Com tiragem aos Domingos (periodicidade nem sempre regular), este Blog muito próprio, insiste em dar voz ao lado não profissional de mim mesmo. Nele escrevo sobre assuntos mundanos e corriqueiros, meus hobies e interesses: Genealogia, Gastronomia, Filatelia, Numismática, Malacologia, Entomologia, recordações de infância e juventude, animais de estimação, imagens antigas (este fundo é o da praça Alexandre Albuquerque na época em que nasci, sendo minha casa a 2ª a contar da esquerda), etc.
No Domingo Gordo do ano passado, homenageei meus "cães carnavalescos". Este Domingo, acordo com o reboliço de meus filhos escuteiros que se preparavam para irem a São Domingos, participar numa actividade escutista. "Mau dia escolheram", ripostei eu; "Não, papá... é que hoje é o dia do aniversário de BadenPowell, o pai do Escutismo!" contrapôs meu filho Mauro (à direita na foto), que parecia muito entusiasmado com a ideia de ir passar o dia em São Domingos. Não sabia eu que este meu descendente fosse tão aficionado de:
. Robert StephensonSmythBaden-Powell (Londres, 22 de Fevereiro de 1857 — Quénia. 8 de Janeiro de 1941) foi um tenente-general do Exército Britânico, fundador do escutismo. Engraçado é que a mulher deste militar, OlaveSt. ClairSoamesBaden-Powell, também nasceu a 22 de Fevereiro (1889) e foi responsável do escutismo feminino, "As Guias".
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Fui então consultar as efemérides e encontrei, como também nascido a 22 de Fevereiro, um outro "pai fundador": George Washington (Condado de Westmoreland, Virgínia, 22 de Fevereiro de 1732 — MountVernon, 14 de Dezembro de 1799), cognomeado de Pai dos Estados Unidos da América, foi um general e político estadunidense, tendo sido o primeiro presidente dos Estados Unidos da América, de 1789 a1797.
Dilema: deveria eu falar do Carnaval, momento anti-ambiental onde cada um procura se mascarar de forma original para se destacar dos demais, ou falaria do Escutismo onde todos de vestem de uniforme e seguem princípios disciplinados e construtores do ambiente? Resolvi não falar de nenhum, ficar por aqui e apenas produzir links e fotos de todos estes eventos!
Desde já a resposta: o 8 de Fevereiro e a "Tele-visão"
(além da testa e do olhar confiante no futuro)
Recentemente conectei ao meu desktop, uma "penTV". Cedo me apercebi que a antena da "pen" era pouco sensível e lá fui adquirir uma dessas antenas interiores numa das lojas chinesas da capital.
Porém, era preciso fazer uma ginástica tremenda de orientação da mesma para poder captar algo credível. Lembrei-me logo do significado da frase "captar TV" que há 42 anos ouvia troar nos meus ouvidos de recem-teenager, a propósito das tentativas de meu pai em teimar poder ver televisão na Praia.
Como estas ideias lhe tinham surgido em Fevereiro de 1967, resolvi então dedicar o meu próximo "post" dominical (este) ao espírito pioneiro de Hilário Brito, em querer estar entre os primeiros a captar TV em Cabo Verde (no Sal já um português se vangloriava te ter captado TV).
Segundo os apontamentos (encontrados na página "8 de Fevereiro") de uma velha agenda do meu progenitor, que religiosamente guardei (ele nem se deu conta do confisco), a ideia lhe surgiu no início de Fevereiro de 1967, quando comprara um minúsculo televisor Crown e uma antena de vários elementos. Ainda me lembro dos valentes rapazes dos CTT e da Central Eléctrica que içavam o poste enorme de ferro onde se via a tal antena no topo e, sob o comando de Hilário, ajustavam os fios de aço que seguravam e mantinham o poste hirto e imune à força dos ventos.
Durante os meses que se seguiram, lá ia Hilário escrutinando os ares para ver se "via" alguma coisa, ora virando a antena para a esquerda ora para a direita. A 30 de Julho, como reza o artigo anexo (clique nele), conseguimos vislumbrar uns "fantasmas" que iam e vinham acompanhados de algum som espanholado. Não me esqueço de uns quatro minutos de "debujos animados" dos Flinstones que me deleitaram e ditaram a paciência e a ansiedade de ficar especado à frente do minúsculo écran por largos minutos a olhar para a "chuva" acinzentada que propiciava.
