Domingo, 5 de Julho de 2009

Reluzentes medalhas de mérito e 5 de Julho

Quando era criança, passava o dia em casa de minha avó materna (hoje minha casa) onde a "sala de visitas" permanecia fechada e às escuras, só se abrindo para limpeza semanal ou para ... visitas, claro! A cada vez que isso acontecia e me encontrasse por perto, lá me apressava eu a entrar na dita sala para ir admirar as fotos de meus antepassados e em particular a de meu trisavô Francisco Cosme Nunes, pelas bigodaças do sujeito e pelas medalhas que ostentava. Muitas perguntas fazia eu sobre estas medalhas. NB: poderão saber mais sobre esse almirante de palmo e meio num artigo que publicara muitos meses atrás, neste blog: (Nhu Cosmi acaba por se casar com a crioula Mariana).
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Assim aprendi que as medalhas eram objectos que, tal como taças e diplomas, premiavam ou assinalavam feitos ou contributos meritórios daqueles que o recebiam. E via com orgulho, meu pai receber taças e diplomas de rádio-amadorismo (ver outro artigo que publicara antes: Os primeiros rádio-amadores de Cabo Verde).

Quando entrei no ensino secundário, pude sentir na pele a sensação de receber diplomas de mérito (melhor aluno do Concelho da Praia por exemplo) e devido às minhas lides genealógicas, descobri diversos parentes que receberam condecorações e diplomas de mérito.

Várias vezes já falei do contributo que Hilário Brito deu para a área das telecomunicações. Várias vezes tomei conhecimento de cerimónias solenes (por ocasião do 5 de Julho, dia da Independência) onde o Presidente da República agraciava diversos cidadãos pelos seus contributos à Nação. Estranhava e ficava triste por não ver meu progenitor entre os agraciados, sobretudo por muitos deles terem sido protagonistas de feitos, bem mais modestos do que o contributo de Hilário.
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"Tudo aranha ten si sesta-fêra": é pois com manifesta satisfação, que tomei conhecimento, ontem dia 4 de Julho, que finalmente, Hilário Brito estaria entre os medalhados deste 34º Aniversário da Independência Nacional. Naturalmente, apressei-me a ir à cerimónia onde pude, não só pegar a medalha na mão, como tirar fotos históricas, ao lado do Presidente da República e de Hilário Brito.

Para finalizar este artigo, queiram ter a bondade de apreciar a seguir, a montagem feita a partir da reportagem realizada pela TCV sobre a citada cerimónia:


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Domingo, 28 de Junho de 2009

Djédjé di Nhô Antóni, viu São Pedro!

Após as estrondosas notícias dos últimos dois dias ... :
  • 25 de Junho - " O cantor e compositor Michael Jackson, 50, morreu às 18h26 (horário de Brasília) desta quinta-feira (25), após sofrer uma parada cardíaca em sua casa, em Los Angeles. Segundo o jornal "Los Angeles Times", os médicos do hospital da Universidade da Califórnia confirmaram a morte do cantor, que teria chegado ao local em coma profundo" - [in UOL]

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  • 26 de Junho - "Cidade da Praia, 26 jun (Lusa) - A elevação da Cidade Velha a Patrimônio Mundial da Humanidade, anunciada nesta sexta-feira pela Unesco, marca um projeto iniciado há uma década e vai permitir o desenvolvimento do primeiro núcleo populacional surgido na ilha de Santiago, em Cabo Verde. Também conhecida por Ribeira Grande de Santiago, a região foi descoberta pelos portugueses em 1460 e, dois anos mais tarde, foi fundada no local a primeira cidade do mundo construída por europeus nos trópicos." [in LUSA]
Vejam o que eu dizia a este respeito em 31 de Janeiro de 2007 :

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... chegamos a este Domingo, véspera de São Pedro, com vontade de regressar ao sopé do Vulcão do Fogo e desfrutar a calma ali reinante:


Mas, ... porque resolvera eu ir ao Fogo há dois meses atrás e levar minha mulher comigo? Precisamente para apreciar in loco o que eram as "festas da bandeira" e ter uma visão daquilo que minha avó Quinha, tios e primos contam a propósito da "Bandeira di nhô San Pedro" que tem "estado na família" desde que meu bisavô Djédjé di Nhô Antóni a tomou!

Eis a história:

José António da Silva pertencia a uma família de posses, filho do major António José da Silva, influente personagem do século XIX na ilha do Fogo. Conhecido por Djédjé di Nhô Antóni, José da Silva possuía um navio, de que era capitão, que fazia viagens entre Cabo Verde e os Estados Unidos, no início do século XX. Embora tivesse ganho muito dinheiro com este circuito, Djédjé transportava de graça para os USA, muita gente pobre e era um homem conhecido pela sua bondade e devoção religiosa.

Numa de suas viagens de regresso da Nova Inglaterra, Djédjé apanhou um violento temporal e o navio teve um rombo, começando a entrar água. O naufrágio era iminente. Meu bisavô, poz-se de joelhos e começou a rezar fervorosamente. Nisto, fez-se um clarão (provavelmente de um incêndio na rectaguarda) e Djédjé exclama "Nhu San Pedro! nhu salvan!". E não é que uma embarcação que passava ao largo do escuna, vê as chamas e vem em socorro de Djédjé e da tripulação?

Desde então, José da Silva prometeu usar o resto de sua fortuna, promovendo as festas da "Bandeira de nhu San Pedro", até que a morte o levasse. Só que as estrondosas festas foram-se desvanecendo (de tal sorte que já nem delas se falam nos artigos nacionais: ver aqui) à medida que os anos se passavam e que a fortuna de Djédjé definhava. O homem viveu 96 anos!

Hoje, com muito pouca festa, ainda se diz a missa e se entrega a bandeira ao padre. A bandeira continua na nossa família e é sustentada pelo neto "Nénezinho", que vive nos Estados Unidos.

O ponto alto das festas de São Pedro no Fogo recai sobre o então célebre Canizade (uma espécie de dança, com máscaras e saiotes de palha). Este tem lugar na véspera do dia da festa. Hoje, dia 28 de Junho é vespera de Nhô San Pedro! Haverá Canizade no Fogo?

NB: segundo Henrique de Pina Cardoso:
"Canizade, úndi qês canizade tã badjabo, tê de pramanha… Rôpa de canizade êh um s’péce de máscra, qi tâ parce qês índio maricano, qú qês saia de padja, qês latas pindrado, suma qês tchocadjo qi tâ podo na limária pâ bú sabê úndi ês s’ta tâ anda."

Domingo, 21 de Junho de 2009

Alexandre o Grande, biscoitos gregos e Bach

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No ano de 365 ac nascia a 21 de Junho, Alexandre III (o Grande) da Macedónia. Embora esta data de 21 não faça a unanimidade, o certo é que ela é singular, pois representa o momento em que no hemisfério onde nasceu Alexandre, o Sol está mais tempo no firmamento, ou seja é o Solstício "de Verão".

Com o calor que já se faz sentir neste 1º dia de Verão, bem me apetecia estar de férias à beira-mar, de preferência numa ilha grega comendo biscoitos de amêndoa. Mas ... a ilha grega não está à mão de semear.


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Porém, estes biscoitos estão! Acabo de comer alguns dos que Garda, (minha mulher) fez ontem. Esta receita muito antiga, viajou da Grécia até ao Porto Grande no Mindelo e acabou por ser trazida para a cozinha de minha casa, onde foi retocada por Garda.

