação dos corais que atapetam o fundo (ver foto ao lado e artigo aqui).

    Na Gamboa, sentia-se o manto de Turritelas que magoava quem as pisasse. Nos bons velhos tempos, essas conchas unicórnias se amontoavam aos milhares na parte da praia da Gamboa mais próxima da então Cadeia Civil (onde agora se situa o Hotel Trópico). Eram tantas que acabaram por servir de material de revestimento decorativo na construção civil.

    A Turritela, Caramuja em cabo-verdiano, é um gastrópode da família dos Turritellidae que tem a particularidade singular de se alimentar através de um processo de filtragem da água, coisa reservada aos moluscos bivalves e não aos gastrópodes. As turritelas já existiam no Miocénio e são muitas vezes encontradas em fósseis, permitindo alguma datação e informações paleontológicas. Foram encontradas turritelas fósseis em São Nicolau de Cabo Verde (ver aqui)

    Como já me tinha referido em artigo anterior (ver aqui), as conchas de Cabo Verde têm sido um achado para os coleccionadores e entendidos. Vários estudos, catalogações e bate-papo têm tido lugar pelo mundo fora e nós aqui no país estamos a leste do paraíso. Vejam ao lado a capa de um interessante livro sobre a malacologia de Cabo Verde. Esta ciência, como também já o referira, foi um dos primeiros interesses científicos de Jean Piaget, que por sinal se comemora hoje o 113º aniversário de seu nascimento: 9 de Agosto de 1896.
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    domingo, 2 de agosto de 2009

    O povo quem mais ordena, levou Hitler à minha árvore genealógica

    Já é hábito olhar para as efemérides, para espevitar as meninges a respeito de algum evento relacionado com a minha vivência. Eis que me deparo com Adolfo Hitler! O facto assinalado hoje é o da chegada do ditador à presidência da Alemanha, pela morte do então presidente Hindenburg. Eis um extracto da notícia, tirado do Wikipédia:
    "Em 2 de Agosto de 1934, Hindenburg morre. Hitler apodera-se do seu lugar, fundindo as funções de Presidente e de Chanceler, passando a se auto-intitular de Líder (Führer) da Alemanha e requerendo um juramento de lealdade a cada membro das forças armadas." (ler todo o artigo aqui)
    Lembrei-me logo de muitos dos filmes da II Guerra Mundial que assisti. A saudação nazista em muitos deles patente, fez-me recordar de uma foto antiga, da classe de ginástica da minha mãe, aquando de sua passagem pelo Liceu Gil Eanes em São Vicente (anos trinta). Antes de vos apresentar a foto, vejam Hitler a discursar aos jovens de então (reparem na saudação):

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    Embora o tom deste discurso me faça lembrar outros discursos mais recentes, abstenho-me de os evocar e vou de imediato mostrar-vos as fotos seguintes, a de um comício do Führer e a da classe de ginástica da minha mãe:
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    Não é difícil tirar as conclusões, nesse tempo em que Salazar se exercitava com as ideologias de seu comparsa adolfino. E a ditadura de Salazar e seus seguidores, durou 40 anos! Mas, eis que em 1974, com o 25 de Abril, chega a Liberdade e o anti-fascismo a Portugal e à nossa terra!

    Pululavam os comícios e assistia-se aos mais inusitados exageros do lado da revolução. Presenciámos actos de "africanização" dos costumes, com pessoas a deitar vinagre no cabelo (para os tornar crespos), a comer com as mãos, sentadas no chão, enfim, a fazer tudo o que mais lhes pudesse afastar dos hábitos dos derrotados colonizadores. É assim, que surgiram novos nomes próprios nos registos civis cabo-verdianos, como: Abel Djassi, Samora, Lumumba, Kwame, Che, Guevara, Lenin, etc..

    Meu tio Oldegar, que tal como o pai (meu avô) era conhecido pelo seu acutilante espírito de contradição, irritado com esses nomes "esquerdistas", resolve dar ao seu então mais recente pimpolho, o pomposo nome de ... Adolfo Hitler de Melo Sousa Brito.