Poderão inteirar-se de outras aventuras e incursões no mundo da televisão que Hilário Brito prosseguiu, ao ler (façam clique na imagem) a crónica anexa. Podem também ver a entrevista que lhe fizeram aquando da gala comemorativa dos 20 anos da televisão estatal cabo-verdiana:
Quanto a mim, fui investigar na Internet um pouco sobre as origens das primeiras emissões de TV e qual não foi o meu espanto, quando deparei com a informação de que a primeira emissão de televisão entre Londres e Nova York se realizara num 8 de Fevereiro (em 1928) fazendo hoje precisamente 81 anos de tal histórico evento. Mais interessante ainda é ler a biografia de seu autor, um escocês de nome John Logie BAIRD, e constatar seu espírito visionário e empreendedor. Eis um resumo tirado da wikipédia:
John Logie Baird (13 de Agosto de 1888, Helensburgh – 14 de Junho de 1946, Bexhill) foi um engenheiro escocês, um dos pioneiros da televisão. Em fevereiro de 1924 transmitiu imagens estáticas através de um sistema mecânico de televisão analógica. Em 30 de outubro de 1925 transmitiu as primeiras imagens em movimento. Em 1927 fundou a Baird Television Development Company, a qual em 1928 fez a primeira transmissão transatlantica de televisão, entre Londres e Nova York e também o primeiro programa de televisão para a BBC. Em 1931 realizou a primeira transmissão ao vivo.
Este homem de visão, que transportou a "visão" de um continente a outro, fez-me lembrar Jules Verne, aquele que foi: .
"considerado por críticos literários como o precursor do género de ficção científica, tendo feito predições em seus livros sobre o aparecimento de novos avanços científicos, como os submarinos, máquinas voadoras e viagem à Lua"
Fui então descobrir que ele nascera a 8 de Fevereiro de 1828, exactamente 100 anos antes da citada emissão de televisão entre Londres e Nova York !
(faça um clique nesta imagem e aceda ao site de origem)
Em matéria de previsões, muito cedo, nas minhas lides com a Química, tropecei num outro grande vulto da ciência: Dmitri Ivanovich Mendeleev
"em russo Дми́трий Ива́нович Менделе́ев, (Tobolsk, 8 de Fevereiro de 1834 — São Petersburgo, 2 de Fevereiro de 1907) foi um químico russo, criador da primeira versão da tabela periódica dos elementos químicos, prevendo as propriedades de elementos que ainda não tinham sido descobertos. "
Mais uma coincidência, este novo "barbudo" nasceu a 8 de Fevereiro, exactamente há 175 anos, e seis anos depois do anterior "barbudo", o Verne !
Está provado: a comum data de 8 de Fevereiro e o facto destes quatro homens serem homens de visão que a transportaram no tempo e no espaço (tele) prevendo e propiciando tempos melhores nos círculos onde viveram!
. O bolo mais apreciado por todos os privilegiados a quem minha mulher oferece bolos, é indubitavelmente o seu bolo de chocolate.
Ela vem aperfeiçoando a receita ao longo dos anos e nunca me deixou reproduzi-la neste blog. Resolvi transgredir e roubar-lhe um de seus salpicados canhenhos, onde encontrei uma página encabeçada pelo título "bolo de chocolate". Porém, há dois minutos, passou ela atrás de mim e rematou que essa era sim, uma das receitas já desactualizadas.
Que responsabilidade a minha, em trazer esta "versão beta" , mesmo assim ao vosso conhecimento! Ei-la:
Bolo de Chocolate
Ingredientes
1 copo e meio de açúcar 11 ovos 1 copo e meio de óleo 1 copo e meio de farinha 2 pacotes de baking powder 1 pitada de bicarbonato de sódio 4 colheres de sopa de cacau meio copo de água morna 2 colheres de sopa de cacau ou chocolate em pó 2 colheres de sopa de aguardente de cana 200g de chocolate em barra
Bater muito bem dez gemas com o açúcar. Adicionar o óleo, farinha baking powder, cacau, água morna. Adicionar agora as 2 colheres de cacau/chocolate em pó, o 11º ovo (por inteiro) a aguardente, o bicarbonato e o chocolate derretido. A clara em castelo será acrescida com cuidado e levemente.
Acho que os segredos estariam na escolha de boas marcas desses ingredientes.
Para a cobertura, ela aconselha um creme de chocolate em barra derretido, a que se adicionam leite condensado e natas. Creio que, conforme a dose destes ingredientes, se consegue uma diferente textura e brilho, como se pode ver ao lado na foto dum destes bolos (que ela fizera aquando de um aniversário).