NB: existe uma outra versão desta receita de biscoitos gregos, chamados também de Kurabie, mas que têm outro gosto (devido ao cognac, às gemas e à baunilha). Se há momentos, onde o sublime do gosto, advém da mistura multi-sabores, também os há, onde a intensidade gustativa provém da simplicidade da mistura dos ingredientes vedeta (neste caso as amêndoas torradas, a manteiga e o açúcar)

Quem sabe após suas campanhas, o grande Alexandre, não se consentia a pequenos prazeres gustativos, saboreando biscoitos de amêndoa como estes:


Biscoitos gregos com o toque especial de Garda

  • 100g de amêndoas (com peles) torradas e moídas
  • 125 g de açúcar pilé
  • 250 g de manteiga
  • 500 g de farinha de trigo
Misture (incorpore) o açúcar e a manteiga à amêndoa torrada e moída (grão fino) e depois de bem ligados, junte aos poucos a farinha de trigo.

Em seguida deite a massa sobre uma superfície lisa e com um rolo, abra a massa até obter uns 4 mm de espessura. Recorte biscoitos em forma de meia-lua e coloque-os num tabuleiro forrado de papel vegetal untado de manteiga.

Leve ao forno por alguns minutos (até ficarem com um tom amarelo-torrado). Retire os biscoitos do tabuleiro e polvilhe abundantemente com açúcar pilé. Disponhe-os a seu gosto, num prato de servir.
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Bem, vou agora comer mais alguns biscoitos, ao som de Johann Sebastian Bach, neste dia sublime em que meu filho Mauro vai receber sua fita de finalista do liceu e em que se comemora o aniversário do nascimento de um dos filhos (este) do mais brilhante compositor da vasta família Bach, a maioria músicos de renome.

Mas, não fiquem com ciúmes, aqui vos ofereço a Ária que vou ouvir, (a primeira de J.S.Bach que ouvi de um disco em vinil, a mim oferecido aos 9 anos) fantàsticamente interpretada por Sarah Chang a não menos fantástica e linda violinista americano-coreana, actualmente reconhecida através do Mundo, como:
"...one of classical music’s most captivating and gifted performers. One of the most remarkable violinists of any generation..."

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Domingo, 14 de Junho de 2009

Mauro, Mancini e Matrimónios

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Na senda desta minha súbita febre melómana e inclinação pelas notáveis músicas de filmes, não resisto neste mês das crianças, a apresentar a castiça fotografia seguinte, de meu filho Mauro, em sua tenra idade:

Pobre "pantera cor-de-rosa"! coitadinha, de cabeça para baixo, sabe-se lá para onde será arrastada.

Este meu filho, adorava o rosado boneco e como nasceu com queda para a música, veio mais tarde a interpretar com mestria, o clássico Pink Panther Theme Song de Henry Mancini, mais um notável compositor e maestro de músicas de filme.

Podemos apreciar a precoce sensibilidade musical, de Mauro Jorge Barros Brito, na parte final deste clip:
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Cedo colocamos nossos dois filhos mais novos, numa escola de música e mais tarde ele seguiu a turma de piano clássico. Comprámos-lhe um teclado electrónico semi-profissional, e Mauro divertia-se a tocar as mais diversas árias, tendo Mélanie a seu lado como "cantora lírica".

Como dizia, Mauro tocava muito bem o Pink Panther de Mancini e sempre gostou dos desenhos animados da Pantera cor-de-rosa. Donde veio isso? Vou agora especular, baseado nas coincidências:
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Henry Mancini (1924-1994) nasceu no mesmo ano em que minha mãe nasceu. Nasceu a 16 de Abril (dia em que minha mulher e eu, comemoramos os aniversários de nosso casamento) e morreu a 14 de Junho (dia em que meus pais comemoram seus aniversários de casamento).


Adivinharam! hoje (15 anos após a morte de Mancini) meus pais fazem 55 anos de casados. São as Bodas de Esmeralda. Eles casaram-se por procuração, pois nessa altura (1954) meu pai estava colocado na ilha do Sal, como rádio telegrafista.


Finalizo com o tema Pink Panther de Mancini, (que se encontra sentado ao piano) em homenagem a todos os que aqui mencionei:

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Domingo, 7 de Junho de 2009

Santos diabinhos!

Há trinta anos comemorava-se o Ano Internacional da Criança. Nesse ano, os Correios de Cabo Verde lançaram no dia 1 de Junho, selos comemorativos e castiços envelopes do 1º dia. Eis a imagem de um dos envelopes da minha colecção filatélica:


















Reparem que a célebre frase atribuída a Cabral, "As crianças são as flores da nossa revolução", foi "doirada" para "As crianças são as flores da nossa luta" ! (no coments!)

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Há vinte anos (1989), as crianças viam nascer uma famosa telenovela Mexicana: Carrussel. Na sua versão brasileira de 375 episódios, elas eram apelidadas pelo zelador do colégio, o Firmio, de "Santos diabinhos". Dava gosto assistir aos episódios dessa produção televisiva. Fazendo um clique na foto ao lado, serão conduzidos para um YouTube resumo do 1º episódio. Se está curioso por saber o que é feito desses "santos diabinhos" quinze anos depois, clique aqui.

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Há poucos dias fui desencantar nas minhas "pesquisas arqueológicas" aos haveres de meus antepassados, três fotos de minha infância, onde me encontrava ladeado de outras crianças em poses inocentes, após (lembro-me perfeitamente) diabruras e traquinices no quintal da casa de minha avó, que agora é meu lar. Reparem que bem podiam estas fotos serem intituladas de "santos diabinhos!":
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Já repararam nas características orientais destes meus amiguinhos? Pois é, estávamos em 1963 e já tínhamos "chineses" na nossa cidade! Quem seriam eles?

Vou suspender aqui o artigo, para vos dar a oportunidade de o adivinharem. Dica: são parentes (sobrinhos) de uma médica, então vizinha nossa, que viria a ser objecto de trocadilhos, após a exibição aqui na Praia, do filme Born Free. O título em português e os nomes do casal governamental da época, dirão tudo.

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E disseram mesmo! Recebi há minutos por e-mail, a resposta que esperava, de uma parente minha, prima do ilustre tio das crianças das fotos, minhas vizinhas (moravam no palácio do Governador).

Esse tio, era o então (1963-1969) Governador da Província de Cabo Verde, Leão Maria Tavares Rosado do Sacramento Monteiro (origem do Fogo). A mulher desse Leão (que está na minha árvore genealógica) era uma médica macaense que respondia pelo nome de Elsa (Elsa Maria José de Sena Fernandes). As crianças eram filhas da irmã de Elsa, de nome Arlete. O filme em questão tinha por título: "Uma Leoa chamada Elsa", donde as piadas que à boca pequena (era no tempo da PIDE) se faziam.

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Este filme foi muito comovedor. Baseado no livro Born Free da escritora checa Joy Adamson, (nascida Friedericke Victoria Gessner) relata a história verídica sobre uma leoa e a mulher (Joy) que a criou e depois devolveu à liberdade. O filme recebeu vários galardões internacionais, entre os quais os óscares da melhor banda sonora (compositor Jonh Barry) e da melhor canção de 1967. Esta canção é certamente de vós conhecida e terei muito gosto de terminar este artigo com o clip da mesma, primorosamente interpretada por Matt Monro, nome artístico de Terence Edward Parsons, cançonetista londrino dos anos 60 que se tornou famoso pela voz que dava às canções de filmes:

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Domingo, 31 de Maio de 2009

Eutrópio, Ennio e Clint: por sobre píncaros da excelência

Logo que reparei não haver nenhuma câmara de televisão na sala da Assembleia Nacional, aquando do espectáculo inaugural do Orfeão da Praia, pensei logo que isso iria dar que falar. Na realidade, irados comentários se fizeram ouvir a respeito, em diversos media e fora de discussão.