    Pobre rapaz! Que culpa tinha ele para carregar este aberrante epíteto pela vida fora. Felizmente, teve o bom-senso de mandar retirar o Hitler de seu nome, logo que fez 18 anos! Parabéns!

    Para desanuviar os espíritos, deixo-vos agora com um anti-fascista da época, que se estivesse vivo, completaria hoje 80 anos! Trata-se do autor de "Grandola vila morena!":

    ZECA AFONSO
    Nascido em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929
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    domingo, 26 de julho de 2009

    A "laranjite" que previne a laringite: da Laranja-Baía ao Grand Marnier

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    Durante a minha infância não comia frutas. Além de ser alérgico à banana, várias frutas coçavam-me a garganta, pois tinha no fundo da mesma, uma cicatriz resultante de uma flauta que lá se espetara, após uma queda minha ao pular de uma cama para outra enquanto a tocava.

    Nesta época paranóica da gripe A recomenda-se porém, muita vitamina C. E uma das fontes mais conhecidas desta vitamina é sem dúvida a laranja. Comer muita laranja é bom preventivo para a gripe e para infecções da garganta (laringites por exemplo). Raramente me constipo e minha garganta esteve sempre de boa saúde. Talvez porque, embora detestasse as frutas, adorasse uma única entre elas: a laranja! Geralmente as da terra, eram de casca verde e tons de amarelo, ora doces, ora ácidas (comia estas com açúcar). Raramente víamos as laranjas europeias; que esquisitas eram elas, assim tão ... cor-de-laranja! Achava estranho falar-se dessa cor como sendo a da laranja! Uma laranja era "verde com manchas amarelas!".
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    Nesses bons velhos tempos, a minha avó Candinha trazia do mercado, umas enormes laranjas que vinham da Cidade Velha. Eram muito doces, autêntico mel, sem sementes e com uma espécie de protuberância umbilical muito engraçada e característica. Estou a falar da laranja de umbigo, conhecida entre nós por laranja-baía. O nome vem da Baía, estado brasileiro onde esta espécie citrina é abundante. Ali também estas laranjas são cor-de-laranja (ver foto ao lado).

    É curioso como a laranja foi uma fruta "fabricada" pelo Homem, na antiguidade, através de cruzamentos de outras espécies. Mais curioso é que actualmente as laranjas são referenciadas como da Califórnia, da Flórida, de Israel, de Marrocos, do Hawai, etc e não da Índia, donde ela é originária! Vejam o que se diz desse fruto nas enciclopédias da Internet:
    "A laranja doce foi trazida da China para a Europa no século XVI pelos portugueses. É por isso que as laranjas doces são denominadas "portuguesas" em vários países, especialmente nos Bálcãs (por exemplo, laranja em grego é portokali e portakal em turco), em romeno é portocala e portogallo com diferentes grafias nos vários dialectos italianos" [artigo inteiro aqui]
    Hoje, já como várias frutas, mas a laranja continua a ser a minha preferida. Ao natural, em sumos, em bolos, em gelados, em doces e até em bebidas, não perco a ocasião de apreciar esta divina fruta!
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    A propósito de bebidas com laranja, assinalo dois fantásticos licores franceses com base em laranjas: o Grand Marnier e o Cointreau . Faça clique nos links e saberá da história e da composição destas maravilhas. Uma das diferenças, é que o Grand Marnier é um cognac aromatizado com laranja, e o Cointreau é uma aguardente com óleos extraídos de cascas de laranja maceradas.