Porque estive eu três semanas em silêncio? Talvez alguns de meus assíduos leitores se interrogaram a esse respeito. Não quis ser para com eles indelicado ao nada escrever que indicasse que faria uma pausa. É que minha sogra sucumbiu e tive de me ausentar de Cabo Verde por vinte dias para estar junto à família enlutada. Nestes dias não cheguei perto dos computadores. Não me apetecia fazer nada, apetecia-me nada escrever. Minha sogra era uma pessoa muito especial e hei-de, em tempo, fazer-lhe uma devida homenagem. Ela respondia pelo nome de Lalá, sendo o de baptismo: Adelaide Fortes do Livramento Leitão da Graça.
Nestes primeiros dias de Janeiro sentia-me deprimido. Deixei de ver os dois dígitos na balança da casa de banho, o lema de "um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar" perdeu validade e, ao regressar ao trabalho, estive quase a fazer tijolo, pois um desses camiões de obras, por pouco não me esborrachava, ao me ultrapassar a grande velocidade numa curva de linha contínua e a ter de voltar à via de imediato, por lhe ter surgido um veículo à frente.
Tinha de fazer qualquer coisa. Lembrei-me então de um velho livro que me influenciou bastante na adolescência: "Como evitar preocupações e começar a viver" de Dale Carnegie. Façam clique na figura da contracapa para lerem a súmula do que se trata. Este livro, que por ironia do destino, me tinha sido ofertado por Augusto Barbosa Barros, naquela altura apenas o pai de meu amigo Vano, vem agora me socorrer da angústia que tenho pelo falecimento de sua viúva Lalá.
Mas, haverá Destino? Terá tudo isto sido traçado? Mas que fatalismo esse? Não acredito em fatalismos! Prefiro contrapor o fatalismo com o pragmatismo de William James, psicólogo estado-unidense que, segundo o nosso professor de psicologia (no Liceu), dizia ser dele a teoria de que se "estivermos tristes e esboçarmos um sorriso prolongado, acabaremos por nos sentir contentes!"
. É esta filosofia que me convém. Aliás muito da vida e obra de James se harmoniza comigo. E não deixarei de reler as demais obras de Dale Carnegie. Tenho três livros deste autor. O "Como fazer amigos e influenciar pessoas" ... igualmente me influenciou e nunca me esqueço de uma frase de Ralph Waldo Emerson que Carnegie fazia questão de citar:
"Todo o homem que encontro me é superior em alguma coisa. E, nesse particular, aprendo com ele"
Muitas citações são atribuídas a Emerson. Este foi um grande filósofo americano, inspirador da referida teoria do Pragmatismo que teve por co-fundador William James, esse psicólogo, seguidor de Emerson, cujo 167º aniversário do nascimento se comemora hoje, 11 de Janeiro! (mais uma coincidência!)
Sim! Não é uma menina, sou eu há 51 anos, quando fui baptizado. Minha madrinha era Alice Aguiar Santos, irmã de minha mãe e professora primária conceituada, da época. Alice tinha uma saúde frágil e preferiu não se casar, dedicando toda a sua vida ao magistério primário. Durante minha infância passava mais tempo com ela do que com minha mãe que quando ia ao trabalho, deixava-me em casa da minha avó, onde morava a professora Alice. Esta só leccionava num dos períodos do dia, pelo que passava eu com ela, pelo menos metade do dia. Qualquer traquinice minha, punha-me ela de castigo. Alice não usava castigos corporais; ainda guardo a palmatória que ela trouxera da escola e escondera em casa. Reclamava várias vezes da maldade dos colegas e do sistema repressivo de então. Porém, adorava esses seus colegas professores. Vejam ao lado uma foto onde Alice se encontra entre seus pares (Ivete Antunes, Mocho Ribeiro, Ida Santos, Josefa(Pêpinha), Arcádio, José Manuel Gomes, etc):
Alice, solteira e afável, tinha muitos afilhados (mais de 30). Porém, eu era o afilhado preferido. Várias vezes ela o demonstrou e quis o destino que falecesse, precisamente fazem hoje (14 de Dezembro) cinco anos, num dia comemorativo daquele em que me baptizara!
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Mas 14 de Dezembro é também a data do aniversário de Jane Birkin. Há 40 anos (Dezembro de 1968), Serge Gainsbourg e Birkin (de 22 anos) gravavam aquela que viria a ser a canção proibida e censurada mais ouvida pelos jovens (e não só) da época: "Je t'aime, moi non plus":
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Mas esta é a 2ª versão. Gainsbourg tinha gravado uma "mais sexy" versão em 1967, com Brigitte Bardot, vejam no YouTube, aqui.
Eis que meus filhos fizeram hoje, o que fizera eu há 35 anos: a promessa do escuteiro.