Felizmente minha filha captou, com o telemóvel que lhe emprestara, alguns extractos dos nossos cantos. Sabendo igualmente que o nosso estimado maestro, Eutrópio Lima da Cruz, fora convidado por Abraão Vicente, a falar sobre o Orfeão no programa 180º, resolvi gravar a entrevista e fazer uma montagem com partes da mesma, entremeado com os referidos extractos de nossos números. Eis o resultado em três partes:

1ª parte
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2ª parte
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3ª parte
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Após se terem deleitado com estas montagens vídeo, tenho muito gosto de vos apresentar um clássico das músicas de filme, composto pelo extraordinário Ennio Morricone e interpretado em Berlim por uma orquestra sinfónica (com um coro de vozes à mistura) sob a batuta do próprio maestro. Este clássico não é nada mais nada menos, do que o da banda sonora principal do filme de Sergio Leone: "O Bom, o Mau e o Vilão". Notar que foram usados clips do próprio filme nesse sublime vídeo:

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O paradigmático actor principal deste filme é Clint Eastwood. Este "monstro" do cinema americano está ainda no activo e em plena forma, apesar dos seus 79 anos, que completou hoje, dia mundial sem tabaco. Ainda há bem poucos meses, tive o privilégio de ver o seu mais recente filme (realização e interpretação) Gran Turino, um emocionante filme (ver trama aqui), lançado em Janeiro 2009 e que já obteve
"mais de 30 milhões de dólares na primeira semana de exibição nos Estados Unidos, fazendo de Clint o ator mais velho a conseguir um primeiro lugar em bilheterias" [in wikipédia]
Bem, despeço-me desejando um bom dia mundial da criança (dia 1 de Junho, feriado em três países entre os quais Cabo Verde)
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Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

O novo Orfeão da Praia


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Este assunto será retomado no Domingo 31 de Maio, mas para não perder actualidade eis alguns pedaços:

Vejam o que escrevera eu há uns meses atrás AQUI

Agora leiam o artigo anunciando o ressurgimento do Orfeão Sénior da Praia, publicado no A Semana online:

Nos finais de 1974 surgia na cidade da Praia um orfeão, composto por jovens cuja média de idade rondava os 17 anos. Hoje querem regressar aos palcos e à vocação desses tempos, 32 anos passados… É já no dia 25 de Maio que o Orfeão da Praia vai voltar a reunir-se.

“A ideia foi de Filomena Frederico Delgado, elemento original do grupo, e em Janeiro deste ano começaram os ensaios”, conta Eutrópio lima da Cruz, que em 1974 dirigia o grupo. Agora afirma já estarem prontos para se apresentarem ao público, num dia especial – o Dia de África (25 de Maio). Árias de ópera, peças polifónicas clássicas e géneros de música cabo-verdiana estilizados a quatro vozes compõem o repertório. “Será, no fundo, uma antologia das 11 apresentações que fizemos em 2005/07”.

Em Janeiro, conta lima da Cruz, reorganizaram-se e arranjaram o material humano. O orfeão hoje é composto por 30 elementos dos idos anos 70 e por outras trinta pessoas, que são as “novas aquisições do grupo”. “São pessoas inseridas nas mais variadas esferas da sociedade cabo-verdiana: desde empresários, funcionários públicos, professores universitários e liceais até pilotos”, elenca. Ninguém é profissional de música e, tal como afiança lima da Cruz, tudo não passa de “uma carolice nossa”.

O concerto terá um sistema de convites e vai realizar-se no auditório da Assembleia Nacional. “O grupo existe para a nossa satisfação espiritual, porque em Cabo Verde não há mercado para este género de iniciativa”, diz Eutrópio lima da Cruz. E, por isso, prognostica o chefe de orquestra, depois deste primeiro concerto, ficará à mercê das solicitações. Mas independentemente disso, realça, tal como em 1975, “os nossos encontros são sempre de festa, alegria e convívio. As pessoas dão o melhor de si”.

Catarina Abreu


Agora vejam o apontamento desse mesmo jornal, dois dias após o show, com o título Orfeão ovacionado na Praia:

O Orfeão da Praia voltou, e a julgar pelas palmas entusiasmadas do público que lotou a sala da Assembleia Nacional, temos outra música na capital do país. Uma nova era se abre na música coral do país. Os 55 integrantes estiveram ali para confirmar a grandiosidade da oferta que, no futuro, depois de uns acertos aqui e acolá, vai enriquecer e de que maneira o panorama musical cabo-verdiano. Bem hajam, disse o público em delírio.

Este artigo veio acompanhado de fotografias de que me servi para compor o seguinte diaporama:
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Domingo, 24 de Maio de 2009

O Kapa em mim: da total confiança ao cepticismo afirmado

Se para um indivíduo amante da Ciência, o X é uma incógnita, o K é certamente uma certeza: o símbolo do Potássio, a constante de Boltzmann, a unidade da temperatura absoluta (o Kelvin), etc. são disso exemplos paradigmáticos. Mas, não obstante os significados do que acabo de dizer serem para mim uma evidência, não é de matérias científicas que vos vou falar. Falar-vos-ei de algumas recordações e factos associados à letra K que, de uma maneira ou de outra, causaram-me uns, agradáveis emoções, outros, emoções de cepticismo e repúdio:
  1. Maria Helena Pereira Fogaça (1928-1984), era o nome de uma das melhores professoras de Liceu que jamais tive. A senhora era um espectáculo em matéria de matemática, fazendo-me apanhar o gosto por esta disciplina. Ela não falava nas aulas senão de Matemática e sabia manter o respeito. Eis uma história que não contei no artigo que publicara em tempos, sobre a vivência no Liceu Adriano Moreira (ver aqui): Fogaça explicava as séries e lá ia ela desfilando uma sucessão de k1, k2, k3, .... e ia dizendo "capa um", "capa dois", "capa três"...; nisto, ouve-se uma voz do fundo da sala a dizer "capa tudo alguén...". Risos! ... Fogaça, sem se virar do quadro, profere: "Sr. Vaz, faça o favor de sair da sala ... capa quatro, capa cinco....", continuando a série "castradora" como se de nada se tratasse. Os risinhos tornaram-se abafados e foram-se amortecendo à medida que o "Sr Vaz", cabisbaixo, encaminhava-se para a porta.
  2. Quando cheguei a Tucson - Arizona em 1986 para fazer o Doutoramento, fui morar para um castiço condomínio perto da universidade. Ainda sem carro, o posto de abastecimento alimentar mais próximo era uma das tais "convenience stores" denominada Circle K. Tornei-me assíduo frequentador desse "Círculo Kapa" como jocosamente designava o local, com a minha mania de então, em aportuguesar propositadamente todos os nomes de lojas das redondezas. Mais tarde vim a descobrir outros locais mais em conta, mas guardo até hoje em memória o grande K do símbolo (ver a figura do topo).
  3. Tinha eu 14 anos e meio quando fui pela segunda vez a Portugal com meus pais, acompanhando-os na sua 2ª licença graciosa. Minha prima Lena também se encontrava com os pais em Portugal. Ela (então com 16 anos) tinha o cabelo alourado e, por ser branca de pele, ninguém suspeitaria (em Lisboa naqueles preconceituosos tempos) que éramos primos em primeiro grau. Descíamos de mãos dadas o Parque Eduardo VII e Lena, que acreditava em "quiromancia", fez-me ler a sina por uma cigana. Esta pega-me na mão e após passar uma rápida olhadela pela Helena vaticina: "... vejo um futuro risonho à sua frente; há uma moça loira muito rica, que lhe quer bem e que está apaixonada por si... Ela é tímida mas acabarão por se casar e ter dois filhos...". Foi assim que o K, que nas línguas semitas representava a "mão", fez-me cimentar o cepticismo que já nutria pelas crendices dos advinhos.
  4. Recentemente, tive de fazer uma incursão sobre os perigos do uso do ALUPEC num sistema que se quer (será?) bilingue. Já não é de agora que falo disso (ver aqui). Porém, aquando das Jornadas Parlamentares do MpD, apresentei uma comunicação, onde a dado passo escrevi: "A campanha do alfabeto fonológico e kapiano só faz criar um asco e uma relutância à língua portuguesa que sob essa luz nos parece ser uma língua marciana, complicada e … não nossa. A expressão “nôs língua é cauberdianu” diz, por inferência, que o português não é nosso! ". Isto valeu-me de alguns que são amantes do monolinguismo, ou seja do Caboverdiano como língua oficial única de Cabo Verde, alguns meio-insultos e desconsiderações. Para mim, assim como para muitos outros (ver artigo de Napoleão Andrade aqui), não há razão nenhuma de substituir o C pelo K, pois sendo o Caboverdiano uma língua latina, deve manter a convenção sobre o K (quando as palavras provenientes do grego foram assimiladas pelo latim, o K foi convertido em C) das demais línguas românicas!
  5. Mas a minha pior experiência com o K é a das injecções dessa vitamina, que me via obrigado a tomar em criança, em virtude do constante sangrar pelo nariz (EPISTAXE) de que padecia. Por ser oleosa esta vitamina K, era uma dor terrível que sentia durante a injecção que o Sr. Agnelo, o vizinho enfermeiro, me aplicava com um amável sorriso, óculos de plástico negro e palavreado oco de um "não vai doer..não dói...já passou!". A vitamina K tem efeito coagulante e pode ser usado no tratamento da hemofilia
Pois bem! Acontece que hoje comemoram-se os 190 anos do nascimento da Raínha Victória de Inglaterra. Esta senhora ficou conhecida por ser a monarca com o reinado mais longo do Reino Unido, mas também por ser a primeira transportadora conhecida de hemofilia na realeza.