    Falando de cascas de laranja, há dois meses comi um doce de cascas de laranja, feito por Garda e ao qual sugeri que lhe deitasse um cálice de Grand Marnier na calda do açúcar, antes desta tomar o ponto. Ficou uma maravilha! Não vos dou ainda a receita, mas para que fiquem com água na boca, aqui vai a fotografia tirada:

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    domingo, 19 de julho de 2009

    Un flamboyant métro qui va de Praia à la Lune

    Hoje, 19 de Julho 2009, olhei pela janela da nossa casa e voei (minha imaginação e memória) até à Lua num Metro flamejante ! Vejamos primeiro o que da janela vi:


    Uma imagem contrastante! Entre o verde das copas se denota uma árvore repleta de flores vermelho-lume. A beleza dessa árvore, contrasta também com "aquela coisa" feia, no centro de um canteiro sem plantas, poeirento e atapetado de placas de cimento.

    A árvore em destaque, é conhecida no seio dos entendidos, por acácia rubra. Minha mãe ensinou-me se tratar da árvore de Santo António, por florir no mês de Junho, encontrando-se no seu apogeu floral, por ocasião do 13 desse mês, dia de Santo António. Esta árvore é originária da ilha de Madagáscar e é muito vista por todo o mundo lusófono. Seu nome científico é Delonix regia devido à sua majestade (regia) e ao evidente (do Grego delo) aspecto ungulado (do Grego onix) de suas flores. Flamboyant é o nome francófono, a fazer jus à sua presença flamejante e ao caracter exuberante (palavra aplicável à árvore e a pessoas). Esta árvore embeleza sobremaneira as nossas paisagens, como podem ver na foto ao lado, tirada em São Jorge dos Órgãos.
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    Flamejantes seriam também as chamas do Apolo 11, a missão espacial histórica cujos 40 anos se celebram nestes dias. Amanhã, dia 20 de Junho, completam-se 40 anos após a primeira vez que o ser humano pisava o solo lunar. "That's one small step for a man, one giant leap for mankind" a emblemática frase de Neil Armstrong que assinalava este extraordinário facto:

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    Tinha eu 11 anos quando isto aconteceu. Nessa altura, alcatroavam-se as ruas da Praia (a cidade limitava-se ao que agora se chama de "Plateau"). Lembro-me de passar horas esquecidas a observar a máquina alcatroadora e seu operador mor, a "regar" de alcatrão líquido, pegajoso e fumegante, o leito de gravilha colocado sobre o pavimento calcetado das ruas. O tal operador, era um Português típico, baixo, anafado, sanguíneo, de patilhas acentuadas, chapéu negro e casaco ensebado de pele. Talvez Alentejano, lá estava ele a alcatroar as ruas do "Ténis" (então bairro da cidade) quando, conversa puxa conversa, lhe disse eu que o Homem acabava de poisar na Lua. Maldito momento esse em que resolvi dar essa notícia. O homem ficou danado, chamou-me de aldrabão, e à medida que insistia eu na notícia, mais vermelho ficava até que me enxotou com o casaco dizendo não admitir que um pirralho fizesse pouco dele! NB: há quem até hoje não acredita e há quem alegue que foi tudo uma encenação forjada (ver aqui). Mas podem ler aqui a contra-resposta.

    Corri logo para a praça em frente da casa de minha avó. Gostávamos de brincar nessa praça, cheia de lugares para se esconder, como n' "aquela coisa" de que vos falei no início deste artigo. Vejam-na na foto ao lado; tratava-se de uma casa de banho pública subterrânea, naquela época bem cuidada, cheirando a creolina. Nhu Pedro, o guarda zarolho e coxo que de vara em riste nos afugentava dos canteiros, não deixava que nenhum andrajoso fosse para lá dormir, ou fazer coisas que não devia. Anos depois, já após a Independência, este local passou apenas a mictório (engraçada a placa que "em bom português" ostentava a palavra "urinor"). Quando se transformou num lugar ainda mais fétido e covil para vícios inconfessáveis, o subterrâneo foi pela edilidade de então, literalmente gradeada!