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Devo dizer que me senti bastante orgulhoso e ao ir ler de novo os dez artigos da lei escuteira senti que eles moldaram grandemente a minha forma de ser e estar em sociedade. A prática escuteira trouxe-me o gosto pela democracia, o sentido da honra e o dever ecológico:
Conceitos inerentes à Lei Escoteira
Honra, integridade, lealdade, presteza, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade, disciplina, coragem, ânimo, bom-senso, respeito pela propriedade e auto-confiança.
Achei estranho a cor azul dos lenços que o escalão etário de meus filhos usava. Este escalão denominava-se agora "Navegantes", nome bem diferente do que ostentava no meu tempo, o mesmo escalão. Intrigado perguntei a razão e ... fiquei a saber que a organização fora na época (a 1ª República) "convidada" a "apagar" o nome desse escalão e a adoptar outro, sobre pena de não ....
O nome desse escalão era: pioneiros ! ou seja o mesmo dos pupilos da organização de massa que, cronológicamente lhe seria em Cabo Verde, posterior.
Vejam agora este clip de vídeo, que enaltece as virtudes do Escotismo:
. "O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis"
Mas eu tenho um objecto que começa por contrariar este fantástico pensamento de Fernando Pessoa: é um boneco que, caricaturando ... Fernando Pessoa, segura por intermédio de um íman, um abridor-de-garrafas metálico em forma de guitarra. E daí? perguntam vocês! É que ele me foi oferecido há mais de trinta anos pela minha mulher (então namorada) e nunca se extraviou. Além disso, sob o sacrifício da então estudante que gastara todas as suas economias para comprar esta que foi a sua primeira prenda para mim, o boneco (já velhinho e sem chapéu) adquire um valor crescente à medida que os anos passam, como símbolo de ...agora sim..."momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis". (vejam aqui, outros pensamentos de Pessoa)
Nestes dois últimos dias, o boneco tem trabalhado imenso, pois minha mulher fez anos e muitas cervejas e gasosas foram vítimas da famosa guitarra metálica. E vítima também fui eu, das cervejas que bebi, pois cada uma delas tinha o dobro dos hidratos de carbono permitidos diariamente pela dieta Atkins, que retomara na semana anterior. Resultado: ganhei um quilo e meio em dois dias. Já lá vão os dois dígitos de que há um ano me orgulhava de ter atingido! Se não tomar providências, voltarei aos absurdos 116Kg que tinha em 2003.
Para me meter medo, fui então olhar as fotografias de 2003. E ... qual perseguição de Fernando Pessoa, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, ou que raio que o homem se chama, me surge esta foto que ao lado vos apresento. Pessoa tinha tantos heterónimos que a sua própria identidade acabava por passar despercebida, levando até a que fosse chamado por sua namorada Ophélia Queiroz de "Ferdinand Personne" para ironizar que ele era um "Fernando Ninguém"!
É pena que não hajam heterónimos que para além da personalidade mudassem também a silhueta. Adoptá-los-ia imediatamente. Certo que gosto de heterónimos (tenho dois), são mais úteis que os pseudónimos, sobretudo quando os usamos através da insegura Internet.
Será que usar heterónimos dar-nos-ia maior segurança na Internet? Vejam que para isso teríamos que mudar completamente a nossa personalidade para não "dar bandeira". Era preciso ter uma grande imaginação e um manancial de criatividade. Ser um "fora de série" como o foi Fernando António Pessoa, aquele que por ter nascido (há 120 anos) no dia de Sto António (ou Fernando de Bulhões) herdou no seu nome os dois desse santo.
"Fora de série" é o livro de Malcolm Gladwell que um outro "pessoa": Mário Persona, nos apresenta no seu artigo e vídeo Youtube, widescreen e pensamento bi-hemisférico. Nesse paradigmático artigo, digno de ser inserido no blog TransdisciplinarCV, Mário Persona nos fala precisamente do uso da imaginação e da criatividade, indo ao ponto de no seu TVbarbante dialogar consigo próprio, criando dois "mário personas", uma espécie de clones heterónimos. E ainda ele liga isso tudo às tecnologias da comunicação.
Agora vou vos apresentar as coincidências deste dia 30 de Novembro, subjacentes neste artigo:
73º Aniversário do falecimento de Fernando Pessoa (30-11-1935)
. Eis que das cinzas poderá renascer, qual Fénix, o Orfeão Clube Juvenil da Praia, ou "Orfeão do padre Eutrópio".
No ano de 1974, o do 25 de Abril, brilhava no chão deste Cabo Verde, um grupo juvenil e recreativo que tinha um coro a quatro vozes, mais conhecido pelo nome de Orfeão da Praia.
Eu fazia parte embora nunca me tivesse convencido saber cantar. Lá me atiraram para a 3ª voz. Bem, após vários ensaios creio que a dezena de árias que aprendemos me deixou suficientemente condicionado, para um desempenho que não causasse danos ao grupo.