Domingo, 17 de Maio de 2009

Minha adolescência evocada em altitude, por Cristo e Gabriel

Há já alguns dias, ao procurar as efemérides do dia 17 de Maio, encontrei o da inauguração do santuário do Cristo-Rei em Almada. Como a data era a de 1959, depreendi logo que ia haver muito alarido à volta disto, pois seriam as bodas de oiro desse emblemático monumento. Dito e feito, muitos estão a ser os festejos e evocações da data. Por isso, e como o propósito deste Blog não é jornalístico, apenas apresentarei duas fotos minhas, tiradas junto ao citado monumento em Agosto de 1973, aquando da já aqui mencionada viagem de estudos do Círculo de Estudos Ultramarinos. Muito aprendi, porém, nestes dias, vendo as reportagens sobre o o evento, consultando sites na Internet, vendo diaporamas e lendo artigos relacionados nas enciclopédias. Como este Blog é também de "postais antigos," aqui vai um postal animado da inauguração:

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Entretanto, a data de 17 de Maio tem para mim um significado nostálgico mais profundo. Desde 1969, que os pic-nics dos CTT (onde meus pais fizeram suas vidas profissionais), passaram a ser realizados nesse dia, o Dia Mundial das Telecomunicações, sendo para mim, nessa altura, uma oportunidade para ir a lugares aprazíveis do interior de Santiago, onde convivia com os filhos dos demais funcionários dos Correios, Telégrafos e Telefones (antes, os pic-nics eram em Março, por ocasião das festas do Arcanjo São Gabriel, padroeiro católico, das telecomunicações). Esta data é a da fundação da UIT (União Internacional das Telecomunicações) que via sua nascença em Paris, a 17 de Maio de 1865. É hoje, a mais antiga organização internacional do Mundo (ver aqui). Em 1965, os CTT da província de Cabo Verde, emitiram um selo comemorativo do centenário da organização. Tenho o envelope do primeiro dia, que partilho aqui convosco:


Em 1968, a União Internacional das Telecomunicações, no 23.º Conselho Administrativo, decidiu escolher o dia 17 de Maio como Dia Mundial das Telecomunicações e exigiu dos seus membros que nesse dia, desenvolvessem actividades comemorativas, divulgassem o papel importante que as telecomunicações desempenham, promovessem as tecnologias de telecomunicações e despertassem o interesse dos jovens em conhecer as telecomunicações.

Em 1978, os CTT de Cabo Verde emitiam um selo comemorativo dos 10 anos da instituição desse Dia Mundial. Eis aqui o envelope do primeiro dia de circulação (aproveito para vos mostrar igualmente o emitido no ano anterior):
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Devo dizer que, desde 2005, este dia passou a designar-se Dia Mundial da Sociedade da Informação. As Nações Unidas assim o determinaram (ver aqui a mensagem de Kofi Annan) na sequência da chamada Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação.

As telecomunicações em Cabo Verde deram o seu primeiro passo significativo em 1974 com o início do funcionamento das estações do Monte Tchota (em Santiago, entre Rui Vaz e o Pico d'António o ponto mais alto da ilha), Monte Verde (São Vicente) e Morro do Curral (no Sal), que permitiu as ligações telefónicas automáticas entre as ilhas:
"Depois, em 1974, concluía-se o projecto de automatização das comunicações inter- ilhas, através da instalação de sistemas rádio por feixes hertzianos, interligando os centros de Monte Tchota (Santiago), Monte Verde (S.Vicente) e Morro Curral (Sal). A partir destes três centros principais de transmissão são estabelecidas ligações com os centros em S. Antão, S. Nicolau, Boa Vista, Maio, Fogo e Brava." [CVTelecom]
Meu pai, foi um dos "protagonistas desse filme" e eu fui um dos ... "figurantes". Na realidade, vivi de perto a construção e a instalação da estação do Monte Tchota. Vejam a foto a seguir e ... boa semana!

Foto tirada em 30 de Março de 1972, vendo-se ao fundo o pico denominado d'António em homenagem a António da Noli, um dos descobridores da ilha. Não sei porque carga de água é que se vê traduzido, do Crioulo "Pico 'Ntóni", para "Pico da Antónia"

Domingo, 10 de Maio de 2009

"Merinha" - uma vespa verde, neurocirurgiã e psicopata

Nestes últimos dias, tenho ido amiúdas vezes aos ensaios do Orfeão Sénior da Praia (ver antecedentes aqui). De vez em quando ali se ouve uma voz aguda e esganiçada, que me faz lembrar uma frase bem santiaguense: "Toma sima merinha na caxa fós !" .

Esta frase deriva da brincadeira infantil que consiste em: 1-prender o pobre insecto verde esmeralda numa caixa de fósforos (trata-se de uma vespa conhecida no Brasil por vespa-jóia ou em inglês por emerald jewell wasp), 2-deixar a caixa ligeiramente entreaberta, 3- esperar que o bicho assome a cabeça e 4-entalar esta de imediato fazendo com que o insecto emita um som metálico (de dor) fanhoso e sincopado, amplificado pela caixa (de ressonância) de fósforos.