    Esse urinório, pelo seu carácter subterrâneo e pelo aspecto de sua entrada, evocava o Metropolitano. Era o "Metro da Praia" para as crianças jocosas da pequena burguesia da época. Havia mesmo quem acreditasse e fizesse a ingénua pergunta: "Onde é que vai dar?" a que respondíamos divertidos: "à Praia-Negra!" (NB: o local onde iam cair os esgotos municipais). A propósito, hoje é aniversário da inauguração do Metro de Paris. Conhecido originalmente como o "Chemin de Fer Métropolitain", começou a operar em 19 de Julho de 1900 com apenas oito estações da Linha 1, ligando a zona leste à oeste: Porte de Vincennes a Porte Maillot. Várias vezes fiz este percurso, quando estudava em Paris; ainda (em 1981) a linha tinha algumas carruagens de 1900!


    Por todas estas recordações e efemérides do dia, é que minha imaginação "foi à Lua num Metropolitano flamejante!"
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    domingo, 12 de julho de 2009

    Modigliani ... tout court!

    Por mais que queira fugir às tentações de me inspirar nas efemérides do dia para evocar momentos singulares do meu percurso existencial, não consigo escapar desta vez a mencionar o sublime momento em que assisti a um discreto mas marcante filme: Modigliani (nascido a 12 de Julho de 1884). Eis a sinopse:
    Estamos em 1919. A Grande Guerra acabou e a vida nocturna em Paris está cheia de paixão escura e obsessão descontrolada. No café Rotonde, o refúgio dos artistas, encontramos uma mesa, como qualquer outra na história: Picasso, Rivera, Stein, Cocteau, Soutine, Utrila e Modigliani.Esta é a história da rivalidade entre Modigliani (Ande Garcia) e Picasso (Omid Djalili). Dois Homens cuja inveja um do outro é alimentada pelos seus brilhos, arrogâncias e paixões.É também a história da maior tragédia amorosa na história da arte. Jeanine Hebuterne (Elsa Zylberstein) era uma jovem e bonita rapariga católica, cuja única falha, segundo seu pai, foi apaixonar-se por Modigliani, um judeu.O pai de Jeanine envia secretamente para um convento num lugar longínquo o seu filho e de Modigliani.Ao mesmo tempo, Paris prepara-se para a competição anual de Arte. O prémio é dinheiro e uma sólida carreira. Até este momento Picasso e Modigliani nunca concorreram porque eram Picasso e Modigliani. Mas agora Modigliani e Jeanine tém de salvar o seu filho. Bêbado e com raiva, Modigliani inscreve-se na competição. Face a isto Picasso inscreve-se também. Paris torna-se frenética de excitação!
    Mas, porque me impressionou este filme? ... Porque, tratando-se das rivalidades entre dois amigos talentosos, com laivos de inveja à mistura e com perfis comportamentais e familiares bem diferentes, me fizeram lembrar os meus primeiros anos de puberdade. Eis o caso:

    Meus três últimos anos da escola primária, fi-los numa escola particular, a "escola da Dona Eulália", onde éramos uma quinzena de crianças. Fomos bem treinados e éramos excelentes alunos. Um de meus colegas destacou-se ainda como um chefe de fila, brigão e líder das traquinices. Já nessa altura considerava-me como rival académico. Tornámo-nos amigos, pois nossas mães o eram e frequentávamos as casas um do outro. Um belo dia, em plena sala de aulas, o dito-cujo não gostou de uma das minhas jocosas/sarcásticas provocações e desafiou-me para uma briga, mais tarde, lá na praça (a em frente da minha casa - ver cabeçalho deste blog). Atarracado e com físico de Maradona (até com ele se parecia), meu amigo, rapaz de brigas, iria certamente dar -me uma valente sova! Lembrei-me de que ele gostava de dar socos no ventre do adversário e lá me precavi "forrando" minha barriga com uma tampa metálica duma caixa de chocolates. Porém, antecipando a cena da mão dorida após o 1º soco, não resisti em revelar o "segredo" a um dos outros rapazes, que tinha por leal amigo. Só que este era mais leal ao brigão e no momento H contou-lhe o "segredo". Claro que a primeira coisa que o fulano fez, foi retirar-me a lata, e em seguida iniciar a tal sova. Recusei-me a brigar e o incidente não passou de um soco. Meu pai (brigão no seu tempo) disse-me que eu era sim, um "latoso"!