Éramos já famosos e após alguns concertos (e consertos) na Praia, fomos convidados a fazer uma aparição no Éden Park em São Vicente. Para lá embarcamos num barco de guerra e durante a viagem, muitos friccionaram suas cordas vocais com líquidos e sólidos que por perto circulavam em ambos os sentidos.
As peripécias que no Mindelo passámos, davam para escrever um livro. Porém a nossa actuação foi longamente aplaudida, diria mesmo ovacionada.
Veio a Independência e muitos de nós partimos em estudos pelo mundo fora. O Orfeão ainda aguentou um pouco, mas acabou por se desfazer, deixando um lugar doirado nos nossos corações e umas saudades latentes que de vez em quando afloravam para nos fazer emocionar.
Foi num surto mais violento destes afloramentos, que um de seus membros, teve a feliz ideia e iniciativa de, após 33 anos, fazer com que muitos de nós nos encontrássemos num pic-nic nostálgico para reavivar esses velhos tempos.
Foi assim que nos encontrámos neste fim-de-semana na Cidade Velha e não resistimos em entoar algumas das canções, mornas e árias mais vibrantes de nosso reportório. Embora sem ensaios, com cordas vocais afectadas pelos anos e sem o equilíbrio das quatro vozes, não foi nada mau o que dali saiu:
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Divirtam-se e apreciem aqui, uma montagem a quatro vozes e com muita imaginação.
1917 - Uma vez vitoriosa em Petrogrado, a revolução russa estende-se rapidamente a todo o país.
1918 - O Império Austro-Húngaro é oficialmente dissolvido e é proclamada a República Democrática Húngara.
1920 - Fim da guerra civil russa: as forças do general Wrangel são derrotadas pelo Exército Vermelho liderado por Leon Trotski.
1922 - Nasce José Saramago, escritor português, prêmio Nobel de Literatura.
1933 - Os Estados Unidos reconhecem oficialmente a URSS.
1965 - A espaçonave Vênus III, lançada pela União Soviética, atinge seu destino, tornando-se a primeira a aterrissar em outro planeta.
1992 - O Partido Democrata Trabalhista, formado por ex-comunistas, vence as eleições na Rússia na primeira disputa depois do fim da União Soviética.
1997 - Morre George Marchais, Secretário Geral do Partido Comunista francês.
Em face disto tudo, não posso deixar de comentar quatro pontos que para mim foram e são marcantes. As condições que impus a este blog não me permitem fazer comentários jornalísticos que não estejam de alguma maneira ligados a aspectos da minha vivência (biográficos). Por isso, isolarei o seguinte:
Tolerância - a primeira vez que me coube reflectir sobre o significado deste vocábulo, foi durante o módulo de Etnologia ministrado no curso do círculo de estudos ultramarinos, já por mim evocado em outro artigo. Esse módulo foi magistralmente conduzido por um sociólogo português de nome Celso João Albuquerque e marcou-me pelo carácter desmistificador sobre ideias preconcebidas a respeito de outros povos e culturas (veja-se o que nos fora dado a conhecer por exemplo sobre as teorias do Prof. Hans Mukarovsky). Contudo, só muito mais tarde, em França, ouvi um colega insurgir-se sobre a palavra tolerância. Dizia ele que quem se diz tolerante, coloca-se em posição de superioridade em relação ao "tolerado"; argumenta ele inquirindo se o tolerante admitiria que um filho seu dissesse: "Papá, eu te tolero quando achas que não devo usar calças de ganga ...". Remata meu amigo que tolerância devia ser substituída por respeito.
Hungria- Em Junho de 1999, tive o privilégio de participar na Conferência mundial sobre Ciência e Tecnologia que se desenrolou em Budapeste. Doravante a cidade de Budapeste, o Danúbio, a Hungria, sua história e sua gastronomia, ficaram indelevelmente marcados na minha memória. De facto, comer um Gulasch ao som de violinos ciganos e a conversar com o então ministro da Ciência e Tecnologia de Portugal, Prof. Mariano Gago, é um momento deveras inolvidável.