Ora, como já o dissera, fui um coleccionador e observador de insectos. A foto que vos apresento é o de uma merinha (ampulex compressa) que passou mais de 40 anos espetada por um alfinete na cortiça que forrava o fundo da caixa onde coleccionava insectos (o dedo na foto é meu!). Lembro-me que nessa época, passava horas a observar esses verdes insectos que poisavam nas paredes de minha casa, sobretudo junto aos cantos onde havia baratas.

Na realidade estas vespas são terríveis, e atacam as baratas. Injectam veneno no cérebro destes insectos para que fiquem zonzos e conduzem-nos (quais cães amestrados) para seus ninhos. Colocam um ovo no interior da barata e mais tarde, a larva nascida vai comendo as entranhas da infeliz . Várias são as vespas que após se desenvolverem dentro de um hospedeiro o devoram. Essas relações são chamadas de parasitoidismo. [ver aqui] . Finda a fase larvar, a jovem adulta, sai triunfante da carcaça da barata. Vejam:

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Este comportamento estranho é descrito em vários artigos da blogosfera, como neste elucidativo apanhado, intitulado: O parasita solitário que conduz a sua presa, do blog Cais de Gaia:
"A pequena vespa iridiscente é um parasita durante a fase larvar que se especializou nesta espécie de baratas, e não ataca nenhumas outras. A Ampulex procura uma vítima e dá-lhe uma picada com o seu ferrão, injectando um cocktail de neurotoxinas que não mata a barata, apenas a paralisa ligeiramente."

Para melhor conhecermos os estudos sobre este comportamento, deixo-vos com um vídeo elucidativo:


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Domingo, 26 de Abril de 2009

Fotos BCS de lindas, simpáticas e atraentes primas minhas

As fotos BCS (Beleza, Charme e Sensualidade) do meu artigo anterior causaram um agradável efeito em muitos que passaram pelo blog.

Uma de minhas primas achou interessante e prometeu-me enviar fotos dela para que compusesse um BCS neste espaço.

Então pus-me a pensar que se calhar não seria má ideia homenagear a beleza, o charme e a sensualidade de algumas das mais bonitas, simpáticas e atraentes jovens que figuram na minha árvore genealógica.

Procurei as fotos que elas mesmas publicaram na Internet e com a devida vénia as reproduzo aqui em forma BCS. Durante algum tempo não colocara nem nomes nem links, para que, se porventura a alguma delas não agradasse a ideia, houvesse tempo de remover ou substituir fotos. Como não obtive objecções, libero por agora os links.
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Bramela
Minha prima em 5º grau

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Liziane
Minha prima em 8º grau


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Núria
Minha prima em 5º grau



Tatiana
Minha prima em 4º grau
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Domingo, 19 de Abril de 2009

Santidade, Beleza, Charme e Sensualidade



<<<1917 >>><<< 1928 >>><<<1954 >>><<<1957 >>><<<1999>>>

Parecem-vos "santas" estas mulheres? Quem são? Que têm elas em comum?

Tirando a palavra "santidade", o resto do título deste artigo poderia perfeitamente ser a resposta do que elas poderiam ter em comum. Mas a realidade é que todas são actrizes de cinema (clicar nas fotos) e todas personificaram em filmes diferentes (clicar nas datas sob as fotos) a mesma santa: Joana d'Arc cuja beatificação ocorreu precisamente há cem anos, no dia 19 de Abril de 1909.

Uma semana após a Santa Páscoa, eis que me surge este dia de 19 de Abril, com poderosas efemérides de Santidade:

Joseph Ratzinger foi eleito pelo conclave, no dia 19 de Abril de 2005, como o actual Santo Papa Bento XVI.

Foi eleito como o 266º Papa com a idade de 78 anos e três dias
(Wikipédia)

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Roberto Carlos Braga, "o Rei" nascido em 19 de Abril de 1941 em Cachoeiro de Itapemirim, no Estado do Espírito Santo, Brasil, completou 68 anos (Wikipédia).


Mas, a efeméride dos 100 anos da beatificação de Jeane d'Arc, mereceu da minha parte mais atenção. pois lembro-me de, em criança, ter visto um dos filmes que retratava a vida de Joana d'Arc, e impressionou-me bastante o fim que ela teve ao ser queimada viva, por ordem da Igreja. Eis um resumo do filme:

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Resolvi reavivar meus conhecimentos sobre a matéria, usando desta vez o veículo da Internet e muitas interrogações surgiram-me com o que vi:
  • Deveria uma mulher que se passara por homem nesse tempo ter uma cara e uma silhueta de mulher?
  • Porque foram escolhidas actrizes de fisionomias femininas (e não só!) para o papel?
  • Seria Joana d'Arc uma mulher atraente?
  • O que é a atracção?
Estas perguntas me levaram a consolidar uma teoria que há muito me ronda de que a atracção feminina assenta em três pilares (o da beleza, o do charme e o da sensualidade), ora equilibrados, ora sendo um deles preponderante, ora sendo deficiente.

Muitas máximas e pensamentos de notáveis personagens, estabelecem este relacionamento que se quer equilibrado.

Beleza
"Não serve para nada ser-se jovem sem beleza, nem bela sem juventude"

Charme
"É uma espécie de encanto numa mulher. Se tem charme, não precisa de mais nada; se não o tem, tudo o resto não serve para muita coisa"


Sensualidade
"Não existe antídoto mais poderoso contra a baixa sensualidade do que a adoração da beleza"


Terminemos este artigo com fotos BCS (Beleza, Charme e Sensualidade) de mais uma aniversariante do 19 de Abril, a tenista russa:


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Domingo, 12 de Abril de 2009

Páscoa, chocolates, cunicultura e Bunny

Ovos de chocolate e coelhinhos da Páscoa não faltaram hoje na minha mesa. Curioso, que no tempo da minha infância , não havia esta tradição na minha casa! Como morava, e moro, junto à "igreja matriz", a procissão à volta da praça Alexandre Albuquerque, era o prato do dia. O Bispo de então, circulava ladeado de padres, que iam balanceando os aparatos lançadores de incenso e de água benta. As janelas das casas circundantes, sobretudo as com varandas, como a nossa, eram ornadas com coloridas colchas, de brilho acetinado. Lá ficávamos à espera de, após a procissão, virem padres à nossa casa ,para a bênção pascoal. Aquilo tudo me parecia fascinante, ao mesmo tempo que fastidioso .

Hoje, as coisas mudaram e enquanto trincava a casca do ovo, ou melhor, o chocolate quebradiço e côncavo, não pude deixar de me interrogar sobre o porquê dos ovos e do coelho, numa festa assaz religiosa.

Encontrei várias tentativas de explicação pela Internet fora e apanho uma ao acaso, que transcrevo:

Ressurreição de Cristo – coelho simboliza vida em abundância

Na Antiguidade, os povos escolheram a lua para determinar a data da Páscoa. Como o coelho era tido como um símbolo da lua, passou também a ser considerado um símbolo da Páscoa.

Os coelhos são mamíferos, roedores, que se reproduzem de forma rápida, tendo grande fertilidade. O seu período de gestação não passa de quarenta dias, tornando-se símbolo da preservação da espécie.

Para os cristãos, a Páscoa é marcada pela ressurreição de Cristo, pelo Seu renascimento, pelo surgimento de uma vida nova. Além disso, a sexta-feira santa é a data assinalada pelo seu sofrimento, pela sua crucificação.

Existem algumas curiosidades sobre a história do coelho da páscoa. Na Alemanha, as crianças esperam ovos dos coelhos. As crianças tchecas confiam que os presentes são ofertados por uma cotovia (ave campestre). Na Suíça, são os cucos que levam os ovos de presente e, no Brasil, a tradição do coelho, que veio no final do século XIX.