    Quando no ensino secundário entrámos, este meu brigão amigo, rivalizava-se comigo para ser o melhor aluno do ano e da escola. Uma vez, ele apanhou uma melhor média que a minha no 1º período e todo ufano, se vangloriava disso, parecendo um pavão. Nos dois períodos subsequentes, suplantei-o, vindo a ser o melhor aluno do então Ciclo Preparatório. O indivíduo não se continha em verbalismos pouco abonatórios a meu respeito! Isso me dava um grande prazer. Contudo éramos amigos e estudávamos juntos, quer em casa dele, quer na minha. Mandáva-mos buscar de Lisboa, os famosos "pontos" resolvidos, da Porto-Editora e treinávamos juntos a sua resolução. Era uma competição sadia e fazíamos jogo limpo!

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    Por isso, a história desse filme trouxe-me estas valiosas recordações. Não foi pela arte de Modigliani, que foi capaz de transformar a beleza de sua mulher (foto à esquerda) nesta pintura (à direita), porém considerada obra-prima.

    Vejam agora um extracto do filme onde se vê o genial artista a pintar esse quadro.


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    domingo, 5 de julho de 2009

    Reluzentes medalhas de mérito e 5 de Julho

    Quando era criança, passava o dia em casa de minha avó materna (hoje minha casa) onde a "sala de visitas" permanecia fechada e às escuras, só se abrindo para limpeza semanal ou para ... visitas, claro! A cada vez que isso acontecia e me encontrasse por perto, lá me apressava eu a entrar na dita sala para ir admirar as fotos de meus antepassados e em particular a de meu trisavô Francisco Cosme Nunes, pelas bigodaças do sujeito e pelas medalhas que ostentava. Muitas perguntas fazia eu sobre estas medalhas. NB: poderão saber mais sobre esse almirante de palmo e meio num artigo que publicara muitos meses atrás, neste blog: (Nhu Cosmi acaba por se casar com a crioula Mariana).
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    Assim aprendi que as medalhas eram objectos que, tal como taças e diplomas, premiavam ou assinalavam feitos ou contributos meritórios daqueles que o recebiam. E via com orgulho, meu pai receber taças e diplomas de rádio-amadorismo (ver outro artigo que publicara antes: Os primeiros rádio-amadores de Cabo Verde).

    Quando entrei no ensino secundário, pude sentir na pele a sensação de receber diplomas de mérito (melhor aluno do Concelho da Praia por exemplo) e devido às minhas lides genealógicas, descobri diversos parentes que receberam condecorações e diplomas de mérito.

    Várias vezes já falei do contributo que Hilário Brito deu para a área das telecomunicações. Várias vezes tomei conhecimento de cerimónias solenes (por ocasião do 5 de Julho, dia da Independência) onde o Presidente da República agraciava diversos cidadãos pelos seus contributos à Nação. Estranhava e ficava triste por não ver meu progenitor entre os agraciados, sobretudo por muitos deles terem sido protagonistas de feitos, bem mais modestos do que o contributo de Hilário.
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    "Tudo aranha ten si sesta-fêra": é pois com manifesta satisfação, que tomei conhecimento, ontem dia 4 de Julho, que finalmente, Hilário Brito estaria entre os medalhados deste 34º Aniversário da Independência Nacional. Naturalmente, apressei-me a ir à cerimónia onde pude, não só pegar a medalha na mão, como tirar fotos históricas, ao lado do Presidente da República e de Hilário Brito.

    Para finalizar este artigo, queiram ter a bondade de apreciar a seguir, a montagem feita a partir da reportagem realizada pela TCV sobre a citada cerimónia:


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