Saramago - Não me posso esquecer da 1ª cerimónia de atribuição do grau de Doutor Honoris Causa que assisti. Foi ao insigne escritor, outrora militante do PC e prémio Nobel, José Saramago. A Universidade em questão foi a de Évora. Guardo com carinho um de seus livros, "Evangelho segundo Jesus Cristo", que gentilmente consentiu autografar. A vida e obra deste vulto da literatura lusófona é algo paradigmático e merece ser considerada. Vejamos no entanto parte de uma entrevista consentida à Globo:
Georges Marchais - Para quem viveu em França de 1975 a 1981, é incontornável não esbarrar com esta inpressionante figura que foi o Secretário Geral do Partido Comunista Francês. Nessa altura as minhas convicções pendiam francamente para a esquerda e era um fervoroso adepto deste carismático estadista. Não perdia nenhuma emissão das "Cartes sur Table" de Jean-Pierre Elkabbach e Alain Duhamel, onde Marchais fosse convidado. Eram proverbiais as suas saídas intempestivas e ficou célebre a frase, à guisa da do rei de Espanha,"Taisez-vous, Elkabbach !" que lhe é atribuída. Não há registo porém dessa frase, sendo isto o que mais se lhe assemelha:
Ao que parece, o humorista francês Tierry le Luron, nas suas impagáveis imitações de Marchais, ter-lhe-á "colado" a frase. Vejamos uma das imitações de Tierry:
No passado dia 30 de Outubro completei 51 anos de idade e fiz questão de os comemorar com um copo de Pastis 51. Mas porque será que me deu na tola, fazê-lo desta maneira? Eis algumas razões:
O simbolismo do acto, uma vez que esta bebida ostenta no nome o nº 51 que é o nº de anos que se comemora.
Trata-se de uma bebida que me agrada bastante e que me acompanhou ao longo dos anos que vivi no Sul da França e no ano que passei no Senegal.
Permitir uma foto elucidativa deste momento singular
Dá azo a evocar neste blog algumas recordações e momentos interessantes
Em 1976, o Pastis foi-me apresentado pela primeira vez por emigrantes cabo-verdianos que viviam em Frejus, uma cidade entre Saint-Tropez e Nice (onde era então estudante). Impressionou-me ver a mudança de cor da bebida ao se lhe juntarmos água. Ela passa de um castanho alourado e transparente, para um branco-sujo leitoso e turvo (darei as explicações científicas para este fenómeno no CVquímica).
Aos poucos fui-me habituando a essa água de "esfregadura" como lhe chamavam as nossas colegas cabo-verdianas que nunca aceitaram sequer provar esta famosa bebida, tão popular no Sul de França. NB: "esfregadura" é o nome informal cabo-verdiano para a água de sabão suja que sobra da lavagem de roupas.
Podem encontrar aqui a história desta bebida, cuja fórmula actual foi criada por Paul RICARDem 1932. A antiga fórmula foi inventada por Henri Louis Pernod mas tendo 72º alcoólicos acabou por ser proibida em 1915. O pastis de Ricard foi proibido em 1940. A interdição sobre as bebidas anisadas foi levantada em 1951 e a família Pernod cria o Pernod 51, percursor do Pastis 51.
No terceiro ano do curso de Química para a Investigação, que perseguia em Nice, deparei com questões diversas ligadas ao pastis. Foi muito interessante discutir sobre as metodologias de discernir o verdadeiro Pastis do falsificado, as técnicas do fabrico do Anetole, a substância que dá o gosto anisado ao pastis e as substâncias derivadas desse éster sendo algumas delas psicotrópicos severos (falarei disso no CVquímica).
Termino com uma receita do perroquet uma bebida simples que junta dois apreciados líquidos franceses: o sirop de menthe e o pastis:
Verta num copo longo (os para gin tonic) uma medida de pastis e adicione uma colher de sopa de xarope de mentol. Adicione 4 medidas de água mineral (a proporção de um bom pastis é a de 4 de água por um de pastis). Dois cubos de gelo, agitar e ... à vossa saúde!
Durante a minha infância, deleitava-me na Praínha (a pequena praia de mar da cidade, frequentada nessa altura pela classe média) a procurar o animal nas "bacias" de água entre as pedras e a provocá-lo com algum objecto pontiagudo para ve-lo soltar aquela cortina de "fumo" roxa e ofuscante. "Meu pai disse que ele se chama rato do mar" elucidara-me um colega de escola que ao meu lado participara da aventura. "Cal rato!.. hi!hi!hi!" troçava um garoto da Achada Santo António ... "quela tchuma: catota'l mar". Excusado será dizer que doravante a curiosidade se tornara maior e gargalhadas comprometidas passaram a acompanhar-nos nas aventuras subsequentes de busca da "ca... " ou melhor, do "rato do mar".
A minha curiosidade científica me fez mais tarde encontrar algumas referencias do animal (não tínhamos Internet) como sendo um molusco gastrópode, hermafrodita e herbívoro, mais conhecido em Portugal por "vinagreira" ou "lebre do mar". Cheguei a ver este molusco ao fazer (já adolescente) mergulhos com óculos e barbatanas. Podem apreciar aqui, um clip do YouTube onde se pode perceber porque lhe chamam de rato ou de lebre do mar, vê-lo a comer "alfaces do mar" e a expelir a tinta púrpura.