Outra história põe sentido à tradição do coelho representar um símbolo da páscoa, uma vez que este simboliza a igreja. A igreja tem a missão fecunda de propagar os ensinamentos cristãos, a palavra de Deus, para todos os povos; sem distinção, ou seja, aumentar a quantidade de discípulos da mesma. Assim, uma grande quantidade de pessoas é representada pela fertilidade do coelho.

Há uma lenda que marca a história do coelho da Páscoa. Conta a mesma que uma mulher pobre, que não tinha como presentear seus filhos no domingo de Páscoa, cozinhou alguns ovos de galinha e os pintou. Ela teve a ideia de colocá-los dentro de um ninho e escondê-los no quintal da casa, entre as plantas. Quando as crianças encontraram os ovos, um coelho apareceu por perto e fugiu; as crianças acreditaram que o mesmo havia colocado os ovos para elas, assim a história se propagou.

[texto copiado daqui]

E senti então saudades da Bunny, a nossa coelhinha branca de estimação, que faleceu de velhice há dois meses atrás. O animal fazia o deleite dos meus filhos mais novos ... e meu também!
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Bunny andava à vontade no nosso quintal com os demais mamíferos que por ali circulavam. Quando eu era criança, a minha avó Candinha criava coelhos (cunicultura) no quintal e às vezes escapuliam do local que lhes era reservado indo para o alçapão. Um belo dia a Dona Candinha foi ao alçapão e meteu o pé num dos buracos que os lagomorfos fizeram, tendo apanhado um belo entorse! ... Na semana seguinte, já não havia mais coelhos na nossa casa!

Porém, deixaram-me boas recordações esses bichinhos. Observava-os a comer folhas de couve e me impressionavam os característicos movimentos de suas bochechas quando mastigavam as folhas. Captei a Bunny na minha câmara do telemóvel a comer folhas de repolho. Vejam-na:
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De facto, os movimentos circulatórios das bochechas destes animais quando mastigam, impressionavam-me quando era miúdo. Tinha os meus seis anos, quando após observar fixamente minha tia Filó a mastigar, resolvi exclamar alto e em bom som:

"Lolóoo ... come como quelho!"

Noutra ocasião, falar-vos-ei de cunicultura, a ciência e a arte de cuidar de coelhos. Fiquem bem!


Domingo, 5 de Abril de 2009

Roxos passos do Senhor dos Passos

Todos os anos quando, como hoje, é Domingo de Ramos, lembro-me do "martírio" que era obrigado a consentir quando de tenra idade (dos 4 aos 8 anos) era levado pela minha mãe a calcorrear, entre vultos enormes (os adultos), as ruas da cidade durante a "procissão do Senhor dos Passos". Aquilo era um autêntico suplício para mim; pior era aquela interminável lengalenga dos padres durante a missa, em frente da capela de Santa Isabel, no Hospital da Praia. Ficava eu de pé entre os adultos, ouvindo os padres sem os ver e sem poder falar ou brincar. Ao fim da procissão meus pés ficavam doridos, talvez tão roxos quanto a velha túnica do Senhor dos Passos!

Qual a razão disso? Ei-la: minha mãe tinha perdido sua primeira filha durante o parto; durante a gravidez do segundo filho (Eu) o médico dera-lhe poucas esperanças; então ela fez uma promessa ao Senhor dos Passos, que, se tudo desse certo, passaria a ir todos os anos no Domingo de Ramos, às procissões e levar-me-ia consigo para que eu participasse nesse "agradecimento a Deus". Ao me lembrar disso, não posso deixar de pensar na frase que um amigo meu muçulmano proferiu em Nice, quando eu lá estudava: "os católicos fazem negócios com Deus!".

Mas a procissão do Senhor dos Passos era algo de espectacular. Na realidade essa procissão é chamada com mais propriedade de "Procissão do Encontro". Melhor ainda: a Procissão do Encontro de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Em muitas regiões interiores do Brasil esta procissão se desenrola na 4ª-feira da Semana Santa. Aqui na Praia fazia-se no Domingo de Ramos. Eis uma descrição do evento:

Os fiéis (maioritariamente masculinos) saíam da Igreja de Nossa Srª da Graça, junto à Praça onde eu moro, com a imagem do Senhor dos Passos e as mulheres esperavam na Capela de Santa Isabel, no Hospital da Praia, donde iria sair a imagem de Nossa Senhora das Dores. Acontecia então o emocionante encontro entre a Mãe e o Filho. O padre, então, começava a missa, e a um dado momento proferia o célebre Sermão das Sete Palavras de Jesus Cristo na Cruz:

1. Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. (Lc 23,34 a);
2. Hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23,43);
3. Mulher eis aí o teu filho, filho eis aí a tua mãe. (Jo 19,26-27);
4. Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?! (Mc 15,34);
5. Tenho sede. (Jo 19,28 b);
6. Tudo está consumado. (Jo 19,30 a);
7. Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. (Lc 23,46 b).

É uma pena que na nossa cidade da Praia, já não se façam procissões na Semana Santa como as que se faziam há 40 anos atrás. A da 6ª-feira Santa, ou a do "Enterro do Senhor", era muito interessante. Ainda me lembro das velas que eram resguardadas por um invólucro de forma poliédrica em cartolina branca, (espécie de pirâmide de base quadrada, truncada e invertida), com janelinhas em forma de cruz, estrela ou coração, forradas com papel de celofane vermelho. Dizer que os tempos são outros e que a cidade cresceu, não pega, pois Lisboa ainda tem dessas procissões como podem constatar no clip que se segue:

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Domingo, 29 de Março de 2009

O Bud cabo-verdiano saúda Trinitá

Quem se lembra de Trinitá? ... Pois é, o célebre cowboy das comédias italianas, personificado pelo actor Terence Hill (nome artístico) que contracenava com Bud Spencer, o mal humorado, anafado e barbudo companheiro de aventuras. Porque me lembrei então dessa dupla? É que nas minhas buscas de efemérides, deparei com o facto de Terence Hill (aliás Mário José Girotti) fazer hoje, 29 de Março de 2009, a bonita idade de 70 anos. Podem ver ao lado que o mesmo ainda está bem conservado.

Mas, a razão deste artigo prende-se mais uma vez com as coicidências de data (já proverbiais) de acontecimentos que me impressionaram ou de que fiz parte:
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Na tarde do dia 29 de Março de 1986, levei minha família a visitar meus pais, pois era um Sábado de Aleluia. Nessa altura ainda só tinha um filho, o Marcos Miguel, que a poucos dias de completar dois anos e seis meses, era já muito atento e expressivo. Usava eu uma copiosa barba (ainda escura) e parecia um foragido.

Sentámo-nos a ver televisão (um dos canais satélite que meu velho captava) e passava um filme da supracitada dupla, precisamente Altrimenti ci arrabbiamo! (1974), de Marcello Fondato (A Dupla Explosiva). Nisto, aparece a figura de Bud Spencer e Marcos exclama: "Olha o papáaa!"

Deixo-vos agora com uma das partes (8 de 10) mais castiças deste filme:

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Podem ver todas as partes deste filme aqui!

Domingo, 22 de Março de 2009

Os Beatles, meu vizinho Tadeu ... e muita água

Com "dôs águ na corpo" meu vizinho SANA sobe as escadas da entrada de minha casa a cantarolar uma ária dos Beatles. Vinha trazer-me uma prenda que, segundo ele, fizera vir dos Estados Unidos, especialmente para mim. Agradeci a gentileza, perguntei-lhe pelo John Lennon e ... foi o suficiente para uma longa conversa que, poderia ser regada com água ardente. Porém, em louvor ao dia de hoje, o Dia Mundial da Água, (comemorado a 22 de Março desde 1992), a conversa foi apenas regada com a boa e fresca água de nascente.