Durante muitos anos me intrigou o nome vernáculo que davam na ilha de Santiago, ao Aplysia. Não via parecença nenhuma com o órgão genital feminino. Até que há poucos dias estava com a família na Praia-Baixo e qual não foi meu espanto ao ver um animal da cor da pele de uma mulata, nadar ao meu lado com a beleza que poderão conferir no clip de vídeo seguinte:
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Fascinado, cheguei a casa e fui pesquisar na Internet, tendo encontrado que se tratava da prima do nosso "rato do mar": a "vinagreira negra" ou Aplysia fasciata, Poiret 1789, também existente em Cabo Verde e que certamente foi ela que inspirou o tal nome vernáculo "anatómico":
Hoje, 19 de Outubro 2008, este grande humorista português que responde pelo nome de RaulAugusto Almeida Solnado fez 79 anos! Ainda rijo e valente, parece que irá para o ano (o ano de seu 80º aniversário) brilhar de novo na RTP (clique aqui). Tornou-se num grande actor, mas eu ainda o prefiro como aquele humorista dos anos 60 do século XX.
Este Raul Solnado traz-me gratas recordações das noites de gargalhadas que meus jovens pais davam em 1962, no pequeno apartamento onde vivíamos em Lisboa (entre 1962 e 1963). Esta estadia em Lisboa, foi para mim marcante, visto estar associada à primeira viagem que fiz, tinha eu 5 anos apenas. A família seguira (mais a vovó Candinha, sogra de meu pai) para Lisboa no navio motor Alfredo da Silva e regressara um ano depois no Manuel Alfredo (o navio gémeo do primeiro). Saudosos navios! Mas estas aventuras náuticas ficarão para uma próxima crónica.
Lembro-me de o ouvir na rádio, nos seus shows humorísticos. Meu pai comprara um dos discos de vinil (45 rotações) de Solnado, que faziam furor na época. Tratava-se do disco que batera todos os recordes de vendas de discos em 1962 e que reunia "A Guerra de 1908" e "A História da Minha Vida".
Apresento-vos agora "A guerra de 1908" sob forma de "mídia".
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Agora um pouco de sua discografia (singles e EPS):
Dá O Cavaquinho, Os Ferrinhos e a Pandeireta (Single, Orfeu, 1978) 645
Fado Do Regresso/A Nossa Cidade (Single, 1979)
Zé Canal (Single, 1981)
Solnado actuou no Brasil e eis uma pérola rara (um clip de vídeo de um "sketch" com o actor italo-brasileiro Zeloni:
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Para terminar, eis uma colagem de vídeos e imagens de Raúl Solnado, tendo como som de fundo, a "canção" deste artista: Dá O Cavaquinho, Os Ferrinhos e a Pandeireta (Single, Orfeu, 1978) 645
Por volta das 10h da manhã deste Domingo, fui lembrado através de um telefonema da Rádio Nacional de Cabo Verde, que hoje era o Dia Internacional do Professor (instituído pela UNESCO*). A simpática jornalista, após educadamente se desculpar de me ter ligado para casa num Domingo, indagou se estaria eu disposto a dar uma entrevista para o jornal das 13, a propósito do citado dia internacional do professor. Após assegurar-lhe que de maneira nenhuma me sentira incomodado e que de muito bom grado iria conceder a entrevista, começou a gravação do diálogo entre nós entabulado.
Várias foram as questões e a última dizia respeito à mensagem que deveria eu deixar aos colegas professores. Não me lembro do palavreado exacto que usei, mas grosso-modo quis transmitir que os mais jovens devem esmerar-se para serem uma referência positiva, para que possam desfrutar mais tarde do regozijo de duas fantásticas situações:
Ver passar ao lado, ou ver na comunicação social, cidadãos brilhantes e notórios e poder dizer: "eis um de meus antigos alunos que de algum modo agora traduz um pouco de mim mesmo"
Deparar com indivíduos que rasgam um sorriso ao nos ver e proferem frases do tipo "... Não se lembra de mim? professor...sou o [fulano]..."
E é neste pé, que partilho neste artigo mais uma foto (vejam também as que apresentara no "Os meus queridos alunos I") de alunos meus, que me foi enviada com uma comovente carta que orgulhosamente aqui exibo:
* mensagem da UNESCO traduzida para português: clique aqui
Há um mês, os nossos caniches "di raça trabessadu"(Sheri & Dan's ) tiveram a sua segunda ninhada (num ano). A conselho de minha filha, não podia deixar de assinalar a data, neste blog. Aliás há muito que prometera a meu cinófilo amigo Zé Cunha que voltaria a falar desta raça de cães. Comecemos então por ver o pequeno vídeo que preparei, da actividade dos canídeos neste dia comemorativo do primeiro mês de existência da ninhada:
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Cães desta raça, são hoje-em-dia muito apreciados como animais de estimação, embora no passado tivessem sido usados como animais de caça, sobretudo de aves aquáticas, como os nomes Caniche e Poodle sugerem. Vejamos agora o que do animal diz o site Saúde Animal:
O Poodle, também chamado de Barbone e Caniche, é considerado uma das raças mais inteligentes, obedientes, dóceis e versáteis. Por possuir tais características e uma aparência encantadora, é considerado o mais popular das raças. O nome deriva da palavra alemã "pudel", que significa "chapinhar na água". No passado, esse animal serviu como excelente cão de busca. Embora moderno lebre o antigo Water Spaniel Irlândes, a linhagem do Poodle continua um mistério. Na França este cão é chamado Caniche (Canard = pato) porque houve um tempo em que era considerado um excelente resgatador (que vai buscar a caça abatida e a traz para o seu dono) de aves selvagens aquáticas.
O nome Poodle faz-me lembrar de cenas de filmes, onde esses cachorrinhos tosquiados em festival de ponpons, costumam ser passeados por ladies da alta sociedade ou por homens afeminados. Mas donde vem esta mania de tosquiar os Caniches? Vejamos o que diz a Wikipédia:
"Acredita-se que o corte tradicional de pêlos em forma de bracelete nas pernas era usado antigamente nas caçadas na neve, onde a maioria do pêlo era tosado baixo para facilitar a natação do cão, mas as juntas, pulmões, coração e rins eram mantidas com pêlo alto para protegê-los do frio. O pompom no fim do rabo servia como uma "bandeira" para ser avistado pelos donos enquanto o Poodle mergulhava no fundo da água"
Cães e cachorros em Cabo Verde são muito estimados, embora pouca gente se preocupa, em serem eles de raça ou não e muito menos com tosquias artísticas de caniches. Aliás, esta raça não é muito conhecida em Cabo Verde e na homenagem filatélica feita em 1995 a cães de raça, ela não figura, como se pode constatar por este lindo envelope do primeiro dia:
Cheguei sonolento de uma viagem nocturna da TAP e encontrei à minha espera, um magnífico pudim que minha filha confeccionou expressamente para mim. Ela dormia nesse momento, mas minha mulher deixou-me entender que seria bom que comesse um pouco para não defraudar as expectativas da adolescente que o fizera com tanto carinho.
Assim o fiz e meu palato e pituitária me deram todas as indicações de que tinha uma nova estrela da pastelaria na minha família: Mélanie Sofia. Disse logo à Garda que ela já tinha uma sucessora na arte pasteleira e quiçá uma rival!
No dia seguinte, todos se deleitaram com esta sobremesa e tive de pedir uma trégua para poder tirar uma fotografia do último pedaço remanescente, porque tencionava valorizar o famoso pudim neste blog.
A seguir a receita deste pudim de coco, que minha filha viu num programa brasileiro na televisão e à qual lhe deu seu toque pessoal. Eis a receita melhorada, que é tão simples e barata de fazer, mas cujo gosto é sublime:
Pudim de coco à moda da Mélanie
Ingredientes
50g de manteiga 150g de coco ralado 1 lata de leite condensado 1 lata de leite de coco 3 ovos
Colocar todos os ingredientes num simples liquidificador e bater por alguns minutos até obter uma mistura homogénea. Entretanto, revestir uma forma de pudim com açúcar queimado (sobre o qual se unta com boa manteiga e salpicos de baunilha - segredo da Mélanie). Verter a mistura na forma, colocá-la em banho-maria dentro de um forno pré-aquecido e contar uns 40 minutos para retirar o conjunto do forno.
Como vêem é simples de fazer e o truque da Mélanie dá-lhe esse travo de butterscotch.
Professor Catedrático e Reitor da Universidade Jean Piaget de Cabo Verde (entre 2006 e 2014) . Doutor (Ph.D.) pela Universidade do Arizona - EUA.
Investigação em Transdisciplinaridade e em Didactica da Química em meio sócio cultural cabo-verdiano./////////// Chair Professor and Rector (2006-2014) at University Jean Piaget of Cape Verde. Ph.D. by the University of Arizona - USA. Research in Transdisciplinarity and Didactic of Chemistry in a cape-verdian socio-cultural environment