Não se inquietem, que o Jonh Lennon a que me referi, está vivo, reside nos USA e é o filho deste meu vizinho, não se tratando do célebre membro da banda de Liverpool. SANA é louco pelos Beatles e pela música rock. Aliás foi graças a ele que tive a ideia de lançar este blog (ver o primeiro artigo aqui). SANA, é muito conhecido em Cabo Verde pela sua habilidade em animar festas, concertos e festivais com a sua música descontraída e com bastante rock & roll à mistura. Actualmente, fundou um duo musical intitulado "Sana Pépas & Julai" que, de acordo com seu auto-marketing, é o melhor conjunto da cidade da Praia.

Vejamos agora, porque meu vizinho, de nome Tadeu Monteiro Fontes, é mais conhecido por "Sana Pépas". A resposta só poderia estar na esfera da Beatlemania: Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, abreviado Sargent Pepper's , o álbum de vinil mais conhecido dos Beatles! A sonoridade britânica do nome foi rapidamente creolisada para Sana Pépas, o nome de que ele até se orgulha. Assim, eis então o nome oficial do conjunto de Tadeu Fontes: "Sana Peppers & July".

Fiquei curioso com esta referência e preferência. Fui então procurar no You Tube a seguinte composição ilustrativa do citado álbum:

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Como tenho uma propensão pelas coincidências "efeméricas", eis que hoje fazem precisamente 46 anos que o primeiro álbum de vinil dos Beatles foi lançado: Please, Please Me. A Capa foi algo inusitado, pois, "George Martin, que tinha encanto pelo Zoológico de Londres, pensou que seria uma boa publicidade para o mesmo se os Beatles posassem para a capa do álbum diante da casa de insectos do Zoo, mas a Sociedade Zoologica de London não permitiu que isso fosse feito. Decidiu-se então que a foto da capa fosse dos quatro integrantes em um balcão da escadaria da EMI. Esta foto tirada por Angus McBean foi usada posteriormente para a capa da colectânea The Beatles 1962-1966."

Para terminar este artigo, convido-vos a apreciar um clip dos Beatles a tocar a canção que deu o título ao álbum:

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Domingo, 15 de Março de 2009

Será púdica a Mimosa?

Desde criança que a frase "toma sima nau-mi-toques" me impressiona. Esta frase era pronunciada geralmente em resposta a uma atitude com contornos de susceptibilidade exacerbada. Claro que cedo soube se tratar de uma planta cujas folhas se fechavam ao mais ligeiro toque. Sempre quis conhecê-la mas por muitos anos nunca tive o ensejo.

No início dos anos noventa do século passado, chefiava o Departamento de Recursos Naturais do Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário e tinha a tutela do primeiro jardim botânico da República de Cabo Verde. Foi então que pela primeira vez me cruzei com essa dama que ostenta o nome científico de mimosa pudica. Porém, só ali estavam dois exemplares e mesmo assim escondidos do público, no viveiro do Jardim!

Dezanove anos depois, numa das minhas visitas ao Jardim Botânico, lembrei-me de perguntar pela "sensitiva", outro nome da "não-me-toques". E levaram-me ao viveiro onde pude perceber num periclitante vaso, uma mirrada planta que provou ser a dita cuja, após um toque que lhe fiz.

Não resisti em filmar a coitadinha com a câmara de meu telemóvel, não vá ficar sem poder ter uma recordação visível da mesma. Embora se possam encontrar outras filmagens de púdicas mimosas na Internet, é com muito gosto que coloquei a que fiz no YouTube e vo-la apresento aqui:

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Domingo, 1 de Março de 2009

Calhambeque ou Dona-Elvira?

Aquando da minha primeira viagem a Lisboa (tinha eu 4 anos) descobri deslumbrado as maravilhas de um mundo frenético e reluzente. Mal me esqueço da cornucópia em néon amarelo, que num dos prédios da avenida Almirante Reis se enchia progressivamente e entornava reluzentes moedas de oiro. Também os automóveis eram um motivo de deleite. Meu pai, tinha um alugado, no qual ia de casa à fábrica de telefones, em Cabo Ruivo, onde, a mando dos CTT de Cabo Verde, fazia um estágio. Um belo dia, chega ele furioso a casa, barafustando que tivera um choque de raspão com uma "dona-elvira" mas que o dono declarara à polícia danos manifestamente não causados por ele, meu pai. "De um dona-elvira queria fazer um Ferrari", praguejava meu progenitor, enquanto eu (já com 5 anos) me interrogava de que Srª Dona Elvira se tratava. Claro que acabei por saber que meu pai se referia a um automóvel antigo e velho. Mais tarde, de regresso a Cabo Verde, vim a ouvir a música de Roberto Carlos intitulada "O Calhambeque" que se tornou num grande sucesso. Eis um clip vídeo tirado do YouTube com a seguinte legenda:
Roberto Carlos actua ao vivo para a televisão Portuguesa RTP na década de 60 no programa "Canção é Espectáculo". Foi a primeira vez que o cantor actuou em Portugal, deixando as fãs também aqui em delírio. Um marco na carreira do cantor.

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Logo associei a designação dona-elvira a calhambeque e passei a gostar de ver essas espécies raras nas enciclopédias e livros que sempre gostava de devorar. Mais uma vez evoco a minha adorada colecção "Ver e Saber" da Editora Verbo, que no seu nº23 nos apresenta o título: "Os primeiros automóveis".

Embora nunca tivesse uma paixão por automóveis, soube sempre apreciar as peças raras que eram os automóveis antigos. Tinha a sorte de poder de vez-em-quando entrar numa garagem que, na Rua Serpa Pinto, ficava, no mesmo passeio, a algumas casas abaixo da casa onde morava. Nessa garagem (que faz a esquina do beco perpendicular à "Casa Felicidade") era guardado uma dona-elvira de cor esverdeada, com a matrícula CVS-11. Mas a viatura antiga mais bonita da capital era o célebre "Bu Mai", uma carripana azul de chapa CVS-7 que deambulava pelas ruas da cidade fazendo ruídos toscos e buzinando uns "aguga!" engraçados, para o deleite da criançada que corria, atrás do carismático veículo.

Porém, os termos carripana e calhambeque, não traduzem bem a realidade dos automóveis antigos de colecção, pois estes são preciosidades bem cuidadas e reluzentes. Antigo não é forçosamente velho. Vejamos o que diz o Ciberdúvidas para o termo dona-elvira que, esse sim, melhor caracteriza a situação:

Dona-elvira não é um sinónimo absoluto de carripana ou calhambeque.Carripana significa: «carruagem velha e de má qualidade»; «automóvel fora de moda». Calhambeque significa «barco pequeno e velho»; «automóvel velho e a funcionar mal»; «traste».Dona-elvira é um automóvel de modelo muito antigo, mas que poderá estar muito cuidado e a funcionar relativamente bem.Observe-se que, embora se encontre a forma «Dona Elvira», por exemplo, em G. Augusto Simões, Dicionário das Expressões Populares (Lisboa, Edições D. Quixote, 1994), a expressão já está perfeitamente integrada no léxico como palavra característica do português europeu. Assim se explica que a forma hifenizada dona-elvira, substantivo feminino, seja a que está registada em recursos lexicográficos mais recentes como o dicionário da Academia das Ciências de Lisboa (2001) e a Mordebe — Base de Dados Morfológica do Português (em linha desde 2005 e constantemente actualizada).

Não é que há dois dias, recebo no meu e-mail, uma magnífica imagem, gentilmente divulgada pelo meu primo Carlos Loff Fonseca, um aficionado e profissional da fotografia. Esta imagem é a de uma dona-elvira passeando nas ruas da cidade da Praia, nos anos áureos em que a mesma não era uma antiguidade!

Com a devida vénia reproduzo aqui a octogenária fotografia em questão:


Para melhor situar a época, da pesquisa de imagens que fiz na Internet, encontrei um modelo de 1929, que muito se assemelha ao da fotografia "praiense", um Ford A Phaeton - 1929 (Azul, Descapotável) e adiciono uma foto do mesmo local, a Praça Alexandre Albuquerque, tal qual ela se encontrava ontem, dia 28-2-2009.



Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Domingo Gordo de 2009 ou aniversários de notáveis "pais fundadores"?

No Domingo Gordo do ano passado, homenageei meus "cães carnavalescos". Este Domingo, acordo com o reboliço de meus filhos escuteiros que se preparavam para irem a São Domingos, participar numa actividade escutista. "Mau dia escolheram", ripostei eu; "Não, papá... é que hoje é o dia do aniversário de Baden Powell, o pai do Escutismo!" contrapôs meu filho Mauro (à direita na foto), que parecia muito entusiasmado com a ideia de ir passar o dia em São Domingos. Não sabia eu que este meu descendente fosse tão aficionado de:

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Robert Stephenson Smyth Baden-Powell (Londres, 22 de Fevereiro de 1857 — Quénia. 8 de Janeiro de 1941) foi um tenente-general do Exército Britânico, fundador do escutismo. Engraçado é que a mulher deste militar, Olave St. Clair Soames Baden-Powell, também nasceu a 22 de Fevereiro (1889) e foi responsável do escutismo feminino, "As Guias".

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Fui então consultar as efemérides e encontrei, como também nascido a 22 de Fevereiro, um outro "pai fundador": George Washington (Condado de Westmoreland, Virgínia, 22 de Fevereiro de 1732 — Mount Vernon, 14 de Dezembro de 1799), cognomeado de Pai dos Estados Unidos da América, foi um general e político estadunidense, tendo sido o primeiro presidente dos Estados Unidos da América, de 1789 a1797.

Dilema: deveria eu falar do Carnaval, momento anti-ambiental onde cada um procura se mascarar de forma original para se destacar dos demais, ou falaria do Escutismo onde todos de vestem de uniforme e seguem princípios disciplinados e construtores do ambiente? Resolvi não falar de nenhum, ficar por aqui e apenas produzir links e fotos de todos estes eventos!

Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Que há de comum entre: Hilário Brito, John Baird, Jules Verne e Dmitri Mendeleev ?

Desde já a resposta: o 8 de Fevereiro e a "Tele-visão"
(além da testa e do olhar confiante no futuro)



Recentemente conectei ao meu desktop, uma "penTV". Cedo me apercebi que a antena da "pen" era pouco sensível e lá fui adquirir uma dessas antenas interiores numa das lojas chinesas da capital.

Porém, era preciso fazer uma ginástica tremenda de orientação da mesma para poder captar algo credível. Lembrei-me logo do significado da frase "captar TV" que há 42 anos ouvia troar nos meus ouvidos de recem-teenager, a propósito das tentativas de meu pai em teimar poder ver televisão na Praia.

Como estas ideias lhe tinham surgido em Fevereiro de 1967, resolvi então dedicar o meu próximo "post" dominical (este) ao espírito pioneiro de Hilário Brito, em querer estar entre os primeiros a captar TV em Cabo Verde (no Sal já um português se vangloriava te ter captado TV).

Segundo os apontamentos (encontrados na página "8 de Fevereiro") de uma velha agenda do meu progenitor, que religiosamente guardei (ele nem se deu conta do confisco), a ideia lhe surgiu no início de Fevereiro de 1967, quando comprara um minúsculo televisor Crown e uma antena de vários elementos. Ainda me lembro dos valentes rapazes dos CTT e da Central Eléctrica que içavam o poste enorme de ferro onde se via a tal antena no topo e, sob o comando de Hilário, ajustavam os fios de aço que seguravam e mantinham o poste hirto e imune à força dos ventos.

Durante os meses que se seguiram, lá ia Hilário escrutinando os ares para ver se "via" alguma coisa, ora virando a antena para a esquerda ora para a direita. A 30 de Julho, como reza o artigo anexo (clique nele), conseguimos vislumbrar uns "fantasmas" que iam e vinham acompanhados de algum som espanholado. Não me esqueço de uns quatro minutos de "debujos animados" dos Flinstones que me deleitaram e ditaram a paciência e a ansiedade de ficar especado à frente do minúsculo écran por largos minutos a olhar para a "chuva" acinzentada que propiciava.

Poderão inteirar-se de outras aventuras e incursões no mundo da televisão que Hilário Brito prosseguiu, ao ler (façam clique na imagem) a crónica anexa. Podem também ver a entrevista que lhe fizeram aquando da gala comemorativa dos 20 anos da televisão estatal cabo-verdiana:



Quanto a mim, fui investigar na Internet um pouco sobre as origens das primeiras emissões de TV e qual não foi o meu espanto, quando deparei com a informação de que a primeira emissão de televisão entre Londres e Nova York se realizara num 8 de Fevereiro (em 1928) fazendo hoje precisamente 81 anos de tal histórico evento. Mais interessante ainda é ler a biografia de seu autor, um escocês de nome John Logie BAIRD, e constatar seu espírito visionário e empreendedor. Eis um resumo tirado da wikipédia:

John Logie Baird (13 de Agosto de 1888, Helensburgh – 14 de Junho de 1946, Bexhill) foi um engenheiro escocês, um dos pioneiros da televisão. Em fevereiro de 1924 transmitiu imagens estáticas através de um sistema mecânico de televisão analógica. Em 30 de outubro de 1925 transmitiu as primeiras imagens em movimento. Em 1927 fundou a Baird Television Development Company, a qual em 1928 fez a primeira transmissão transatlantica de televisão, entre Londres e Nova York e também o primeiro programa de televisão para a BBC. Em 1931 realizou a primeira transmissão ao vivo.

Este homem de visão, que transportou a "visão" de um continente a outro, fez-me lembrar Jules Verne, aquele que foi:
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"considerado por críticos literários como o precursor do género de ficção científica, tendo feito predições em seus livros sobre o aparecimento de novos avanços científicos, como os submarinos, máquinas voadoras e viagem à Lua"

Fui então descobrir que ele nascera a 8 de Fevereiro de 1828, exactamente 100 anos antes da citada emissão de televisão entre Londres e Nova York !


(faça um clique nesta imagem e aceda ao site de origem)

Em matéria de previsões, muito cedo, nas minhas lides com a Química, tropecei num outro grande vulto da ciência: Dmitri Ivanovich Mendeleev
"em russo Дми́трий Ива́нович Менделе́ев, (Tobolsk, 8 de Fevereiro de 1834 — São Petersburgo, 2 de Fevereiro de 1907) foi um químico russo, criador da primeira versão da tabela periódica dos elementos químicos, prevendo as propriedades de elementos que ainda não tinham sido descobertos. "
Mais uma coincidência, este novo "barbudo" nasceu a 8 de Fevereiro, exactamente há 175 anos, e seis anos depois do anterior "barbudo", o Verne !

Está provado: a comum data de 8 de Fevereiro e o facto destes quatro homens serem homens de visão que a transportaram no tempo e no espaço (tele) prevendo e propiciando tempos melhores nos círculos onde viveram!